Categoria: Ellen Bass
Desejo, cuidado e distância em Ellen Bass
Do planeta à pulsação
Primeiro vêm os grandes números. Extinções em massa, eras geológicas, o sol que um dia se consumirá. Em “O panorama geral”, Ellen Bass afasta a vista até que nossas perdas pareçam quase ridículas diante da duração do planeta. Então volta para casa. O filho está com dor de cabeça e pede uma canção. Deitados no sofá, mãe e filho ocupam pouco espaço; no pescoço dele, uma corrente sobe e desce acompanhando a pulsação.
O planeta continua imenso. Perto dele, aquela vida não precisa adquirir tamanho cósmico para importar.
Em “Pleasantville, New Jersey, 1955”, uma menina deitada ao sol descobre o próprio corpo enquanto a pequena cidade gira com ela na borda de uma galáxia. “Os anéis de Saturno” conserva a distância astronômica, o espanto de olhar para tão longe. Já em “Durante a pandemia, ouço a gravação de A Love Supreme no Festival Juan-les-Pins, de 26 de julho de 1965”, as notas de Coltrane atravessam o ouvido, a cidade e o planeta enquanto uma filha permanece febril em outro país.
A gravação dura trinta e dois minutos e quarenta e oito segundos. A febre dura semanas. Por algum tempo, o som passa por esses corpos separados e por um mundo ainda cheio de vento, plantas e canto.
É por esse corpo situado — pequeno e passageiro — que se pode entrar na poesia de Bass. Um corpo que sofre, claro, mas que também deseja, envelhece, se constrange, ri e se deita ao lado de outro.
Ellen Bass é uma poeta norte-americana, e relações familiares e conjugais dão matéria a muitos de seus poemas. Mães, filhas, filhos, esposa e amantes aparecem com idades, hábitos, doenças, discussões, medo e prazer. As relações amorosas entre mulheres estão nessa vida concreta: na cama, na cozinha, nas décadas partilhadas.
No Singularidade Poética, o acervo começou a tomar forma com uma miniantologia publicada em 2022 e recebeu novos poemas nos anos seguintes. A apresentação e o sumário daquela sequência seguem disponíveis como documentos do projeto de tradução:
Apresentação histórica da miniantologia de 2022
Sumário da miniantologia de 2022
Corpo, desejo e vida conjugal
Em “Nudez”, o corpo chega exposto, desejado, talvez embaraçado. Isso basta. “A manhã seguinte” deixa que erotismo e humor avancem juntos, sem pedir desculpas. O prazer não está ali para provar saúde, superação ou qualquer triunfo. É prazer.
Essa liberdade muda o tom dos poemas amorosos de Bass. A intimidade dispensa solenidade. Há roupa, suor, idade, inconveniência, brincadeira e aquilo que amantes de longa data sabem uma da outra sem transformar em declaração. O riso nasce da familiaridade e do constrangimento. Às vezes dos dois.
Um casal toma café da manhã em “Removendo a frente da casa”. As mulheres falam alto de um cômodo para outro; uma delas não colocou os aparelhos auditivos. O jornal traz a notícia de uma corporação processando Vermont, e os morangos do campo carregam sua carga química. De repente, a fachada desaparece. A rua vira plateia para a peça cotidiana de duas mulheres envelhecendo juntas.
Elas mesmas percebem a comicidade. Há remédios para pressão, um pouco de maconha, lembranças de juventude, livros empilhados e aparelhos auditivos que passaram o dia sobre a mesa. Quando os corpos se aproximam, a lua ilumina os quadris. A idade está ali. O desejo também, sem discurso.
Nem todo desejo encontra uma cena assim. Em “A bancada da cozinha”, a falante ouve uma mulher mais jovem ler um poema em que o marido a ergue nua sobre os ladrilhos. A imagem desperta o lamento por algo que nunca lhe aconteceu. Seu corpo envelheceu. Para aquela experiência, é tarde demais.
Não há prêmio escondido nessa admissão. O que não foi vivido tampouco se transforma em gratidão pelo que houve, ou em sabedoria sobre aceitar a idade. O humor permanece junto do lamento, sem abrir uma saída.
Cinco versos bastam a “Indo para a cama em uma noite de dezembro”. Entrar sob o cobertor e dobrar-se no calor da mulher amada faz pensar nas páginas de uma carta escrita trinta anos antes e ainda relida. O gesto é mínimo. Três décadas cabem nele.
“Matrimônio” dá outro peso a essa proximidade. Depois de uma doença grave, o corpo da parceira volta a se estender sobre o da falante. Anos de sono, brigas, manhãs banais, sexo e silêncio adquirem a densidade de sedimentos comprimidos. Casamento já não lembra renda branca ou champanhe. É osso, pele, fome; é o peso que sustenta e o vazio que sua retirada deixaria.
