Categoria: Donizete Galvão
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Donizete Galvão – Peso

Peso Lixe a pedra.Lime a pedra.Rale a pedra.Role a pedra.Cada noitelá estará ela:pedra.Dura,áspera,intacta,pesandono peito.
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Donizete Galvão – Solitude

Juntos, em solitude. Cada qual com sua chaga. Cada qual com sua cruz. Dois corpos ardentes tão próximos, separados pela geografia que a mágoa desenha. Entre os braços, interpõem-se desertos, salinas e dunas. O amor morreu? Não. Condenou-se. Soterrou-se em veios de duro e negro minério. Duas árvores cujas raízes trançaram-se rumo ao fundo. Que…
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Donizete Galvão – Ruminações

Nunca saí dessa roceira Minasque nos dá aflição e dor como herança.Lamaçal de bosta de vacano curral bem em frente da casa.Cheiro de leite azedo nos latõese de óleo queimado para expulsar bernes.Jardins de dália e corações magoados,chás de consolda e escaldados de quirera.A avó socando o arroz no pilão,preparando decoada para o sabãoou com…
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Donizete Galvão – Não sabe

O amor que não sabe morrerpersiste no olhar do cãoabandonado que,ao menor gesto,abana o rabona espera do afago.Está no vaso de plantaesquecido no sobradosem moradores. O amor que não sabe morrernão pretende tocar o céu.Quer ficar aqui mesmo –pedestre, incauto e reles.Não ouve a ladainha dos mortos.Nem quer a extrema-unção.