Hilda Hilst : Dez chamamentos ao amigo

I Se te pareço noturna e imperfeita Olha-me de novo. Porque esta noite Olhei-me a mim, como se tu me olhasses. E era como se a água Desejasse Escapar de sua casa que é o rio E deslizando apenas, nem tocar a margem. Te olhei. E há um tempo Entendo que sou terra. Há tanto … Continue lendo Hilda Hilst : Dez chamamentos ao amigo

Hilda Hilst – Obriga-me

E por que haverias de querer minha alma Na tua cama? Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas Obscenas, porque era assim que gostávamos. Mas não menti gozo, prazer, lascívia Nem omiti que a alma está além, buscando Aquele Outro. E te repito: por que haverias De querer minha alma na tua cama? Jubila-te da memória de … Continue lendo Hilda Hilst – Obriga-me

Hilda Hilst – Poemas aos homens do nosso tempo III

homenagem a Natalia Gorbanievskaya Sobre o vosso jazigo — Homem político — Nem compaixão, nem flores. Apenas o escuro grito Dos homens. Sobre os vossos filhos  — Homem político — A desventura Do vosso nome. E enquanto estiverdes À frente da Pátria Sobre nós, a mordaça. E sobre as vossas vidas — Homem político — … Continue lendo Hilda Hilst – Poemas aos homens do nosso tempo III

Hilda Hilst – Roteiro do Silêncio

Não há silêncio bastantePara o meu silêncio.Nas prisões e nos conventosNas igrejas e na noiteNão há silêncio bastantePara o meu silêncio.Os amantes no quarto.Os ratos no muro.A meninaNos longos corredores do colégio.Todos os cães perdidosPelos quais tenho sofrido:O meu silêncio é maiorQue toda solidão.E que todo silêncio.