Categoria: Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen: o esplendor do real
Antes da poesia, uma maçã. Sophia de Mello Breyner Andresen contou em Arte Poética III que uma de suas lembranças mais antigas era a de um quarto diante do mar e, sobre a mesa, uma maçã enorme e vermelha. Não havia ali alegoria a decifrar nem um mundo escondido atrás das coisas. Havia o brilho do mar, o vermelho da fruta e uma espécie de evidência: o real, antes de qualquer explicação, apresentava-se inteiro. Anos depois, ela chamaria a poesia de uma “perseguição do real”. Talvez toda a dificuldade esteja no verbo. O real pode aparecer com esplendor, mas não fica à nossa disposição. É preciso persegui-lo porque a percepção falha, a linguagem falsifica, a memória seleciona, o desejo projeta, a história destrói e até a beleza pode esconder aquilo que preferiríamos não ver.
É por isso que a limpidez de Sophia engana apenas quem lê depressa. Poucas poesias parecem oferecer tão imediatamente as coisas: mar, pedra, vento, casa, árvore, jardim, luz, noite, corpo. Os substantivos chegam quase sem névoa. As frases não procuram ocultar sua construção sob uma dificuldade ornamental. Mas clareza verbal não significa um mundo reconciliado. Em “Meio-dia”, a praia está vazia, o céu aberto, o sol no alto e o mar parece bater palmas; nesse cenário de máxima visibilidade, a luz cai “como um castigo” e o céu se encontra deserto de deuses. Em “Fundo do Mar”, conchas riem, um cavalo-marinho baloiça, uma flor dança e o tempo repousa levemente sobre a areia; no fim, porém, descobrimos que cada coisa bela possui um monstro suspenso dentro de si. Nada estava escondido. Era o nosso olhar que ainda não havia suportado ver tudo.
A coisa inteira e a coisa ferida
“Instante” talvez ofereça a imagem mais concentrada do desejo sophiano. A voz pede o ar dos quartos limpo, o branco das paredes liso, e quer permanecer com as coisas “fundadas no silêncio”. Há poucas palavras porque tudo aquilo que pudesse distrair da presença foi retirado. Limpeza, branco, lisura, silêncio: seria fácil chamar isso de culto da pureza. Mas a obra de Sophia não permite que essa palavra permaneça inocente por muito tempo. O poema deseja uma relação sem ruído com as coisas justamente porque o mundo humano produz ruído, máscara, falsificação e desencontro. A pureza não é o lugar em que a poeta habita; é a medida pela qual percebe a divisão.
Por isso “Fundo do Mar” é tão decisivo. Se o belo significasse simplesmente ordem, o último verso destruiria o poema. Acontece o contrário: o monstro torna a beleza mais verdadeira. As formas marinhas continuam delicadas e extraordinárias depois que conhecemos o perigo; apenas deixaram de ser inocentes. A atenção completa precisa acolher as duas coisas. Olhar justamente significa não corrigir o real para que ele corresponda ao que desejamos encontrar.
Também em “Meio-dia” a luz não é moralmente boa apenas porque ilumina. Seu excesso elimina sombras e refúgios. Nenhum fantasma sobrevive ao meio-dia, mas tampouco os deuses; tudo se torna exposto demais. A claridade sophiana é exigente porque não garante consolo. Ver pode significar perder uma ilusão.
Essa tensão ajuda a compreender por que o “esplendor do real” não designa nesta poesia uma celebração fácil do mundo. Esplendor é intensidade de presença. Uma coisa resplandece quando não podemos mais reduzi-la ao uso que fazemos dela, ao símbolo que lhe atribuímos ou à imagem confortável que tínhamos preparado. Às vezes essa presença produz felicidade; outras vezes, terror. O rigor está em não exigir que o segundo resultado desminta o primeiro.
À medida dos elementos
Em “O primeiro homem”, corpo e mundo parecem ainda falar a mesma língua. O homem nasce da terra como árvore; o ritmo das marés continua no bater de suas veias; alma e sentimentos têm a dimensão dos elementos. Não existe oposição entre natureza exterior e interioridade. O corpo não contempla uma ordem situada fora dele: participa dela.
É uma imagem de inteireza que atravessa Sophia como desejo e como medida. Mas o importante é perceber que o poema não descreve simplesmente uma idade histórica perdida à qual fosse possível regressar. O “primeiro homem” serve também para tornar visível a distância em que vivemos dessa coincidência. Nossa experiência é dividida: corpo e consciência, desejo e mundo, palavra e coisa, indivíduo e comunidade já não se encaixam espontaneamente. A poesia não pode restaurar magicamente essa unidade. Pode, porém, impedir que esqueçamos sua falta.
