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Joana – Sumário

Joana – Joan Margarit Tradução: Nelson Santander SUMÁRIO Apresentação de “Joana”, de Joan Margarit Joana – Prólogo Oração para J. M. R. Enquanto tu dormes Não há milagres Riera Pahissa Amanhecer em Cádiz Luzes de natal em Sant Just Às quatro da madrugada Manhã de domingo com a música de Lluís Claret Metrô Fontana Pai…
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Joan Margarit – No final da noite

O ar está congelando.Até o rouxinol mantém-se em silêncio.Com a testa apoiada na vidraçapeço perdão às minhas filhas mortas,porque já quase nunca penso nelas.O tempo passou, deixando sobre a cicatrizsua argila empoeirada, e ocorre que, mesmoquando se ama alguém, sobrevém o esquecimento.A luz tem a mesma aspereza das gotasque vão, com o degelo, caindo dos…
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Joan Margarit – Um lugar perdido

UM LUGAR PERDIDOIn memoriamMarta Ribalta i Taltavull (17-VIII-1946, 11-V-1999)Joana Margarit i Ribalta (20-VIII-1970, 2-VI-2001) Reluz o sol do conto de fadasque para Marta foi esta casapequena e luminosa em frente aos campos.Ninguém tocou em um único troncoda lenha cortada e ordenada.Joana fez um desenho para elaonde lhe dizia: Que sejas muito feliz.Quando Joana tinha dois anos…
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Joan Margarit – A espera

Muitas coisas estão sentindo a tua falta.Cada dia é repleto de momentos que esperamaquelas pequenas mãosque seguraram as minhas tantas vezes.Teremos de nos habituar à tua ausência.Um verão já passou sem teus olhose o mar também terá que se acostumar.Por muito tempo ainda,a rua esperará diante de nossa porta,pacientemente, pelos teus passos.Não se cansará nunca…
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Joan Margarit – Lápide

LÁPIDEANNA, 1967; JOANA, 1970-2001 Nossa memória guarda vossos nomesem uma pequena praia que jamaisfigurará nos mapas dos navios.Quão próximas estais aqui, uma da outra,minhas filhas, depois de tanto tempo.Tão unidas agora, atrás de vossos nomes,que olham para o mare que o sol lê a cada amanhecer. Trad.: Nelson Santander LÁPIDAANNA, 1967; JOANA, 1970-2001 Nuestra memoria…
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Joan Margarit – Quadro com pássaros

A parede é, deste lado, escura e triste,como naquela históriaque um dia te contei. Fosse de verdade,todos os pássaros que pintasteestariam a tua espera do outro ladocantando para ti:acolher-te-ia aquela parte clarade que falava a históriacomo o faríamos tua mãe e euse pudesses voltar para casa novamente. Conto para mim mesmo esta históriaenquanto olho para…
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Joan Margarit – O primeiro verão sem ti

IPenhascos de um cinza esverdeado,como grandes machados pré-históricos,mergulham na água.Como alguém descascando frutas,a estrada recorta suas curvasatravés das velhas colinas calcinadas. O carro estaciona próximo ao mare no retrovisor não estão teus olhos.Em frente, branco, La Gambinacom seu letreiro — HOTEL — azulno alto, no telhado, mirando o amanhã. IISentada diante das ondas:as nuvens se…
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Joan Margarit – Professor Bonaventura Bassegoda

Lembrei-me de você, alto e corpulento,atrevido, sentimental. Na época, vocêera uma autoridade em Alicerces Profundos.Iniciava as aulas sempre assim:Senhores, bom dia.Hoje faz tantos anos, tantos mesese tantos dias que minha filha morreu.E costumava secar algumas lágrimas.Tínhamos vinte anos, mais ou menos,e o homem corpulento que você era,chorando durante a aula,nunca nos fez sorrir.Há quanto tempo…
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Joan Margarit – O presente e Forès

IManhã de verão nos campos.E Mariona, com seu avental,cavando no jardim, sob as rosas.Mònica — aos doze — anda de bicicletana estrada para a aldeia,e Joana e Carles — ambos com cinco — dormem.Reluz o ar do feriado:pela janela aberta para as árvores,entre as folhas sopradas pela brisa,escapa o piano das «Suites inglesas»,e de repente…
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Joan Margarit – Canção de ninar

Dorme, Joana.E que este «Loverman» — sombrio e trágicodo sax do teu irmão em Montjuïc —possa acompanhar-te por toda a eternidade pelos caminhosque só a música conhece.Dorme, Joana, dorme.E, se possível, não te esqueçasde teus anos no ninho que dentro de nós tu deixaste.Envelhecer será também reteras cores que um dia brilharam em teus olhos.Dorme,…