Maria do Rosário Pedreira – Onde quer que o encontres

Onde quer que o encontres - escrito, rasgado ou desenhado: na areia, no papel, na casca de uma árvore, na pele de um muro, no ar que atravessar de repente a tua voz, na terra apodrecida sobre o meu corpo - é teu, para sempre, o meu nome.

Maria do Rosário Pedreira – À avó

Ficou vazio o teu lugar à mesa. Alguém veio dizer-nos que não regressarias, que ninguém regressa de tão longe. E, desde então, as nossas feridas têm a espessura do teu silêncio, as visitas são desejadas apenas a outras mesas. Sob a tua cadeira, o tapete continua engelhado, como à tua ida. Provavelmente ficará assim para … Continue lendo Maria do Rosário Pedreira – À avó

Maria do Rosário Pedreira – Ondas

Dei-te o meu corpo como quem estende um mapa antes de viagem, para que nele descobrisses ilhas e paraísos e aí pousasses os dedos devagar, como fazem as aves quando encontram o verão. Se me tivesses tocado, ter-me-ia desmanchado nos teus braços como uma escarpa pronta a desabar, ou uma cidade do litoral a definhar … Continue lendo Maria do Rosário Pedreira – Ondas

Maria do Rosário Pedreira – O Último Abraço

Este foi o nosso último abraço. E quando, daqui a nada, deixares o chão desta casa encostarei amorosamente os lábios ao teu copo para sentir o sabor desse beijo que hoje não daremos. E então, sim, poderei também eu partir, sabendo que, afinal, o que tive da vida foi mais, muito mais, do que mereci.