Rainer Maria Rilke – Elegias de Duíno – Décima Elegia

Que um dia, ao emergir da terrível intuição, ascenda meu canto de júbilo e glória até os Anjos aprovadores! Que nenhum claro golpe dos malhos do coração desentoe sobre cordas frouxas, vacilantes ou desgarradas! Que meu rosto se ilumine sob o pranto! Que a obscura lágrima floresça! Oh, como então vos amaria, noites de aflição! … Continue lendo Rainer Maria Rilke – Elegias de Duíno – Décima Elegia

Rainer Maria Rilke – Elegias de Duíno – Nona Elegia

Por que, sendo possível o prazo da existência levar como o loureiro, de um verde mais sombrio que todos os outros verdes, com leves ondulações no contorno das folhas (como um sorriso do vento) – por que então, escravos do humano, anelar pelo destino fugindo ao destino?…             Oh, não porque a felicidade exista, essa prematura … Continue lendo Rainer Maria Rilke – Elegias de Duíno – Nona Elegia

Rainer Maria Rilke – Elegias de Duíno – Oitava Elegia

Oitava elegia           dedicada a Rudolf Kassner Com todos os seus olhos, a criatura vê o Aberto. Nosso olhar, porém, foi revertido e como armadilha se oculta em torno do livre caminho. O que está além, pressentimos apenas na expressão do animal; pois desde a infância desviamos o olhar para trás e o espaço livre perdemos, … Continue lendo Rainer Maria Rilke – Elegias de Duíno – Oitava Elegia

Rainer Maria Rilke – Elegias de Duíno – Sétima Elegia

Não, não mais buscar: que seja esta, voz da madurez, a essência do teu grito. Gritaste, em verdade, com a pureza do pássaro, quando erguido pela estação que ascende, quase esquece que é um ser desamparado, coração solitário lançado às alturas, na intimidade do céu. Como ele, buscavas a amiga invisível que te pressentisse, a … Continue lendo Rainer Maria Rilke – Elegias de Duíno – Sétima Elegia

Rainer Maria Rilke – Elegias de Duíno – Sexta Elegia

Figueira, há muito que te vejo esquecer quase inteiramente a floração, precipitando no fruto prematuro, incompreendido, teu puro segredo. Como o canal de uma fonte teus ramos sinuosos impelem para a luz a seiva adormecida, abandonando-a, ainda sonolenta ao seu doce destino: como o deus em cisne transformado.             Nós porém que nos detemos, gloriosos de … Continue lendo Rainer Maria Rilke – Elegias de Duíno – Sexta Elegia

Rainer Maria Rilke – Elegias de Duíno – Quinta Elegia

Quinta elegia                dedicada a Frau Hertha von Kœnig Mas quem são eles, dizei-me, os saltimbancos, um pouco mais efêmeros que nós mesmos, desde a infância por alguém torcidos – por amor de que vontade jamais saciada? Entretanto ela os torce, curva-os, entretece-os, vibra-os, atira-os e os toma de volta! Do ar untado e mais liso, … Continue lendo Rainer Maria Rilke – Elegias de Duíno – Quinta Elegia

Rainer Maria Rilke – Elegias de Duíno – Quarta Elegia

Ó árvores da vida, quando atingireis o inverno? Ignoramos a unidade. Não somos lúcidos como as aves migradoras. Precipitados ou vagarosos nos impomos repentinamente aos ventos e tornamos a cair num lago indiferente. Conhecemos igualmente o florescer e o murchar. No entanto, em alguma parte, vagueiam leões ainda, alheios ao desamparo enquanto vivem seu esplendor. … Continue lendo Rainer Maria Rilke – Elegias de Duíno – Quarta Elegia

Rainer Maria Rilke – Elegias de Duíno – Terceira Elegia

Uma coisa é cantar a amada. Outra, ai de mim, é cantar o culpado e oculto Deus-Rio do sangue. Aquele que a amada reconhece de longe, seu amante, que sabe ele do Senhor da Volúpia que tantas vezes o assaltava em plena solidão, antes que a mulher amada o abrandasse, como se nem mesmo ela … Continue lendo Rainer Maria Rilke – Elegias de Duíno – Terceira Elegia

Rainer Maria Rilke – Elegias de Duíno – Segunda Elegia

Todo Anjo é terrível. No entanto, ai de mim, eu vos invoco, pássaros quase mortais da alma, sabendo quem sois. Tempos remotos de Tobias, em que o mais radiante dentre vós aparecia no limiar da casa humilde, sem intimidar, para a viagem levemente disfarçado (jovem que outro jovem, curioso, contemplava). Adiantasse agora o Arcanjo, ameaça … Continue lendo Rainer Maria Rilke – Elegias de Duíno – Segunda Elegia

Rainer Maria Rilke – Elegias de Duíno – Primeira Elegia

Quem, se eu gritasse, entre as legiões dos Anjos me ouviria? E mesmo que um deles me tomasse inesperadamente em seu coração, aniquilar-me-ia sua existência demasiado forte. Pois que é o Belo senão o grau do Terrível que ainda suportamos e que admiramos porque, impassível, desdenha destruir-nos? Todo Anjo é terrível. E eu me contenho, … Continue lendo Rainer Maria Rilke – Elegias de Duíno – Primeira Elegia