Categoria: Ellen Bass
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Amor: 11 poemas sobre corpo, perda e permanência

Uma coletânea comentada de poemas de amor que vão além do romance: corpo, perda, desejo, doença e permanência em grandes vozes da poesia contemporânea.
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Ellen Bass – Indo para a cama em uma noite de dezembro

“Indo para a cama em uma noite de dezembro”, um poema de Ellen Bass em que a intimidade de um gesto cotidiano revela a profundidade do amor e a eternidade dos vínculos, como páginas de uma memória que o tempo não apaga.
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Ellen Bass – A bancada da cozinha

Hoje ouvi uma jovem declamar um poemaem que o marido ergue seu traseiro nusobre a bancada da cozinhae, na próxima linha, abre suas pernas. O casamento tem problemas. Talvez já estejam divorciados.Mas de repente lamento o fato de quenunca ninguém tenha erguido meu traseiro nu sobre uma bancada de cozinha. Nem quando meu traseiro trotava…
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Ellen Bass – Removendo a frente da casa

Estou à mesa da cozinha, tomando chá forte e comendo ovoscom gemas douradas como papoulas de nossas galinhas, Marilyn e Estelle.Há um carro vermelho estacionado do outro lado da rua e as íris deslumbrantes do meu vizinho,suas línguas franjadas saboreando o ar.“A Monsanto está processando Vermont”, digo, folheando o Times.Digo em voz alta porque Janet…
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Ellen Bass – Miniantologia Poética – Sumário

Ellen Bass – Miniantologia Poética Tradução: Nelson Santander SUMÁRIO Ellen Bass – Miniantologia Poética – Apresentação O importante é Se Deus não existe Por qualquer outro nome No ar O panorama geral Portão C22 A dor de deus O canto dos pássaros do meu pátio Se você soubesse Rendição Tingindo o cabelo dela Relaxe Os…
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Ellen Bass – O tempo que ela quiser

No caminho para o cemitério, eu dormi.Não na limusine que levava o caixão da minha mãe,mas apagada em uma van, a família toda falando ao meu redor.Eu estava exausta do sofrimento dela, de seus apelos —me ajuda e chega, chega —e tentando fazer com que a morfina permanecesse na vala de suas gengivas.Como pude não ter estudado…
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Ellen Bass – Durante a pandemia, ouço a gravação de A Love Supreme no Festival Juan-les-Pins, de 26 de julho de 1965

As primeiras notas familiares, reconhecíveis em qualquer lugar, me abençoamnesta manhã selvagem. O sax de Coltrane sobee desce em cada beco, entra e sai das veias e sobre a facedas águas e nos corações de pedra.E quando repete A love supreme de novo e de novo,é como se, se o dissesse o suficiente, ele pudesse…
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Ellen Bass – Foi esta a porta

Não havia belezaquando eu me sentava na cozinha, à mesa, rompendo as cápsulas rosadas, dividindo os grânulospara que ela pudesse ingerir a promessa precisa, onde ela se deitava no quintal envolta em colchastodas as noites olhando por entre os ramos, estrelas salpicadas no venoso céu escuro.Não havia tempo lá fora. Ou o tempo era grande…
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Ellen Bass – Fracasso

Eu parecia uma mulher. Tinha começadoa sangrar, algo que eu queria com fervor,o mesmo fervor com que ardiao beijar Earl Freeman, ao cheirar seu suor de homeme tocar o côncavo em seu esternoquando nos deitamos na areia quente em Atlantic City,o céu claro arqueado sobre nós. Eu estava com tanta pressade crescer, disse minha mãe.…
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Ellen Bass – Matrimônio

Quando, depois de uma grave enfermidade, vocêfinalmente estende todo o comprimento do seu corpo sobre o meu, não é como os estratos da terra, a pressãodo tempo sobre a areia, a lama, fragmentos de conchas, todosesses anos, incontáveis despertares e adormeceres,noites em claro, brigas, manhãs banaisfalando de nada, e os brevesmergulhos ardentes, e o silênciosem…