Rainer Maria Rilke – Elegias de Duíno – Quinta Elegia

Quinta elegia                dedicada a Frau Hertha von Kœnig Mas quem são eles, dizei-me, os saltimbancos, um pouco mais efêmeros que nós mesmos, desde a infância por alguém torcidos – por amor de que vontade jamais saciada? Entretanto ela os torce, curva-os, entretece-os, vibra-os, atira-os e os toma de volta! Do ar untado e mais liso, … Continue lendo Rainer Maria Rilke – Elegias de Duíno – Quinta Elegia

Rainer Maria Rilke – Elegias de Duíno – Quarta Elegia

Ó árvores da vida, quando atingireis o inverno? Ignoramos a unidade. Não somos lúcidos como as aves migradoras. Precipitados ou vagarosos nos impomos repentinamente aos ventos e tornamos a cair num lago indiferente. Conhecemos igualmente o florescer e o murchar. No entanto, em alguma parte, vagueiam leões ainda, alheios ao desamparo enquanto vivem seu esplendor. … Continue lendo Rainer Maria Rilke – Elegias de Duíno – Quarta Elegia

Rainer Maria Rilke – Elegias de Duíno – Terceira Elegia

Uma coisa é cantar a amada. Outra, ai de mim, é cantar o culpado e oculto Deus-Rio do sangue. Aquele que a amada reconhece de longe, seu amante, que sabe ele do Senhor da Volúpia que tantas vezes o assaltava em plena solidão, antes que a mulher amada o abrandasse, como se nem mesmo ela … Continue lendo Rainer Maria Rilke – Elegias de Duíno – Terceira Elegia

Rainer Maria Rilke – Elegias de Duíno – Segunda Elegia

Todo Anjo é terrível. No entanto, ai de mim, eu vos invoco, pássaros quase mortais da alma, sabendo quem sois. Tempos remotos de Tobias, em que o mais radiante dentre vós aparecia no limiar da casa humilde, sem intimidar, para a viagem levemente disfarçado (jovem que outro jovem, curioso, contemplava). Adiantasse agora o Arcanjo, ameaça … Continue lendo Rainer Maria Rilke – Elegias de Duíno – Segunda Elegia

Rainer Maria Rilke – Elegias de Duíno – Primeira Elegia

Quem, se eu gritasse, entre as legiões dos Anjos me ouviria? E mesmo que um deles me tomasse inesperadamente em seu coração, aniquilar-me-ia sua existência demasiado forte. Pois que é o Belo senão o grau do Terrível que ainda suportamos e que admiramos porque, impassível, desdenha destruir-nos? Todo Anjo é terrível. E eu me contenho, … Continue lendo Rainer Maria Rilke – Elegias de Duíno – Primeira Elegia

Federico Garcia Lorca – Pranto por Ignacio Sánchez Mejías

1. A captura e a morte Às cinco da tarde. Eram as cinco em ponto dessa tarde Um menino trouxe o lençol branco às cinco da tarde. Uma alcofa de cal já prevenida às cinco da tarde. O mais era só morte e apenas morte às cinco da tarde. O vento arrebatou os algodões às … Continue lendo Federico Garcia Lorca – Pranto por Ignacio Sánchez Mejías

John Ashbery – Medo da morte

Que há comigo agora, é assim que eu fiquei? Não há estado livre dos limites do antes e depois? Hoje a janela está aberta e o ar jorra para dentro com notas de piano nas suas saias, como a dizer, “Olha, John, eu trouxe isso e aquilo” – ou seja, alguns Beethovens, uns Brahms, umas … Continue lendo John Ashbery – Medo da morte

Álvaro de Campos – Tabacaria

Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo. Janelas do meu quarto, Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é (E se soubessem quem é, o que saberiam?), Dais para o mistério de uma rua … Continue lendo Álvaro de Campos – Tabacaria

Horácio – Ode 1/11

Não busques (é tabu!) saber que fim, Leucónoe, os deuses nos reservam. Põe de lado o horoscopo da babilônia e aceita: o que há de ser, será, quer nos dê Jove mais invernos, quer só este que em rochas quebra o mar Tirreno. Vive, bebe teu vinho e talha, ao curto prazo, anseios longos. Enquanto … Continue lendo Horácio – Ode 1/11

Attila József – Dói demais

A morte atenta de dentro e fora te afugenta (ratinho oculto com receio) e, enquanto arderes, vais procurar junto às mulheres refúgio em braço, joelho e seio. Mais que o calor do colo afável, mais que o ardor, precisar muito é que te apressa; assim, quem quer que possa abraça uma mulher até que a … Continue lendo Attila József – Dói demais