“Reza da Manhã de Maio” torna essa falta íntima. A oração pede a inocência dos animais, a força das coisas naturais e o apagamento da máscara vazia da humanidade. O desejo é dissolver-se na perfeição da manhã, abandonar vaidade e representação até recuperar uma parte de si. Mas o último verso muda a natureza da súplica: essa parte vive à beira de um jardim “que só eu tive”. O retorno à inteireza conduz a uma memória singular e irrecuperável. A origem não está disponível como programa. Existe porque foi perdida.
A mesma oposição ganha força histórica em “Eu me Perdi”. A voz se perde na sordidez de um mundo em que é preciso ser polícia, agiota, fariseu ou cocote; salva-se na limpidez da terra, procura-se no vento e encontra-se no mar. A natureza funciona como medida crítica da sociedade, mas seria empobrecedor ler o poema como simples fuga para um locus amoenus. A terra é “límpida” porque torna insuportavelmente visível a deformação das relações humanas. Voltar-se para o mar não significa esquecer a cidade. Significa descobrir uma escala a partir da qual sua sordidez já não pode parecer normal.
É aqui que a declaração de Sophia sobre a poesia como moral deixa de soar programática. Quem procura uma relação verdadeira com pedra, árvore e rio é levado a procurar uma relação justa com o homem porque se acostumou a perguntar às coisas se aquilo que vê coincide com aquilo que é. A mesma pergunta, aplicada à sociedade, torna a fraude intolerável. Não existe, portanto, uma Sophia contemplativa que mais tarde se transforma em poeta política. Existe uma disciplina de percepção cujas consequências acabam entrando necessariamente na história.
Amar num sítio tão frágil como o mundo
O amor submete essa procura de inteireza a uma de suas provas mais severas. “Terror de te Amar” começa com uma formulação que retira do sentimento qualquer proteção: o terror não é amar a pessoa errada, nem amar pouco, nem não ser correspondido. É amar alguém “num sítio tão frágil como o mundo”. O perigo vem do lugar onde o amor precisa existir. Tudo quebra, emudece, mente e separa. Contra isso, a voz deseja proteger o amado até das estrelas, dos deuses e do vento e promete criar para ele um dia puro, livre e ritmado como o florir das ondas.
A beleza da promessa está em sua impossibilidade. Nenhum amante pode criar um mundo fora do mundo. O dia puro nasce porque existe um lugar de imperfeição; a ordem das ondas é desejada porque tudo pode quebrar. Sophia não ridiculariza esse impulso protetor. Mostra sua grandeza e seu limite ao mesmo tempo. Amar é desejar uma forma íntegra para aquilo que sabemos entregue ao acaso, à separação e ao tempo.
Em “Espera”, a falta se distribui pela paisagem. Maré, praia, areia e nevoeiro não constituem cenário para uma emoção que poderia existir em qualquer outro lugar. A ausência reorganiza o espaço. O vulto esperado transforma cada elemento em medida da demora. A natureza, que em “Eu me Perdi” oferecia reencontro, aqui não salva ninguém: prolonga a espera.
Em “Ausência”, o mecanismo chega ao extremo. O desaparecimento do outro parece contaminar as formas disponíveis do mundo. Nenhuma paisagem consegue substituí-lo; cada imagem mede aquilo que falta e, ao tentar nomear o vazio, demonstra sua incapacidade de preenchê-lo. O poema faz da linguagem uma procura condenada a não alcançar o que procura. Mas continua procurando.
“Quando” inverte a situação. Agora é a voz que imagina a própria ausência. Quando seu corpo apodrecer, jardim, céu e mar continuarão; abril voltará ao pomar, outros amarão as coisas que ela amou, haverá os mesmos poentes e a mesma festa. Não existe revolta contra a indiferença do mundo. O poema contempla algo mais difícil: a beleza que amamos não recebeu de nós a obrigação de morrer conosco.
Há uma austeridade admirável nesse reconhecimento. O jardim permanecerá belo sem sua testemunha. O fato poderia diminuir a importância da vida humana; Sophia o transforma numa medida de nossa relação com o real. Amar uma coisa verdadeiramente é aceitar, em algum ponto, que sua existência não coincide com nossa posse. A permanência do jardim não consola a morte, mas impede que o amor se confunda inteiramente com apropriação.
