Vasco Gato – Repara nos velhos

Repara nos velhos. Dementes, doridos, restos de casas. Vivem agora a lepra de todos nós. Não lhes chegamos. Tresandam. Esquecem. Apoderam-se do nada. E nós, capitosos, brindamos com o vinho que também eles sorveram, desdenhando a morte que, amarga como a nossa indiferença, haveremos de provar.

Vasco Gato – Fera Oculta

       com a Inês        para o Rodrigo I Durante essa tua natação de fera oculta há um papiro que se desdobra na minha boca e nunca o futuro teve o sabor de palavras tão sobejamente pronunciadas família rapaz umbigo palavras com que se poderia redigir tão pouca coisa se não fosse a reinvenção da tua chegada … Continue lendo Vasco Gato – Fera Oculta

Vasco Gato – Eterno Outono

Estou com a idade pousada nas mãos. Explico-me com dedicação aos berços fundos onde cada coisa dorme o seu medo de morrer. Há na tristeza um perigo de terminar: o eterno outono parece belo a quem perdeu todas as sementes. Pergunta-se um nome e ninguém responde. Onde fica essa ilha a que só chegamos por … Continue lendo Vasco Gato – Eterno Outono