Antonio Cicero – Prólogo

Por onde começar? Pelo começo absoluto, pelo rio Oceano, já que ele é, segundo o poeta cego em cujo canto a terra e o céu escampo e o que é e será e não é mais e longe e perto se abrem para mim, pai das coisas divinas e mortais, seu líquido princípio, fluxo e … Continue lendo Antonio Cicero – Prólogo

Antonio Cicero – Cidade

Para Arthur Nestrovsky Lembro que o futuro era uma cidade nebulosa da qual eu esperava tudo e que, sendo uma cidade, nada esperava de ninguém. Ah, cidade sonhada de avenidas macadâmicas, turbas febris e prédios de granito: o que era que eu perdera e que, perdido e em cacos, buscava nas tuas áridas calçadas e … Continue lendo Antonio Cicero – Cidade

Antonio Cicero – Virgem

https://www.youtube.com/watch?v=oeuX_506Co8 Música: Marina Lima As coisas não precisam de você: Quem disse que eu tinha que precisar? As luzes brilham no Vidigal E não precisam de você; Os Dois Irmãos Também não. O Hotel Marina quando acende Não é por nós dois Nem lembra o nosso amor. Os inocentes do Leblon, Esses nem sabem de … Continue lendo Antonio Cicero – Virgem

Adriana Calcanhotto e Antonio Cicero – Inverno

https://youtu.be/y4P79__1w5E   No dia em que fui mais feliz Eu vi um avião Se espelhar no seu olhar até sumir De lá pra cá não sei Caminho ao longo do canal Faço longas cartas pra ninguém E o inverno no Leblon é quase glacial Há algo que jamais se esclareceu: Onde foi exatamente que larguei … Continue lendo Adriana Calcanhotto e Antonio Cicero – Inverno

Antonio Cicero – Nihil

nada sustenta no nada esta terra nada este ser que sou eu nada a beleza que o dia descerra nada a que a noite acendeu nada esse sol que ilumina enquanto erra pelas estradas do breu nada o poema que breve se encerra e que do nada nasceu

Antonio Cícero – O Fim da Vida

Conheci da humana lida a sorte: o único fim da vida é a morte e não há, depois da morte, mais nada. Eis o que torna esta vida sagrada: ela é tudo e o resto, nada.

Antonio Cicero – Huis Clos

Da vida não se sai pela porta: só pela janela. Não se sai bem da vida como não se sai bem de paixões jogatinas drogas. E é porque sabemos disso e não por temer viver depois da morte em plagas de Dante Goya ou Bosh (essas, doce príncipe, cá estão) que tão raramente nos matamos … Continue lendo Antonio Cicero – Huis Clos

Antonio Cicero – História

A história, que vem a ser? mera lembrança esgarçada algo entre ser e não-ser: noite névoa nuvem nada. Entre as palavras que a gravam e os desacertos dos homens tudo o que há no mundo some: Babilônia Tebas Acra. Que o mais impecável verso breve afunda feito o resto (embora mais lentamente que o bronze, … Continue lendo Antonio Cicero – História