Os deuses ausentes ainda presidem
A Grécia de Sophia também costuma ser simplificada pela imagem da claridade mediterrânica: ilhas, templos, colunas, estátuas, mar azul, medida. Em “Homenagem a Ricardo Reis”, porém, a medida já contém sua crise. O poema começa dentro da disciplina horaciana do heterônimo: cada dia é dado uma única vez, nenhum verão perdido regressará, Kronos caminha sempre à frente de nossos passos. A forma de vida desejada seria um terraço lúcido, exato e branco, diante da luz.
Mas o poema não permanece nesse equilíbrio. “Ausentes são os deuses mas presidem”: a frase define uma relação inteira com a tradição. O mundo antigo não pode ser recuperado, porém continua oferecendo uma medida. Seu olhar ensina o nosso olhar, e nossa atenção ao mundo é o culto que os deuses pedem. O sagrado já não depende de uma aparição sobrenatural. A solenidade pode surgir quando as coisas se tornam subitamente exatas.
Então Neera entra no terraço. A distância contemplativa falha. Eros solta as feras. A dança, o corpo e a desmesura irrompem dentro da arquitetura da contenção. O poema não precisa escolher entre Ricardo Reis e Eros, entre medida e excesso. Sua força nasce quando a construção lúcida se descobre atravessada por aquilo que não consegue disciplinar. A clareza clássica de Sophia nunca é simples serenidade; conhece a violência que ameaça toda forma.
Essa Grécia perde definitivamente qualquer possibilidade de funcionar como refúgio em “Não te esqueças nunca”. A primeira metade do poema reúne Thasos e Egina, pinhal e coluna, templo e teatro, mel, pedra, resina, estátua e nudez marinha. É talvez uma das concentrações mais puras do imaginário helênico de Sophia. Em seguida, sem transição conciliadora, surgem Treblinka e Hiroshima.
O imperativo é o mesmo: não esquecer.
Essa igualdade gramatical é moralmente decisiva. Não se pode escolher uma memória bela e descartar a outra porque ela destrói a harmonia do quadro. A coluna e o campo de extermínio pertencem à história humana que nos cabe lembrar. A poesia não honra a beleza tornando-a imune ao horror. Honra-a recusando-se a transformá-la em álibi.
É nesse ponto que “esplendor do real” adquire toda a sua dificuldade. O esplendor não absolve. Quem viu a coluna sob o sol precisa também reconhecer aquilo que os homens fizeram à luz do mesmo mundo.
O dia inteiro e a página amarrotada
“25 de Abril” parece, por quatro versos, realizar o antigo desejo de coincidência. A madrugada esperada finalmente chega. O dia é “inicial inteiro e limpo”; depois da noite e do silêncio, os homens emergem livres e voltam a habitar a substância do tempo. Não é apenas uma mudança de regime descrita politicamente. É uma restituição sensorial. A liberdade permite habitar novamente o dia.
As palavras importam porque pertencem desde sempre ao vocabulário de Sophia: inteiro, limpo, noite, silêncio, tempo. O acontecimento histórico entra numa estrutura poética anterior e demonstra que inteireza e limpidez nunca foram apenas qualidades de praias ou paredes brancas. A libertação política pode ser sentida como restauração da relação com o próprio real.
Seria tentador terminar aí. Mas “Os Erros” existe justamente para impedir que o “dia inicial” se transforme retrospectivamente em mito inocente. Confusão, fraude, opacidade e erros produziram um projeto falhado. O grito não atravessou o opaco. O poema pergunta então se tudo deverá ser jogado fora como papel amarrotado ou se ainda será possível enfrentar e superar, recomeçando da página em branco “como escrita de poema obstinado”.
A aproximação entre política e poesia não poderia ser mais precisa. Escrever não fornece um modelo mágico de reconstrução coletiva. A página em branco não apaga a folha anterior nem transforma fracasso em inocência. O que oferece é outra possibilidade de trabalho: reconhecer o erro, não falsificá-lo e insistir numa forma que ainda não existe.
