Manuel Bandeira – Renúncia

Chora de manso e no íntimo... Procura Curtir sem queixa o mal que te crucia: O mundo é sem piedade e até riria Da tua inconsolável amargura. Só a dor enobrece e é grande e é pura. Aprende a amá-la que a amarás um dia. Então ela será tua alegria, E será, ela só, tua … Continue lendo Manuel Bandeira – Renúncia

Manuel Bandeira – O Último Poema

Assim eu quereria meu último poema Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

Manuel Bandeira – Versos de Natal

Espelho, amigo verdadeiro, Tu refletes as minhas rugas, Os meus cabelos brancos, Os meus olhos míopes e cansados. Espelho, amigo verdadeiro, Mestre do realismo exato e minucioso, Obrigado, obrigado! Mas se fosses mágico, Penetrarias até o fundo desse homem triste, Descobririas o menino que sustenta esse homem, O menino que não quer morrer, Que não … Continue lendo Manuel Bandeira – Versos de Natal

Manuel Bandeira – Soneto Inglês n. 2

Aceitar o castigo imerecido, Não por fraqueza, mas por altivez. No tormento mais fundo o teu gemido Trocar um grito de ódio a quem o fez. As delicias da carne e pensamento Com que o instinto da espécie nos engana Sobpor ao gênero sentimento De uma afeição mais simplesmente humana. Não tremer de esperança nem … Continue lendo Manuel Bandeira – Soneto Inglês n. 2

Manuel Bandeira – O Rio

Ser como o rio que deflui Silencioso dentro da noite. Não temer as trevas da noite. Se há estrelas nos céus, refleti-las. E se os céus se pejam de nuvens, Como o rio as nuvens são água, Refleti-las também sem mágoa Nas profundidades tranquilas.

Manuel Bandeira – Profundamente

Quando ontem adormeci Na noite de São João Havia alegria e rumor Estrondos de bombas luzes de Bengala Vozes, cantigas e risos Ao pé das fogueiras acesas. No meio da noite despertei Não ouvi mais vozes nem risos Apenas balões Passavam errantes Silenciosamente Apenas de vez em quando O ruído de um bonde Cortava o … Continue lendo Manuel Bandeira – Profundamente

Manuel Bandeira – Poema Só Para Jaime Ovalle

Quando hoje acordei, ainda fazia escuro (Embora a manhã já estivesse avançada). Chovia. Chovia uma triste chuva de resignação Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite. Então me levantei, Bebi o café que eu mesmo preparei, Depois me deitei novamente, acendi um cigarro e fiquei pensando… - Humildemente pensando na vida e nas … Continue lendo Manuel Bandeira – Poema Só Para Jaime Ovalle