Conhecer cada detalhe de uma pessoa não permite retê-la. O corpo que deseja também limpa, espera, mede uma dose, acompanha um exame. E suas mãos, tão próximas, descobrem até onde alcançam.
Tocar, cuidar, não salvar
Na última semana de vida da mãe, a filha troca suas fraldas, limpa o corpo e passa um lençol sob os quadris. “Rendição” começa com a lembrança de uma mulher rigorosa com a ordem, alguém que talvez quisesse poupar a filha do mau cheiro, da vergonha e do descontrole. Mas a mãe permite que ela faça o trabalho.
Como chamar o que aconteceu ali? Amor, confiança, abandono? Bass não escolhe. A limpeza foi feita, o corpo seguiu em direção à morte. A pergunta fica na beira da cama.
Em “Tingindo o cabelo dela”, a mãe trabalha a tintura até as raízes do cabelo da filha, grata por uma desculpa para tocá-la. É fim de tarde, fim de agosto; os frutos já caíram, e a filha partirá no dia seguinte para uma vida que a mãe considera perigosa. Os dedos estão dentro do cabelo. Entre as duas, alguma coisa continua fora de alcance.
A mãe não pode impedir a partida. O que consegue fazer cabe naquele trabalho minucioso com a tintura, enquanto a filha se prepara para ir embora.
“Retorno para mamografia e ultrassom” começa com uma mama que precisa ser observada por dentro. A imagem médica procura sinais precisos. Junto deles chegam a menina que desejava ter seios, a mulher adulta e a maternidade. A tela registra tecido, medida e indício. Infância, prazer e medo também chegaram ao exame.
Os ratos de “Experimento de empatia” são colocados em caixas. Uma canção toca; um deles recebe um choque. Tempos e respostas foram definidos pela cientista, mas a observadora reconhece algo perturbadoramente familiar no desenho. Ainda assim, há um rato sofrendo dentro de uma caixa antes de qualquer comparação.
Outros cuidados se fazem de espera e escuta. Em “No ar”, canções antigas reabrem a juventude da mãe ao lado de seu declínio. Música, café, bebida, cigarro: os prazeres de antes chegam ao quarto onde ela mal consegue receber uma lasca de gelo. O corpo jovem e o corpo moribundo se encontram na mesma canção.
“O importante é” pronuncia uma adesão difícil à vida quando a dor já tomou garganta, pulmões e carne. Sua voz é forte, mas não responde pela mãe de “Rendição”, nem devolve o tempo de “A bancada da cozinha”, nem cura a filha doente. É uma voz entre outras: a de quem tenta dizer sim quando o corpo quase não comporta o peso.
Chega um momento em que a intimidade familiar deixa de fornecer a medida. Uma doença atravessa uma família; uma pandemia atravessa países. Um massacre não é uma perda doméstica em tamanho maior. Em Ponary, os pinheiros continuam crescendo.
História, violência e outras formas de vida
Alguns desses pinheiros atravessaram mais de um século. Chuva, casca, agulhas e cor ainda podem ser vistos no lugar onde cem mil pessoas foram assassinadas pelos nazistas. “Pinheiros de Ponary” não torna a paisagem feia para reconhecer a violência. A beleza material das árvores continua diante do que ocorreu. É justamente isso que inquieta.
As árvores estão ali; os mortos, também. O poema aproxima o lugar da história familiar da falante, mas mantém uma fronteira. O massacre não cabe numa perda privada.
“Se Deus não existe” espalha a vida pela página: fisiologia vegetal, líquens, lampreias, pítons, aranhas, pássaros, vírus, espécies extintas. Há predação, engenho biológico, beleza e destruição. Sem alguém que veja tudo, o poema pergunta quem acompanhará o crescimento quase imóvel do líquen, quem ouvirá, quem lamentará.
Olhar não devolve uma espécie desaparecida. O líquen, porém, cresce no ritmo de líquen. A aranha enrola a libélula; os pássaros se alimentam. Cada criatura age segundo uma vida que não começou para servir de cenário à nossa.
“Borboleta morta” exige um recuo ainda maior. A borboleta não se oferece imediatamente como retrato da fragilidade de quem a observa. Morta, conserva forma e matéria. O olhar se aproxima e para.
Nos ratos de “Experimento de empatia”, a intervenção humana torna a distância mais incômoda. Há caixas, choques, corpos e respostas antes daquilo que o experimento talvez diga sobre nós.
Durante a pandemia, a filha está doente há semanas, Coltrane atravessa cidades e o planeta segue em atividade. Orquídeas, milho, aves e minhocas não prometem que tudo ficará bem. A gravação sustenta alguns minutos de escuta; a febre segue seu curso.
