Miguel Torga – Rogo

Não, não rezes por mim. Nenhum deus me perdoa a humanidade. Vim sem vontade E vou desesperado. Mas assinei a vida que vivi. Doeu-me o que sofri. Fui sempre o senhorio do meu fado. Por isso, quero a morte que mereço. A morte natural, Solitária e maldita De quem não acredita Em nenhuma oração De … Continue lendo Miguel Torga – Rogo

Miguel Torga – Princípio

Não tenho deuses. Vivo Desamparado. Sonhei deuses outrora, Mas acordei. Agora Os acúleos são versos, E tacteiam apenas A ilusão de um suporte. Mas a inércia da morte, O descanso da vide na ramada A contar primaveras uma a uma, Também não me diz nada. A paz possível é não ter nenhuma.

Miguel Torga – Agenda

Folheio a vida Num calendário velho. Dias riscados, como contas pagas. Domingos de repouso, Segundas de trabalho Sábados de cansaço, Sem nenhum sentido. No abismo do nada, O nada, apenas. Quem sofreu nestas páginas vazias, Tão frias, Tão serenas?