João Cabral de Melo Neto – A Mesa

O jornal dobrado sobre a mesa simples; a toalha limpa, a louça branca e fresca como o pão. A laranja verde: tua paisagem sempre, teu ar livre, sol tuas praias; clara e fresca como o pão. A faca que aparou teu lápis gasto; teu primeiro livro cuja capa é branca e fresca como o pão. … Continue lendo João Cabral de Melo Neto – A Mesa

Pós-Tudo (Augusto de Campos) e Postudo (Nelson Santander)

Pós-Tudo, poema visual de Augusto de Campos e Postudo, de Nelson Santander, sua paródia atualizada para a pós-pós-modernidade

Carlos Drummond de Andrade – Quero

Quero que todos os dias do ano todos os dias da vida de meia em meia hora de 5 em 5 minutos me digas: Eu te amo. Ouvindo-te dizer: Eu te amo, creio, no momento, que sou amado. No momento anterior e no seguinte, como sabê-lo? Quero que me repitas até a exaustão que me … Continue lendo Carlos Drummond de Andrade – Quero

Guilherme de Almeida – Soneto XXVII

Hoje voltas-me o rosto, se a teu lado passo; e eu baixo os meus olhos se te avisto. E assim fazemos, como se com isto pudéssemos varrer nosso passado. Passo, esquecido de teu olhar — coitado! Vais — coitada! — esquecida de que existo: como se nunca tu me houvesses visto, como se eu sempre … Continue lendo Guilherme de Almeida – Soneto XXVII

Angela Lago – Sem Título

a pedra estará aqui daqui a vinte anos quem sabe mais polida embora não se veja ou mais recortada pelo vento a árvore terá crescido com sua sombra nem o céu permanece azul ou cinza rubro dorado negro no entanto tem essa criança que busca colo – que seja um cão que vem ao teu … Continue lendo Angela Lago – Sem Título

Ana Martins Marques – Sem Título

Porque sua camiseta secou ao sol ela tem a cor do sol porque seus cabelos secaram ao vento seus pensamentos têm a velocidade do vento porque você disse “noite” sua boca terá o gosto do mar noturno porque você não conheceu meu avô você me amará menos porque não te conheci quando criança eu te … Continue lendo Ana Martins Marques – Sem Título

Petrarca – Soneto CXXXIII (“O Amor me Assinalou com sua Seta”)

O amor me assinalou com sua seta, como a neve ao sol, como a cera ao fogo, como névoa ao vento; e já estou rouco, dama, de humilhar-me, feito um pateta. De teus olhos o golpe mortal veio, contra o qual tempo e espaço nada são; Vêm de ti, e vês como diversão, o sol, … Continue lendo Petrarca – Soneto CXXXIII (“O Amor me Assinalou com sua Seta”)

Petrarca – Soneto CCLXXII

A vida foge e não recua um passo E a morte, em grande marcha, vai em frente; As coisas do passado e do presente, Ao futuro reclamam meu espaço. A jornada que nesta vida eu traço Na espera e na lembrança inutilmente, Por pena de mim mesmo descontente Este caminho que ora fiz, desfaço. Se … Continue lendo Petrarca – Soneto CCLXXII