Rui Pires Cabral – Recomeço

O primeiro cigarro do dia é na varanda quando faz sol: misteriosamente o terraço do vizinho continua a concentrar a tristeza do bairro inteiro. Mal acordado, juntas as linhas que te permitem perceber quem és, onde estás, o que terás de fazer a seguir. E a angústia que te abraça é a memória mais antiga … Continue lendo Rui Pires Cabral – Recomeço

Rui Pires Cabral – Welcome Break

Estações de serviço como ilhas de vidro no mar alto dos campos. O acaso governa as estradas e os viajantes que se cruzam despidos da teia do seu passado. Atravesso há horas um país chuvoso: anoiteceu e não se vê ninguém nas aldeias. Contra o seu escuro mistério, estas casas são reais? Nelas nasceu gente … Continue lendo Rui Pires Cabral – Welcome Break

Rui Pires Cabral – Morada

Nós vivemos na cidade quase sempre perdidos nas nossas pequenas razões. Estas ruas ainda prometem mais do que podem cumprir? A breve epifania do amor ou simplesmente um cúmplice que nos diga, à mesa de um café, que não faz mal, que pouco importam as perdas e danos que sofremos. De qualquer modo o mundo … Continue lendo Rui Pires Cabral – Morada

Rui Pires Cabral – Nunca se Sabe

Papéis velhos com poemas: são o joio das gavetas. Relê-los causa aversão e uma espécie de tristeza arrependida - são tão nossos como as más recordações e ainda vemos a circunstância precisa, a causa, a ferida, por detrás de cada um. Mas na altura havia esperança: é isso que representam. Não pelas coisas que dizem … Continue lendo Rui Pires Cabral – Nunca se Sabe

Rui Pires Cabral – «He loved beauty that looked kind of destroyed»

Gostava dessa espécie de beleza que podemos surpreender a cada passo, desvelada pelo acaso numa esquina de arrabalde; a beleza de uma casa devoluta que foi toda a infância de alguém, com visitas ao domingo e tardes no quintal depois da escola; a beleza crepuscular de alguns rostos num retrato de família a preto e … Continue lendo Rui Pires Cabral – «He loved beauty that looked kind of destroyed»

Rui Pires Cabral – Cartas

Escreves-me cartas, sou o destinatário da tua solidão. E sempre compreendo tudo, mesmo o que não dizes, o que tinge as entrelinhas de um branco desespero que é tanto teu como meu: não tens quem te salve, envelheceste, trataste mal de um jardim que não chegou a vingar. Se nos cruzássemos nas ruas desta cidade … Continue lendo Rui Pires Cabral – Cartas