Tag: Sophia de Mello Breyner Andresen
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Homenagem a Ricardo Reis

Não creias, Lídia , que nenhum estioPor nós perdido possa regressarOferecemos a florQue adiámos colher. Cada dia te é dado uma só vezE no redondo círculo da noiteNão existe piedadePara aquele que hesita Mais tarde será tarde e já é tardeO tempo apaga tudo menos esseLongo indelével rastoQue o não – vivido deixa. Não creias…
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Traduzido de Kleist

Dizem que no outro mundo o sol é mais brilhanteE brilha sobre campos mais floridosMas os olhos que vêem essas maravilhasSão olhos apodrecidos REPUBLICAÇÃO: poema originalmente publicado na página em 17/02/2016
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Quando

Quando o meu corpo apodrecer e eu for mortaContinuará o jardim, o céu e o mar,E como hoje igualmente hão-de bailarAs quatro estações à minha porta. Outros em Abril passarão no pomarEm que eu tantas vezes passei,Haverá longos poentes sobre o mar,Outros amarão as coisas que eu amei. Será o mesmo brilho a mesma festa,Será…
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Espera

Dei-te a solidão do dia inteiro.Na praia deserta, brincando com a areia,No silêncio que apenas quebrava a maré cheiaA gritar o seu eterno insulto,Longamente esperei que o teu vultoRompesse o nevoeiro. REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 18/12/2018
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Fundo do Mar

No fundo do mar há brancos pavores,Onde as plantas são animaisE os animais são flores. Mundo silencioso que não atingeA agitação das ondas.Abrem-se rindo conchas redondas,Baloiça o cavalo-marinho.Um polvo avançaNo desalinhoDos seus mil braços,Uma flor dança,Sem ruído vibram os espaços. Sobre a areia o tempo poisaLeve como um lenço. Mas por mais bela que seja…
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Meio-dia

Meio-dia. Um canto da praia sem ninguém.O sol no alto, fundo, enorme, aberto,Tornou o céu de todo o deus deserto.A luz cai implacável como um castigo.Não há fantasmas nem alvas,E o mar imenso solitário e antigo,Parece bater palmas. REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 09/08/2017
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Ausência

Num deserto sem águaNuma noite sem luaNum país sem nomeOu numa terra nua Por maior que seja o desesperoNenhuma ausência é mais funda do que a tua. Conheça outros livros de Sophia de Mello Breyner Andresen clicando aqui
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Fundo do mar

No fundo do mar há brancos pavores,Onde as plantas são animaisE os animais são flores. Mundo silencioso que não atingeA agitação das ondas.Abrem-se rindo conchas redondas,Baloiça o cavalo-marinho.Um polvo avançaNo desalinhoDos seus mil braços,Uma flor dança,Sem ruído vibram os espaços. Sobre a areia o tempo poisaLeve como um lenço. Mas por mais bela que seja…
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Sophia de Mello Breyner Andresen – O primeiro homem

Era como uma árvore da terra nascida Confundindo com o ardor da terra a sua vida, E no vasto cantar das marés cheias Continuava o bater das suas veias. Criados à medida dos elementos A alma e os sentimentos Em si não eram tormentos Mas graves, grandes, vagos, Lagos Refletindo o mundo, E o eco…
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Quando

Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta Continuará o jardim, o céu e o mar, E como hoje igualmente hão-de bailar As quatro estações à minha porta. Outros em Abril passarão no pomar Em que eu tantas vezes passei, Haverá longos poentes sobre o mar, Outros amarão as coisas que eu amei. Será…