Mês: julho 2017
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Wislawa Szymborska – As três Palavras mais Estranhas

Quando pronuncio a palavra Futuro, a primeira sílaba já se perde no passado. Quando pronuncio a palavra Silêncio, suprimo-o. Quando pronuncio a palavra Nada, crio algo que não cabe em nenhum não ser. Trad.: Regina Przybycien
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Paulo Henriques Britto – Três Peças Dispépticas

I É aqui mesmo, sim. Você era esperado. E por falar nisso, chegou atrasado. Não peça desculpas: não adianta nada. O atraso será contabilizado. Não há a menor dúvida; é este o endereço. Mas fique sabendo: tudo aqui tem preço. Não esteja à vontade. A casa não é sua. E se não gostar, por ali…
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Wislawa Szymborska – Entre Muitos

Sou quem sou. Inconcebível acaso como todos os acasos Fossem outros os meus antepassados e de outro ninho eu voaria ou de sob outro tronco coberta de escamas eu rastejaria. No guarda-roupa da natureza há trajes de sobra. O traje da aranha, da gaivota, do rato do campo. Cada um cai como uma luva e…
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Paulo Henriques Britto – de “Biographia Literária”

IV Acrescentar ao mundo um morto a mais é só o que a vida garante. O resto é risco, é vai da valsa. Tanto faz improvisar ou decorar o texto, ser pedra ou imitar os animais, correr atrás de lucro ou prejuízo. Dá no que der. E, seja lá o que for, terá sido o…
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Wislawa Szymborska – Fim e Começo

Depois de cada guerraalguém tem que fazer a faxina.Colocar uma certa ordemque afinal não se faz sozinha. Alguém tem que jogar o entulhopara o lado da estradapara que possam passaros carros carregando os corpos. Alguém tem que se atolarno lodo e nas cinzasem molas de sofásem cacos de vidroe em trapos ensanguentados. Alguém tem que…
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Paulo Henriques Britto – de “Cinco Sonetos Frívolos”

V Súbito? Não. A coisa morre à míngua, um risco vira traço e o traço, ponto. Por exemplo: uma manhã de domingo, a mesa posta pro café, tudo pronto pra não se fazer nada – ou então a noite de uma terça-feira inane, sob o quebranto da televisão – mas isso não importa; que se…
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Paulo Henriques Britto – De “Cinco Sonetos Frívolos”

IV Até onde a vista alcança é real todo o visível. Como dançarina e dança formam um todo indistinguível, assim também não há esperança de se atingir algum nível em que uma e outra substância se separem, dando alívio à consciência inquietante de que no próximo instante o erro vai ser dissipado. Não vai. O…
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Wislawa Szymborska – Ocaso do Século

Era para ter sido melhor que os outros o nosso século XX. Agora já não tem mais jeito, os anos estão contados, os passos vacilantes, a respiração curta. Coisas demais aconteceram, que não eram para acontecer, e o que era para ter sido não foi. Era para se chegar à primavera e à felicidade, entre…
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Mario Quintana – O Tempo
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa. Quando se vê, já são seis horas! Quando de vê, já é sexta-feira! Quando se vê, já é natal… Quando se vê, já terminou o ano… Quando se vê perdemos o amor da nossa vida. Quando se vê passaram 50 anos! Agora…
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Ch’ang Wu Chien – Poema Chinês do Século VIII

Praguejei contra a chuva Que tamborilando no telhado Não me deixou dormir. Praguejei contra o vento Que destruía todo o jardim. Mas você chegou de surpresa E agradeci à tempestade Que te fez despir A roupa molhada. Agradeci à ventania Por ter soprado, Apagado a vela. via Carlito Azevedo (https://www.facebook.com/profile.php?id=100007266525928)