Mês: novembro 2016
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Ferreira Gullar – O Universo

O que vi do universo até hoje foi pouco mas, se penso em quanto meço, posso dizer que foi muito. Sei, de ler, que o universo é de tais dimensões que a própria luz só o atravessa depois e bilhões e bilhões de anos, e que nele há multidões de galáxias e sóis que talvez…
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Ferreira Gullar – Infinito Silêncio

houve (há) um enorme silencio anterior ao nascimento das estrelas antes da luz a matéria da matéria de onde tudo vem incessante e onde tudo se apaga eternamente esse silencio grita sob a nossa vida e de ponta a ponta a atravessa estridente.
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Ferreira Gullar – A Propósito do Nada

sou para o outro este corpo esta voz sou o que digo e faço enquanto passo mas para mim só sou se penso que sou enfim se sou a consciência de mim e quando vinda a morte ela se apague serei o que alguém acaso salve do olvido já que para mim (lume apagado) nunca…
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Ferreira Gullar – Os Mortos

os mortos vêem o mundo pelos olhos dos vivos eventualmente ouvem, com nossos ouvidos, certas sinfonias algum bater de portas, ventanias Ausentes de corpo e alma misturam o seu ao nosso riso se de fato quando vivos acharam a mesma graça
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Carlos Drummond de Andrade – Retrato de Família

Este retrato de família Está um tanto empoeirado. Já não se vê no rosto do pai Quanto dinheiro ele ganhou. Nas mãos dos tios não se percebem As viagens que ambos fizeram. A avó ficou lisa, amarela, Sem memórias da monarquia. Os meninos, como estão mudados. O rosto de Pedro é tranquilo, Usou os melhores…
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Ferreira Gullar – Redundâncias

Ter medo da morteé coisa dos vivoso morto está livrede tudo o que é vida Ter apego ao mundoé coisa dos vivospara o morto não há(não houve)raios rios risos E ninguém vive a mortequer morto quer vivomera noção que existesó enquanto existo
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Ferreira Gullar – Visita

no dia de finados ele foi ao cemitério porque era o único lugar do mundo onde podia estar perto do filho mas diante daquele bloco negro de pedra impenetrável entendeu que nunca mais poderia alcançá-lo Então apanhou do chão um pedaço amarrotado de papel escreveu eu te amo filho pôs em cima do mármore sob…
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Ferreira Gullar – A Alegria

O sofrimento não tem nenhum valor. Não acende um halo em volta de tua cabeça, não ilumina trecho algum de tua carne escura (nem mesmo o que iluminaria a lembrança ou a ilusão de uma alegria). Sofres tu, sofre um cachorro ferido, um inseto que o inseticida envenena. Será maior a tua dor que a…