“O canto dos pássaros do meu pátio” permite uma aproximação menos dramática. Um som vem de fora. Os pássaros cantam no pátio antes de serem qualquer coisa para quem os ouve.
Massacre, pandemia, extinção, experimento e canto pedem palavras distintas. Até os nomes mais comuns, contudo, podem escapar no instante em que fazem falta. Uma espátula continua diante dos olhos. O substantivo sumiu.
Quando um nome não basta
É isso que acontece em “Por qualquer outro nome”. A coisa está ali, reconhecível, mas a palavra não vem. Outra aparece em seu lugar: a mala onde deveria estar o traje de banho, uma vagem no pescoço de alguém. O lapso faz rir por um instante. Depois deixa um espaço em branco.
A falante toca objetos simples — cobertor, sombrinha, sabonete — como se a perda dos nomes anunciasse sua partida. Não sabemos se palavra e coisa se afastaram ou se, naquele momento, desapareceram juntas.
“Fracasso” mexe com outra palavra. O corpo adolescente sangra, deseja crescer, aproxima-se da ideia de mulher que parecia esperá-lo. Vista de volta, essa passagem perdeu a nitidez. Pressa, desejo e expectativa materna alteram o que poderia ter sido apenas um julgamento.
Em “Matrimônio”, a palavra socialmente arrumada encontra doença, peso e pele. “Rendição” termina sem decidir entre três nomes. A frase consoladora de “A bancada da cozinha” recebe uma negativa seca.
Deus entra nessa instabilidade com menos cerimônia. “A dor de deus” e “Ode ao deus dos ateus” mexem na linguagem religiosa por meio de humor e irreverência. Não entregam uma doutrina sobre crença. Deus pode ser chamado para o lamento, para a censura, para uma piada.
Depois disso, procurar um vocabulário puro seria apenas outra forma de arrumação. Há poemas que preferem refazer um caminho, ouvir um som, observar um encontro.
Repetição, escuta e presença
“Ode à repetição” volta ao mesmo percurso. A direção habitual, o corpo que caminha, o trecho conhecido: repetir pode ser apenas repetir, com as pequenas diferenças que cada dia leva para a rua.
Num aeroporto, “Portão C22” acompanha um encontro. Pessoas se aproximam de outras pessoas; os gestos são públicos, vistos por quem passa. A cena cresce enquanto é observada e fica ali.
As canções de “No ar” trazem a mãe jovem para perto da mãe doente. Coltrane ocupa um intervalo exato de uma manhã na pandemia. O canto dos pássaros vem do pátio. Esses sons não fazem o mesmo trabalho: uma música reabre uma vida; outra acompanha a espera; os pássaros cantam fora de qualquer pedido.
Em “O tempo que ela quiser”, a mãe morreu, e a filha não volta ao túmulo. Ainda a vê em cenas precisas: botas curtas, água do mar, embrulhos, moedas contadas na mão dos clientes, café, cigarro, uma perna cruzada sobre a outra. A memória lhe dá esse tempo. No começo do poema, o caixão segue para o cemitério.
Resta o gesto de entrar na cama numa noite de dezembro. Duas mulheres se recolhem sob o cobertor. Trinta anos se dobram naquele calor. Nada precisa ser explicado depois disso.
Percursos de leitura
O que um corpo deseja quando o tempo não volta?
O prazer e a comicidade abrem este percurso; depois vêm a intimidade longa e uma experiência que já não acontecerá. Não há uma ordem de amadurecimento. Cada corpo encontra seu tempo.
- “Nudez”
- “A manhã seguinte”
- “A bancada da cozinha”
- “Removendo a frente da casa”
- “Indo para a cama em uma noite de dezembro”
- “Matrimônio”
Amor: 11 poemas sobre corpo, perda e permanência
Até onde chega o gesto de cuidar?
Limpar, tocar, esperar, acompanhar um exame, ouvir uma canção. Os gestos e as relações mudam; nenhum deles detém a doença ou a morte.
- “Rendição”
- “Tingindo o cabelo dela”
- “Retorno para mamografia e ultrassom”
- “No ar”
- “Durante a pandemia, ouço a gravação de A Love Supreme no Festival Juan-les-Pins, de 26 de julho de 1965”
- “O tempo que ela quiser”
Que tamanho tem uma vida?
Um corpo aparece numa cidade pequena, junto aos anéis de um planeta ou sob a duração de eras geológicas. A distância do olhar muda de um poema para outro, enquanto aquilo que está perto retém seu peso.