Por isso a poesia política de Sophia não constitui uma exceção ao restante da obra. “Os Erros” pergunta à história aquilo que “Fundo do Mar” perguntava à beleza: você consegue mostrar também aquilo que ameaça sua própria imagem? “25 de Abril” pergunta à liberdade aquilo que “Instante” perguntava às coisas: é possível existir sem máscara, opacidade e fraude? A exigência permanece a mesma; apenas mudou de escala.
O esplendor que não nos pertence
Existe ainda outra ameaça à clareza sophiana: imaginar que ver bem seria compreender tudo. “Escuto” recusa isso desde o primeiro verso. A voz escuta, mas não sabe se ouve silêncio ou Deus, o ressoar do vazio ou uma consciência que, dos confins do universo, a observa e decifra. Nada no poema decide a questão. A dúvida não é etapa provisória rumo a uma resposta religiosa. Permanece intacta até o fim.
O extraordinário é o que acontece depois. Mesmo sem saber quem — ou se alguém — está do outro lado da escuta, a voz passa a caminhar como quem é olhado, amado e conhecido e, por isso, coloca em cada gesto solenidade e risco. A incerteza metafísica produz uma consequência ética. Não é preciso possuir a resposta para modificar a maneira de estar no mundo.
Talvez nenhuma passagem seja mais importante para compreender a relação de Sophia com transcendência. O invisível não substitui o real visível. Não existe licença para desprezar a pedra, o corpo ou a história em nome de uma realidade superior. Se Deus existe, a consequência não é escapar do mundo, mas aumentar a responsabilidade de cada gesto dentro dele.
Essa perspectiva torna especialmente corrosivo “Traduzido de Kleist”. Dizem que no outro mundo o sol será mais brilhante e os campos mais floridos. A promessa parece oferecer compensação perfeita à mortalidade até o golpe final: os olhos que verão tais maravilhas serão olhos apodrecidos. Em quatro versos, a esperança de transcendência é devolvida ao corpo. O além pode ser magnífico; a morte continua sendo morte.
Não há contradição necessária entre esse pequeno poema e “Escuto”. Ambos recusam uma espiritualidade que compre o consolo ao preço da realidade. O sagrado sophiano, quando aparece, não elimina risco, matéria, dúvida ou decomposição.
Também por isso O Cristo Cigano ocupa um lugar perturbador nessa poética. A procura da forma perfeita alcança ali uma perversão extrema: a arte deseja conhecer a agonia e transforma um corpo vivo em instrumento dessa descoberta. A beleza da obra passa a carregar a violência que a tornou possível. O olhar artístico, levado até o crime, demonstra que a atenção por si só não basta. É preciso que exista também uma relação justa com aquilo que se olha.
Voltamos então à maçã. O vermelho sobre a mesa, o mar diante do quarto, a felicidade inteira de uma presença que não precisava representar outra coisa. A poesia de Sophia nunca deixa de desejar essa proximidade, mas passa uma vida inteira descobrindo tudo o que a torna difícil. Entre nós e a coisa surgem memória, desejo, morte, história, linguagem, poder, esquecimento. O poema não remove esses obstáculos para recuperar artificialmente uma infância do olhar. Obriga-se a atravessá-los.
Por isso “Instante” pede as coisas fundadas no silêncio, mas “Não te esqueças nunca” exige que esse silêncio não apague os mortos. “O primeiro homem” sonha um corpo à medida dos elementos, mas “Terror de te Amar” sabe que habitamos um lugar de imperfeição. “25 de Abril” encontra um dia inteiro e limpo, e “Os Erros” precisa perguntar o que fazer quando a transparência se perde outra vez. “Meio-dia” abre o céu ao máximo e encontra o deserto; “Fundo do Mar” desce à beleza e encontra o monstro.
Não são contradições a corrigir. São a própria fidelidade ao real.
O esplendor, em Sophia de Mello Breyner Andresen, não é uma luz que torna tudo belo. É a intensidade com que uma coisa, finalmente vista, deixa de aceitar nossas simplificações. A pedra continua pedra. O mar pode salvar e ameaçar. O jardim sobreviverá a quem o amou. Os deuses podem estar ausentes e ainda presidir. A revolução pode ser um dia inicial sem garantir que não haverá erros. A beleza pode conviver com o monstro. E uma palavra só será justa se conseguir permanecer diante dessas duas faces sem apagar nenhuma delas.
Talvez seja essa a verdadeira perseguição do real: não chegar enfim a um mundo puro, mas aprender a não falsificar este.
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Eu me Perdi

