Mês: janeiro 2017
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Ricardo Silvestrin – Sem Título

ruas têm coração de pedra não espere nada do seu amor por elas a não ser cimento, asfalto e uma família nova na casa de um velho conhecido quando menos se espera uma rua muda de sentido
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Paulo Henriques Britto – De “Bonbonnière”

IV Só não dói mais porque não é preciso. Se fosse o caso, a dor era pior. Não há nada nisso de extraordinário: A natureza odeia o desperdício, tal como o vácuo. Sem tirar nem pôr. É exatamente a conta necessária, até que alguma solução se encontre. O que aliás não acontece nunca. E isso…
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Paulo Henriques Britto – De “Bonbonnière”

I A seletividade da memória — a cor exata da pele, a textura, o odor de cada côncavo e orifício, o lábio, a língua, o dente, o plexo solar, a sola do pé, o suor e a saliva, a coxa arisca, a dobra escura, o beijo salobro, o sabor difícil, a carne assombrada, o esperma…
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Paulo Henriques Britto – de “Dez Sonetóides Mancos”

IV Também já estive aí, no não lugar onde você agora não se encontra. Também não me encontrei. Aliás, foi justamente contra a tal necessidade de seguir alguma rota que jurei lutar. Lutei, perdi, e pronto: agora estou aqui, a alguns centímetros do meu próprio umbigo Se tudo correr bem, também a tua derrota vai…
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Paulo Henriques Britto – De “Biographia Literária”

ii Não volta mais, aquele voo cego rumo ao que nunca esteve lá, porém só surge em pleno ar. E não renego a rota tonta que segui. Ninguém se faz em linhas retas. Todo porto a que se chega é a meta desejada. E o caminho tomado, por mais torto, acaba sempre sendo a exata…
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Paulo Henriques Britto – De “Duas Bagatelas”

II Então viver é isso, é essa obrigação de ser feliz a todo custo, mesmo que doa, de amar alguma coisa, qualquer coisa, uma causa, um corpo, o papel em que se escreve, a mão, a caneta até, amar até a negação de amar, mesmo que doa, então viver é só esse compromisso com a…
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Paulo Henriques Britto – Epílogo

Finda a leitura, o livro está completo em sua solidão mais-que-perfeita de couro falso e íntimo papel. Lá fora, o mundo segue, arquitetando as mesmas contingências costumeiras que nunca esbarram numa irrefutável conclusão que se possa resumir em três letras letais, inalienáveis. Que paz será possível nessa selva sem índices, prefácios, rodapés? indaga, da estante…