- “O panorama geral”
- “Pleasantville, New Jersey, 1955”
- “Os anéis de Saturno”
- “Se Deus não existe”
- “Matrimônio”
- “Durante a pandemia, ouço a gravação de A Love Supreme no Festival Juan-les-Pins, de 26 de julho de 1965”
O que olhar não consegue reparar?
Árvores crescem num lugar de massacre. Uma borboleta morta guarda sua forma; ratos sofrem num experimento; pássaros cantam no pátio. Cada situação pede uma distância diferente.
- “Pinheiros de Ponary”
- “Borboleta morta”
- “Experimento de empatia”
- “O canto dos pássaros do meu pátio”
- “Se Deus não existe”
Quando permanecer não é resolver
Um caminho conhecido, uma música antiga, um encontro, a lembrança de uma mãe sentada com café e cigarro. Aqui a leitura se faz de retornos, sons e gestos que duram.
- “Ode à repetição”
- “Portão C22”
- “O canto dos pássaros do meu pátio”
- “No ar”
- “O tempo que ela quiser”
- “Indo para a cama em uma noite de dezembro”
Ler a miniantologia na ordem original de 2022
O acervo em português atravessa poemas de Mules of Love, The Human Line, Like a Beggar e Indigo, além de textos publicados em periódicos e de três poemas acrescentados à categoria depois da miniantologia de 2022. A distribuição entre os livros é desigual. Em vez de desenhar uma evolução contínua, oferece entradas diferentes para corpos, relações e perguntas que retornam transformados.
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Amor: 11 poemas sobre corpo, perda e permanência

Uma coletânea comentada de poemas de amor que vão além do romance: corpo, perda, desejo, doença e permanência em grandes vozes da poesia contemporânea.
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“Indo para a cama em uma noite de dezembro”, um poema de Ellen Bass em que a intimidade de um gesto cotidiano revela a profundidade do amor e a eternidade dos vínculos, como páginas de uma memória que o tempo não apaga.
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Ellen Bass – A bancada da cozinha

Hoje ouvi uma jovem declamar um poemaem que o marido ergue seu traseiro nusobre a bancada da cozinhae, na próxima linha, abre suas pernas. O casamento tem problemas. Talvez já estejam divorciados.Mas de repente lamento o fato de quenunca ninguém tenha erguido meu traseiro nu sobre uma bancada de cozinha. Nem quando meu traseiro trotava…
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Ellen Bass – Removendo a frente da casa

Estou à mesa da cozinha, tomando chá forte e comendo ovoscom gemas douradas como papoulas de nossas galinhas, Marilyn e Estelle.Há um carro vermelho estacionado do outro lado da rua e as íris deslumbrantes do meu vizinho,suas línguas franjadas saboreando o ar.“A Monsanto está processando Vermont”, digo, folheando o Times.Digo em voz alta porque Janet…
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No caminho para o cemitério, eu dormi.Não na limusine que levava o caixão da minha mãe,mas apagada em uma van, a família toda falando ao meu redor.Eu estava exausta do sofrimento dela, de seus apelos —me ajuda e chega, chega —e tentando fazer com que a morfina permanecesse na vala de suas gengivas.Como pude não ter estudado…
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Ellen Bass – Durante a pandemia, ouço a gravação de A Love Supreme no Festival Juan-les-Pins, de 26 de julho de 1965

As primeiras notas familiares, reconhecíveis em qualquer lugar, me abençoamnesta manhã selvagem. O sax de Coltrane sobee desce em cada beco, entra e sai das veias e sobre a facedas águas e nos corações de pedra.E quando repete A love supreme de novo e de novo,é como se, se o dissesse o suficiente, ele pudesse…
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Não havia belezaquando eu me sentava na cozinha, à mesa, rompendo as cápsulas rosadas, dividindo os grânulospara que ela pudesse ingerir a promessa precisa, onde ela se deitava no quintal envolta em colchastodas as noites olhando por entre os ramos, estrelas salpicadas no venoso céu escuro.Não havia tempo lá fora. Ou o tempo era grande…
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Eu parecia uma mulher. Tinha começadoa sangrar, algo que eu desejara com fervor,com o fervor com que ardiapor beijar Earl Freeman, sentir seu suor de homeme percorrer com os dedos a concavidade de seu peitoquando estávamos deitados na areia quente em Atlantic City,o céu claro arqueado sobre nós. Eu tinha tanta pressade crescer, dizia minha…
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Quando, depois de uma grave enfermidade, vocêfinalmente estende todo o comprimento do seu corpo sobre o meu, não é como os estratos da terra, a pressãodo tempo sobre a areia, a lama, fragmentos de conchas, todosesses anos, incontáveis despertares e adormeceres,noites em claro, brigas, manhãs banaisfalando de nada, e os brevesmergulhos ardentes, e o silênciosem…