Herberto Helder – de “Poemas Canhotos”

o António Ramos Rosa estava deitado na cama contra a parede e deu meia volta sobre si mesmo e ficou de cara voltada contra a parede e fechou os olhos e fechou a boca e ficou todo fechado e então morreu todo fundo e completo de uma só vez e apenas ele no tempo e … Continue lendo Herberto Helder – de “Poemas Canhotos”

Herberto Helder – de “Poemas Canhotos”

fico tão feliz quando vejo como os golfinhos são inteligentes tão subis no súbito entendimento das intenções segundas que temos em relação a eles se lhes dessem a ler bons poemas maior proveito teriam aqueles que os escrevem do que tem com A ou B eu cá por mim estou certo de que nenhum golfinho … Continue lendo Herberto Helder – de “Poemas Canhotos”

Herberto Helder – de “Poemas Canhotos”

escrever poemas não é boa maneira de atordoar os tempos do verbo, não é o mesmo que meter a cabeça num buraco abissínio, nem perder algures uma perna e lembrar-me depois de perder ainda a outra: ninguém ganha assim uma barra de ouro, ninguém glorifica o corpo queimando-o com barras de ouro, ninguém transforma assim … Continue lendo Herberto Helder – de “Poemas Canhotos”

Herberto Helder – de “Poemas Canhotos”

em boa verdade houve tempo em que tive uma ou duas artes poéticas, agora não tenho nada: sento-me, abro um caderno, pego numa esferográfica e traço meia dúzia de linhas: as vezes apenas duas ou três linhas; outras, vinte ou trinta: houve momentos em que fui apanhado neste jogo e cheguei a encher umas quantas … Continue lendo Herberto Helder – de “Poemas Canhotos”

Herberto Helder – A Paixão Grega

Li algures que os gregos antigos não escreviam necrológios, quando alguém morria perguntavam apenas: tinha paixão? quando alguém morre também eu quero saber da qualidade da sua paixão: se tinha paixão pelas coisas gerais, água, música, pelo talento de algumas palavras para se moverem no caos, pelo corpo salvo dos seus precipícios com destino à … Continue lendo Herberto Helder – A Paixão Grega