Maya Angelou – Uma verdade corajosa e surpreendente

Nós, este povo, em um pequeno e solitário planetaViajando através do espaço acidentalPassando por estrelas distantes, cruzando o caminho de indiferentes sóisPara um destino onde todos os sinais nos advertem queÉ possível e imperativo que aprendamosUma verdade corajosa e surpreendente E quando chegarmos a isso, Ao dia da pacificaçãoQuando libertarmos nossos dedosDos punhos da hostilidadeE … Continue lendo Maya Angelou – Uma verdade corajosa e surpreendente

Eavan Boland – O barógrafo

Encontrei-o no cais,um retângulo de madeira,um barógrafo, a pena de sua haste rabiscando o papel. Eu o trouxe para casa para serum registro dos ventos,da pressão crescente, apto a escrever a sina barométricado nosso cotidianoem um mundo onde carrinhos de livros levados pelo vento junto ao rioprometiam palavras selvagensmas obedeciam ao censor. Os Bancos em … Continue lendo Eavan Boland – O barógrafo

Anna Belle Kaufman – Frio conforto

Quando minha mãe morreu,um dos seus bolos de mel permaneceu no freezer.Eu não poderia suportar o seu desaparecimento,então, abandonado, ele esperou em sua caverna de gelo atrás das bandejas de metal por mais dois anos. No meu quadragésimo primeiro aniversário,retirei-o de lá,uma ressurreição retangular,e sopesei o fardo morto na palma da mão. Antes que ele … Continue lendo Anna Belle Kaufman – Frio conforto

Stephen Dunn – Felicidade

Felicidade Um estado em que não se deve ousar entrar com a esperança de lá permanecer, areia movediça nos pântanos, e todos os caminhos que conduzem a um castelo que não existe. Mas lá está ele, como prometido, com sua ponte perfeita sobre os crocodilos, e suas portas perpetuamente abertas. Trad.: Nelson Santander Happiness A … Continue lendo Stephen Dunn – Felicidade

Ana Martins Marques – A porta de saída

"Eu vou morrer, masisso é tudo o que farei pela Morte"Edna St. Vincent Millay, Objeção de consciência "Alô, iniludível" Manuel Bandeira, Consoada A porta de saída Mas não serei eua colocar-lhe a mesa– quando chegarencontrará a casa como sempreem desordemcheia de livros e discoscom plantas e gatos ao sole os papéis em órbitaem torno da camae … Continue lendo Ana Martins Marques – A porta de saída

David Mourão-Ferreira – E por vezes

E por vezes as noites duram meses E por vezes os meses oceanos E por vezes os braços que apertamos nunca mais são os mesmos. E por vezes encontramos de nós em poucos meses o que a noite nos fez em muitos anos E por vezes fingimos que lembramos E por vezes lembramos que por … Continue lendo David Mourão-Ferreira – E por vezes

José Miguel Silva – Desculpas não faltam

Uma casa junto ao Vouga,rio de água suficiente,onde apenas se mergulhaaté à cintura, a pequena hortade Virgílio, o amor robustecidopor nenhuma esperançae tantos livros para ler- que desculpa vou agora darpara não ser feliz?

Wendell Berry – O desejo de ser generoso

Tudo o que eu sirvo, morrerá, todos os meus deleites,a carne acesa de minha carne, jardim e campo,os lírios silenciosos que se encontram na floresta, as florestas, a colina, a terra toda, tudoarderá na maldade humana, ou encolherána própria velhice. Que o mundo me proporcioneo sono das trevas sem estrelas, para que eu possa conhecerminha … Continue lendo Wendell Berry – O desejo de ser generoso

Robyn Sarah – Rebitados

É possível que as coisas não fiquem melhoresdo que estão agora, ou como imaginamos que estejam.É possível que já tenhamos ultrapassado o meio agora.É possível que tenhamos cruzado as Grandes Águassem sabe-lo, e que agora estejamos do outro lado. Sim, acho que já as atravessamos. Agora estamos recebendo ingressos, e eles não são ingressos para … Continue lendo Robyn Sarah – Rebitados