Konstantinos Kaváfis – Um velho

No meio do café ruidoso, sem ninguém, por companhia, está sentado um velho. Tem à frente um jornal e se inclina sobre a mesa. Imerso na velhice aviltada e sombria, pensa quão pouco desfrutou as alegrias dos anos de vigor, eloqüência, beleza. Sabe que envelheceu bastante. Vê, conhece. No entanto, o seu tempo de moço … Continue lendo Konstantinos Kaváfis – Um velho

Konstantinos Kaváfis – Vozes

Vozes queridas, vozes ideais daqueles que morreram ou daqueles que estão perdidos para nós, como se mortos. Eles nos falam em sonho, algumas vezes; outras vezes, em pensamento as escutamos. E, quando soam, por um instante eis que retornam os sons da poesia primeva em nossa vida, qual música distante que se perde noite afora. … Continue lendo Konstantinos Kaváfis – Vozes

Konstantinos Kaváfis – Lembra, corpo…

Lembra, corpo, não só o quanto foste amado, não só os leitos onde repousaste, mas também os desejos que brilharam por ti em outros olhos, claramente, e que tornaram a voz trêmula - e que algum obstáculo casual fez malograr. Agora que isso tudo perdeu-se no passado, é quase como se a tais desejos te … Continue lendo Konstantinos Kaváfis – Lembra, corpo…

Konstantinos Kaváfis – Velas

Os dias futuros se erguem diante de nós como uma fileira de velas acesas – douradas, vivazes, cálidas velas. Os dias do passado ficaram tão para trás, fúnebre fileira consumida onde as mais próximas ainda fumam, velas frias, retorcidas e desfeitas. Não quero vê-las; seu aspecto me aflige, me aflige recordar sua luz primeira. Vejo … Continue lendo Konstantinos Kaváfis – Velas

Konstantinos Kaváfis – Coisas Ocultas

De tudo quanto fiz e quanto disse, não procurem saber quem eu era. Um obstáculo havia e transformou os meus atos e o meu modo de viver. Um obstáculo havia e me deteve cada vez em que eu ia falar. Os mais despercebidos dos meus atos, e, de meus escritos, os mais dissimulados – só … Continue lendo Konstantinos Kaváfis – Coisas Ocultas

Konstantinos Kaváfis – Desejos (em 3 traduções)

DESEJOS - Trad. José Paulo Paes Belos corpos de mortos que nunca envelheceram, com lágrimas sepultos em mausoléus brilhantes, jasmim nos pés, cabeça circundada de rosas – assim são os desejos que um dia feneceram sem chegar a cumprir-se, sem conhecerem antes o prazer de uma noite ou a manhã luminosa.   DESEJOS - Trad. … Continue lendo Konstantinos Kaváfis – Desejos (em 3 traduções)

Konstantinos Kaváfis – À Espera dos Bárbaros

O que esperamos na ágora reunidos? É que os bárbaros chegam hoje. Por que tanta apatia no senado? Os senadores não legislam mais? É que os bárbaros chegam hoje. Que leis hão de fazer os senadores? Os bárbaros que chegam as farão. Por que o imperador se ergueu tão cedo e de coroa solene se … Continue lendo Konstantinos Kaváfis – À Espera dos Bárbaros

Konstantinos Kaváfis – O Prazo de Nero

Não ficou perturbado Nero quando ouviu do Oráculo de Delfos o prenúncio: “Teme ao ano septuagésimo terceiro.” Tinha tempo bastante a desfrutar. Só contava trinta anos. Muito dilatado era o prazo que o Deus lhe concedia para cuidar-se dos riscos do futuro. Agora vai voltar a Roma um tanto fatigado da magnífica fadiga que se … Continue lendo Konstantinos Kaváfis – O Prazo de Nero

Konstantinos Kaváfis – Ítaca (em três traduções)

ÍTACA (Trad. José Paulo Paes) Se partires um dia rumo a Ítaca, faz votos de que o caminho seja longo, repleto de aventuras, repleto de saber. Nem Lestrigões nem os Ciclopes nem o colérico Posídon te intimidem; eles no teu caminho jamais encontrarás se altivo for teu pensamento, se sutil emoção teu corpo e teu … Continue lendo Konstantinos Kaváfis – Ítaca (em três traduções)