Manuel António Pina – KM 82

I'm on the highway to hell a 170 à hora no CD, ou então o rádio para sempre sintonizado na final da Taça. Nunca saberás o resultado, Faéton, hey, mumma, look at me, I'm on may way to the promised land e está visto que uma ligação directa não chega para pôr em marcha uma … Continue lendo Manuel António Pina – KM 82

The White Buffalo – This Year

Acho que toda mensagem de "Feliz Ano Novo" se resume à ideia contida na letra desta música: tente melhorar sempre e sempre. Se não der, tente de novo no ano que vem. E no outro. E no outro. Uma hora dá certo. Ou não. Feliz 2019! The White Buffalo – This Year (Tradução e Legendas: … Continue lendo The White Buffalo – This Year

Joan Margarit – Canção de Ninar

Dorme, Joana. E que este Loverman obscuro e trágico do sax de teu irmão em Montjuïc possa acompanhar-te toda a eternidade pelos caminhos que são bem conhecidos pela música. Dorme, Joana, dorme. E de preferência não esqueças de teus anos no ninho que dentro de nós tu deixaste. Enquanto envelhecemos, conservaremos todas as cores que … Continue lendo Joan Margarit – Canção de Ninar

José Mateos – Canção 10

Canção 10 (Ruínas de Bolonha) Aqui, defronte ao mar, disse o sol do entardecer: Morrer é começar a revir. Trad.: Nelson Santander José Mateos - Canción 10 (Ruinas de Bolonia) Aquí, frente al mar, lo dice el sol del atardecer: Morir es empezar a volver.

Inês Dias – Um estranho no meu túmulo

Chegamos tarde a nós. Eu tinha a pele gasta, o coração no fio. Tu eras um longo muro de cimento areado em que deixava a carne inteira a caminho do encontro. A primavera ficava-nos sempre à esquerda e tu cada vez mais dentro de mim até não sentir nada, até estares já do outro lado. … Continue lendo Inês Dias – Um estranho no meu túmulo

Carlos Drummond de Andrade – Procura

Procurar sem notícia, nos lugares onde nunca passou; inquirir, gente não, porém textura, chamar à fala muros de nascença, os que não são nem sabem, elementos de uma composição estrangulada. Não renunciar, entre possíveis, feitos de cimento do impossível, e ao sol-menino opor a antiga busca, e de tal modo revolver a morte que ela … Continue lendo Carlos Drummond de Andrade – Procura

Táxis Varvitsiótis – Assim também a morte

          À memória de Andréa Karandonis Asa ou marfim É tudo espesso Como o ferro e a madeira Como a proa inquebrável De um navio Rumo ao infinito Assim também a morte Espessa impenetrável Como galeria de mina Muro indestrutível Poço sem fundo Carvão aceso Para alcançar-lhe o duro cerne Tons de rasgar O pano entretecidos … Continue lendo Táxis Varvitsiótis – Assim também a morte

Nuno Júdice – Natal

Deito-me à sombra da árvore sem sombra - a árvore cujas raízes nascem da infância - e é natal, e nunca mais chega a meia-noite dessa noite sem fim. Rezo pelas mais obscuras incertezas, pelas almas que hesitam nas encruzilhadas, pelos vagabundos que esperam a meia-noite para se sentarem à porta da igreja, na única … Continue lendo Nuno Júdice – Natal

Joan Margarit – Cemitério de Montjuïc

Algo permanece das almas, como a brisa que surge depois que alguém passou, e que faz estremecer uma leve cortina na janela. Pelo caminho de pedras ásperas que não esquecem mas calam, severas, o que sabem, o vento deixa um silêncio de lágrimas por vidas como as nossas, perdidas. "Jazigo perpétuo", a terra sempre dura, … Continue lendo Joan Margarit – Cemitério de Montjuïc

Amalia Bautista – Noite de São João

Que queimaremos esta noite, quantas velhas feridas daremos nós às chamas, de que nos livraremos para não o recordar nem sequer dos piores pesadelos diurnos? Que lançaremos nós ao fogo ou em que fogueiras limparemos a vida para nos renovarmos, para o tempo que reste, para o que consigamos roubar a tantas mortes? Chega a … Continue lendo Amalia Bautista – Noite de São João