Konstantinos Kaváfis – O Prazo de Nero

Não ficou perturbado Nero quando ouviu do Oráculo de Delfos o prenúncio: “Teme ao ano septuagésimo terceiro.” Tinha tempo bastante a desfrutar. Só contava trinta anos. Muito dilatado era o prazo que o Deus lhe concedia para cuidar-se dos riscos do futuro. Agora vai voltar a Roma um tanto fatigado da magnífica fadiga que se … Continue lendo Konstantinos Kaváfis – O Prazo de Nero

Ana Martins Marques – Há estes dias em que pressentimos na casa…

Há estes dias em que pressentimos na casa a ruína da casa e no corpo a morte do corpo e no amor o fim do amor estes dias em que tomar o ônibus é no entanto perdê-lo e chegar a tempo é já chegar demasiado tarde não são coisas que se expliquem apenas são dias … Continue lendo Ana Martins Marques – Há estes dias em que pressentimos na casa…

Marco Aurélio – Reflexões, 14

Ainda que os anos de tua vida sejam três mil ou dez vezes três mil, lembra-te de que ninguém perde outra vida senão a que vive agora, nem vive outra senão a que perde. O prazo mais longo e o mais breve são, portanto, iguais. O presente é de todos; morrer  é perder o presente, … Continue lendo Marco Aurélio – Reflexões, 14

Manuel Bandeira – Soneto Inglês n. 2

Aceitar o castigo imerecido, Não por fraqueza, mas por altivez. No tormento mais fundo o teu gemido Trocar um grito de ódio a quem o fez. As delicias da carne e pensamento Com que o instinto da espécie nos engana Sobpor ao gênero sentimento De uma afeição mais simplesmente humana. Não tremer de esperança nem … Continue lendo Manuel Bandeira – Soneto Inglês n. 2

Moshé Ibn Ezra – São Túmulos de Tempos Antigos, Velhos

São túmulos de tempos antigos, velhos. Neles há gente que dorme um sono eterno. Nem ódio, nem inveja há no seu interior, nem amor, nem zangas de vizinhos. Os meus pensamentos não podem, quando os veem, distinguir entre servos e senhores. Versão de Francisco José Viegas, tradução do hebraico de Maria José Cano. Peguei aqui:http://antoniocicero.blogspot.com.br/2015/08/moshe-ibn-ezra-sao-tumulos-de-tempos.html

Ferreira Gullar – Nova Concepção da Morte

Como ia morrer, foi-lhe dado o aviso na carne, como sempre ocorre aos seres vivos; um aviso, um sinal, que não lhe veio de fora, mas do fundo do corpo, onde a morte mora, ou, dizendo melhor, onde ela circula como a eletricidade ou o medo, na medula dos ossos e em cada enzima, que … Continue lendo Ferreira Gullar – Nova Concepção da Morte

Ferreira Gullar – Filhos

A meu filho Marcos Daqui escutei quando eles chegaram rindo e correndo entraram na sala e logo invadiram também o escritório (onde eu trabalhava) num alvoroço e rindo e correndo se foram com sua alegria se foram Só então me perguntei por que não lhes dera maior atenção se há tantos e tantos anos não … Continue lendo Ferreira Gullar – Filhos