John Ashbery – Medo da morte

Que há comigo agora, é assim que eu fiquei? Não há estado livre dos limites do antes e depois? Hoje a janela está aberta e o ar jorra para dentro com notas de piano nas suas saias, como a dizer, “Olha, John, eu trouxe isso e aquilo” – ou seja, alguns Beethovens, uns Brahms, umas … Continue lendo John Ashbery – Medo da morte

Horácio – Ode 1/11

Não busques (é tabu!) saber que fim, Leucónoe, os deuses nos reservam. Põe de lado o horoscopo da babilônia e aceita: o que há de ser, será, quer nos dê Jove mais invernos, quer só este que em rochas quebra o mar Tirreno. Vive, bebe teu vinho e talha, ao curto prazo, anseios longos. Enquanto … Continue lendo Horácio – Ode 1/11

Attila József – Dói demais

A morte atenta de dentro e fora te afugenta (ratinho oculto com receio) e, enquanto arderes, vais procurar junto às mulheres refúgio em braço, joelho e seio. Mais que o calor do colo afável, mais que o ardor, precisar muito é que te apressa; assim, quem quer que possa abraça uma mulher até que a … Continue lendo Attila József – Dói demais

Basil Bunting – O que o diretor disse a Tom

Poesia? É um hobby O meu são trens elétricos. O sr. Shaw ali cria pombos. Não é trabalho. Você não sua a camisa. Ninguém paga. Tente anunciar sabão. Ópera é que é arte; ou o teatro. A Canção do Deserto. Nancy era do coro. Mas pedir doze libras por semana - casado, não? - isso … Continue lendo Basil Bunting – O que o diretor disse a Tom

Nelson Ascher – Saudade

Posto que nem é de bom-tom falar sobre a tristeza insossa cujo vaivém, quando se apossa de mim, me embala como o som sem fim das ondas do Leblon, dispondo-me a curtir a fossa a sós, pus na vitrola a bossa nova de João, Vinícius, Tom, menos pra ouvir o que ela tem, porque talvez … Continue lendo Nelson Ascher – Saudade

William Butler Yeats – Um aviador irlandês prevê a morte

Encontrarei meu fim no meio das nuvens de algum céu sobejo; os que combato, eu não odeio, também não amo os que protejo; Kiltartan Cross é meu país, seus pobres são a minha gente, nada a fará mais infeliz do que já era, ou mais contente. Não é por lei ou por dever, turba ou … Continue lendo William Butler Yeats – Um aviador irlandês prevê a morte

Paul Verlaine – Chanson D’Automne (em seis traduções)

Canção do Outono (Trad.: Alphonsus de Guimaraens) Os soluços graves Dos violinos suaves Do outono Ferem a minh'alma Num langor de calma E sono. Sufocado, em ânsia, Ai! quando à distância Soa a hora, Meu peito magoado Relembra o passado E chora. Daqui, dali, pelo Vento em atropelo Seguido, Vou de porta em porta, Como … Continue lendo Paul Verlaine – Chanson D’Automne (em seis traduções)

Giuseppe Ungaretti – Vigília

Cima Quatro, 23 de Dezembro de 1915 Toda uma noite em claro caído ao lado de um companheiro massacrado com sua boca arreganhada exposta à lua cheia com o hematoma de suas mãos cravado em meu silêncio escrevi cartas cheias de amor Não tinha nunca estado tão aferrado à vida Trad.: Nelson Ascher

William Butler Yeats – “No Second Troy” em duas traduções (+ revisão do poema)

"No Second Troy", de William Butler Yeats, em duas traduções: por Augusto de Campos e Nelson Ascher. Bônus: uma revisão do poema

W. H. Auden – Funeral Blues

BLUES FÚNEBRE Que parem os relógios, cale o telefone, jogue-se ao cão um osso e que não ladre mais, que emudeça o piano e que o tambor sancione a vinda do caixão com seu cortejo atrás. Que os aviões, gemendo acima em alvoroço, escrevam contra o céu o anúncio: ele morreu. Que as pombas guardem … Continue lendo W. H. Auden – Funeral Blues