Louise Glück – Vésperas (7)

Eu sei o que você planejou, o que pretendia fazer quando me ensinou a amar o mundo, tornando impossível afastar-me completamente, fechar-me completamente outra vez - está em toda parte; quando eu fecho meus olhos, o canto dos pássaros, o aroma de lilás do início da primavera, o aroma de verão das rosas: você quer … Continue lendo Louise Glück – Vésperas (7)

Louise Glück – Luz em retirada

Vocês eram como crianças pequenas, sempre esperando por uma estória. E eu já havia passado por isso muitas vezes; eu estava cansado de contar estórias. Então eu dei a vocês papel e lápis. Dei-lhes canetas feitas de juncos que eu mesmo havia reunido, à tarde, nos densos prados. E lhes disse, escrevam sua própria história. … Continue lendo Louise Glück – Luz em retirada

Louise Glück – Presque Isle

Em cada vida, há um momento ou dois. Em cada vida, um quarto em algum lugar, à beira-mar ou nas montanhas. Sobre a mesa, um prato de damascos. Caroços em um cinzeiro branco. Como todas as imagens, essas eram as condições de um pacto: em seu rosto, tremor da luz do sol, meu dedo pressionando … Continue lendo Louise Glück – Presque Isle

Louise Glück – Ipomoea

Qual foi o meu crime na outra vida, assim como nesta vida meu crime é a dor, de modo que não me é permitido ascender novamente, nunca em nenhum sentido me é permitido repetir minha vida, ferida no espinheiro, toda beleza terrena um castigo tão meu quanto seu — Fonte do meu sofrimento, por que … Continue lendo Louise Glück – Ipomoea

Louise Glück – A rosa branca

É isto a terra? Então eu não pertenço a este lugar. Quem é você na janela acesa, sombreado agora pelas trêmulas folhas de uma viburnum lantana? Você pode sobreviver onde eu não durarei além do primeiro verão? Durante toda noite, os ramos finos da árvore se movimentam e farfalham na janela iluminada. Explique minha vida … Continue lendo Louise Glück – A rosa branca

Louise Glück – Safra

Entristece-me pensar em vocês no passado — Olhe para vocês, agarrando-se cegamente à terra como se fossem os vinhedos do paraíso enquanto as campinas ardem em chamas à sua volta — Ah, pequeninos, quão pouco sutis vocês são: isso é ao mesmo tempo um dom e um tormento. Se o que vocês temem na morte … Continue lendo Louise Glück – Safra

Louise Glück – Trevas primitivas

Como vocês podem dizer que a terra deveria me dar prazer? Cada coisa nascida é meu fardo; eu não posso ter êxito com todos vocês. E vocês gostariam de mandar em mim, vocês gostariam de dizer-me quem dentre todos é mais valioso, quem mais se parece comigo. E se apresentam como um exemplo de vida … Continue lendo Louise Glück – Trevas primitivas

Louise Glück – Vésperas (6)

Você pensou que nós não soubéssemos. Mas nós sabíamos, as crianças sabem essas coisas. Não nos dê as costas agora -      nós habitávamos uma mentira para apaziguá-lo. Eu me lembro da luz do sol do início da primavera, os taludes reticulados por vincas roxas. Eu me lembro de me deitar em um campo, roçando o … Continue lendo Louise Glück – Vésperas (6)

Louise Glück – Vésperas (5)

Assim como você apareceu para Moisés, porque eu preciso de você, você aparece para mim, raramente, porém. Eu vivo essencialmente nas trevas. Você talvez esteja me treinando para ser mais responsivo ao menor brilho. Ou, como os poetas, será você estimulado pelo desespero, o sofrimento o leva a revelar sua natureza? Esta tarde, no mundo … Continue lendo Louise Glück – Vésperas (5)

Louise Glück – Vésperas (4)

Eu não pergunto mais onde você está. Você está no jardim; você está onde John está, no terreiro, absorto, segurando sua espátula verde. É assim que ele jardina: quinze minutos de intenso esforço, quinze minutos de estática contemplação. Às vezes eu trabalho ao lado dele, em tarefas de apoio, capinando, esfolhando as alfaces; às vezes … Continue lendo Louise Glück – Vésperas (4)