“Eu me Perdi”, um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen que contrapõe a sordidez moral do mundo humano à pureza da natureza, encontrando no vento, na terra e sobretudo no mar uma forma de redenção e reencontro consigo mesma.
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Homenagem a Ricardo Reis

Não creias, Lídia , que nenhum estioPor nós perdido possa regressarOferecemos a florQue adiámos colher. Cada dia te é dado uma só vezE no redondo círculo da noiteNão existe piedadePara aquele que hesita Mais tarde será tarde e já é tardeO tempo apaga tudo menos esseLongo indelével rastoQue o não – vivido deixa. Não creias…
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Traduzido de Kleist

Dizem que no outro mundo o sol é mais brilhanteE brilha sobre campos mais floridosMas os olhos que vêem essas maravilhasSão olhos apodrecidos REPUBLICAÇÃO: poema originalmente publicado na página em 17/02/2016
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Quando

Quando o meu corpo apodrecer e eu for mortaContinuará o jardim, o céu e o mar,E como hoje igualmente hão-de bailarAs quatro estações à minha porta. Outros em Abril passarão no pomarEm que eu tantas vezes passei,Haverá longos poentes sobre o mar,Outros amarão as coisas que eu amei. Será o mesmo brilho a mesma festa,Será…
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Espera

Dei-te a solidão do dia inteiro.Na praia deserta, brincando com a areia,No silêncio que apenas quebrava a maré cheiaA gritar o seu eterno insulto,Longamente esperei que o teu vultoRompesse o nevoeiro. REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 18/12/2018
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Fundo do Mar

No fundo do mar há brancos pavores,Onde as plantas são animaisE os animais são flores. Mundo silencioso que não atingeA agitação das ondas.Abrem-se rindo conchas redondas,Baloiça o cavalo-marinho.Um polvo avançaNo desalinhoDos seus mil braços,Uma flor dança,Sem ruído vibram os espaços. Sobre a areia o tempo poisaLeve como um lenço. Mas por mais bela que seja…
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Meio-dia

Meio-dia. Um canto da praia sem ninguém.O sol no alto, fundo, enorme, aberto,Tornou o céu de todo o deus deserto.A luz cai implacável como um castigo.Não há fantasmas nem alvas,E o mar imenso solitário e antigo,Parece bater palmas. REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 09/08/2017
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Ausência

Num deserto sem águaNuma noite sem luaNum país sem nomeOu numa terra nua Por maior que seja o desesperoNenhuma ausência é mais funda do que a tua. Conheça outros livros de Sophia de Mello Breyner Andresen clicando aqui
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Homenagem a Ricardo Reis

Republicação: “Homenagem a Ricardo Reis”, um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Fundo do mar

No fundo do mar há brancos pavores,Onde as plantas são animaisE os animais são flores. Mundo silencioso que não atingeA agitação das ondas.Abrem-se rindo conchas redondas,Baloiça o cavalo-marinho.Um polvo avançaNo desalinhoDos seus mil braços,Uma flor dança,Sem ruído vibram os espaços. Sobre a areia o tempo poisaLeve como um lenço. Mas por mais bela que seja…