Tag: Ana Martins Marques
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Ana Martins Marques – Há estes dias em que pressentimos na casa…

Há estes dias em que pressentimos na casaa ruína da casae no corpoa morte do corpoe no amoro fim do amorestes diasem que tomar o ônibus é no entanto perdê-loe chegar a tempo é já chegar demasiado tardenão são coisas que se expliquemapenas são dias em que de repente sabemoso que sempre soubemos e todos…
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Ana Martins Marques – Caçada

E o que é o amorsenão a pressada presaem prender-se? A pressada presaemperder-se REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 07/11/2018
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Ana Martins Marques – de “Três Postais”

São Paulo Depois de um tempotodas as coisas ficam marcadascomo se estivessemimpregnadas de veneno Há um tempo em que os lugaressão limpos e novosabertos como clareirasmas já não é este o tempo Sobre cada lugar se sobrepõea experiência do lugarcomo um selonum cartão postal Por exemplohoje sempre que sobrevooSão Paulopenso que em algum apartamentodesta cidade…
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Ana Martins Marques – História

Tenho 39 anos.Meus dentes têm cerca de 7 anos a menos.Meus seios têm cerca de 12 anos a menos.Bem mais recentes são meus cabelose minhas unhas.Pela manhã como um pão.Ele tem uma história de 2 dias.Ao sair do meu apartamento,que tem cerca de 40 anos,vestindo uma calça jeans de 40 anose uma camiseta de não…
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Ana Martins Marques – Batata Quente

Se eu te entregasse agora o meu amoraceso como ele está,como ele está, pesado,você o trocaria rapidamente de mão,você o guardaria um pouco na esquerda,um pouco na direita,por quanto tempo antes de o passar adiante? Republicação: poema publicado no blog originalmente em 23/10/2017
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Ana Martins Marques – Penélope (I)

O que o dia tece,a noite esquece. O que o dia traça,a noite esgarça. De dia, tramas,de noite, traças. De dia, sedas,de noite, perdas. De dia, malhas,de noite, falhas. REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 24/10/2017
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Ana Martins Marques – Interiores

AÇUCAREIRO De amargobastao amor Agridoce,ela disse Mas a mimpareceuamargo CADEIRA I Repetesdiariamenteos gestosdo primeiro homemque se sentounuma tarde quenteolhando as savanas II Pousode gigantescos pássaroscansados FRUTEIRA Quem se lembrou de pôr sobre a mesaessas doces evidênciasda morte? CRISTALEIRA Guardae revelaa nudezbrancada louçao incêndiodespareadodos cristais TALHERES Colher Se o sol nelabatesseem cheiopor exemplonuma mesa postano jardimimediatamente…
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Ana Martins Marques – Relâmpagos

O pensamento é um pornógrafo e quase só de palavras se faz o amor e no entanto não se embaraça o pensamento com os cabelos como os meus cabelos se embaraçavam nos seus e não se misturam as palavras com as palavras como na boca a saliva se mistura com a saliva nem as…
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Ana Martins Marques – A porta de saída

“Eu vou morrer, masisso é tudo o que farei pela Morte”Edna St. Vincent Millay, Objeção de consciência “Alô, iniludível” Manuel Bandeira, Consoada A porta de saída Mas não serei eua colocar-lhe a mesa– quando chegarencontrará a casa como sempreem desordemcheia de livros e discoscom plantas e gatos ao sole os papéis em órbitaem torno da camae…
