Tag: Ivan Junqueira
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T. S. Eliot – Quatro Quartetos (Excertos): East Coker

Em meu princípio está meu fim. Uma após outrasAs casas se levantam e tombam, desmoronam, são ampliadas,Removidas, destruídas, restauradas, ou em seu lugarSurgem um campo aberto, uma usina ou um atalho.Velhas pedras para novas construções, velhas lenhas para novas chamas,Velhas chamas em cinzas convertidas, e cinzas sobre a terra semeada,Terra agora feita carne, pele e…
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T. S. Eliot – Quatro Quartetos (Excertos): Burnt Norton

I O tempo presente e o tempo passadoEstão ambos talvez presentes no tempo futuroE o tempo futuro contido no tempo passado.Se todo tempo é eternamente presenteTodo tempo é irredimível.O que poderia ter sido é uma abstraçãoQue permanece,…
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Ivan Junqueira – Morrer

Pois morrer é apenas isto:cerrar os olhos vaziose esquecer o que foi visto; é não supor-se infinito,mas antes fáustico e ambíguo,jogral entre a história e o mito; é despedir-se em surdina,sem epitáfio melífluoou testamento sovina; é talvez como despiro que em vida não vestiae agora é inútil vestir; é nada deixar aqui:memória, pecúlio, estirpe,sequer um…
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Ivan Junqueira – Esse Punhado de Ossos

Esse punhado de ossos que, na areia,alveja e estala à luz do sol a pinomoveu-se outrora, esguio e bailarino,como se move o sangue numa veia. Moveu-se em vão, talvez, porque o destinolhe foi hostil e, astuto, em sua teiabebeu-lhe o vinho e devorou-lhe à ceiao que havia de raro e de mais fino. Foram damas…
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Ivan Junqueira – A Sagração dos Ossos

Considerai estes ossos– tíbios, inúteis, apócrifos –que sob a lápide dormemsem prédica que os conforte. Considerai: é o que sobrade quem lhes serviu de invólucroe agora já não se moveentre as tábuas do sarcófago. Dormem sem túnica ou togae, quando muito, um lençollhes cobre as partes mais nobres(as outras quedam-se à mostra, não dos que…
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Dylan Thomas – Colina de samambaias

“Colina de Samambaias”, um poema de Dylan Thomas que evoca a nostalgia da juventude dourada, quando o tempo parecia uma dádiva infinita e a natureza vibrava em harmonia com a liberdade inocente.
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Ivan Junqueira – Estamos indo embora

“Estamos indo embora”, um poema de Ivan Junqueira que evoca a transição de um ciclo de vida repleto de memórias, música e escrita, rumo a um destino desconhecido e inevitável.
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Ivan Junqueira – A tua data

Alguém só morre em sua data,que é única, ôntica, enfática.Nunca depende de quem vainem de quem fica ao pé da lápide. É quando o corpo, enfim, se acaba,e, se dele a alma se aparta,não cabe a ninguém afirmá-lo,nem se a tinha, em vida, o finado. É quando as lâmpadas se apagame trocam-se então os cenários,as…
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Ivan Junqueira – No Leito Fundo

No leito fundo em que descansas,em meio às larvas e aos livores,longe do mundo e dos terroresque te infundia o aço das lanças; longe dos reis e dos senhoresque te esqueceram nas andanças,longe das taças e das danças,e dos feéricos rumores; longe das cálidas criançasque ateavam fogo aos corredorese se expandiam, quais vapores,entre as alfaias…
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Ivan Junqueira – de “Três Meditações na Corda Lírica”

Only through time time is conquered.T. S. Eliot, Four Quartets, Burnt Norton, 92 I Deixa tombar teu corpo sobre a terrae escuta a voz escura das raízes,do limo primitivo, da limalhafina do que é findo e ainda respira.…