Miguel D’Ors – Variações sobre um tema de Stevens

Não é o canto do melro:é o silêncioque nos deixa, um silêncioque é algo diferente do silêncioporque nele ainda soaa memória do cantodo melro. Nem silêncio,nem canto: o que ocorrequando o cantoterminae ainda não começou o silêncio.Podes chamar-lhe de alma. Trad.: Nelson Santander Variaciones sobre un tema de Stevens No es el canto del mirlo:es … Continue lendo Miguel D’Ors – Variações sobre um tema de Stevens

Seamus Heaney – [Como todo mundo]

Como todo mundo, inclinei minha cabeçadurante a consagração do pão e do vinho,elevei meus olhos para a hóstia e para o cálice levantados,acreditei (seja lá o que isso signifique) que uma mudança ocorrera. Fui ao genuflexório e recebi o mistérioem minha língua, voltei para o meu lugar, fechei meus olhos depressa,fiz um ato de ação … Continue lendo Seamus Heaney – [Como todo mundo]

Pattiann Rogers – Perspectiva de alcance

Lá em cima, longe desta estrada,Longe das partículas de geadaQue revestem a casca de cada gravanço,E do rijo inseto arqueiro em seu avançoNa escuridão da manhã, pata farpada por pata farpada,Subindo pela haste do trillium,Diretamente ao longo do céu sobre esta estrada agora,As galáxias do aglomerado de Cygnus AEstão colidindo umas com as outras em … Continue lendo Pattiann Rogers – Perspectiva de alcance

Wendy Cope – Para minha irmã, emigrando

Você deixou comigoas coisas que não podia levarou que não conseguia doar – ...livros, discos e uma lata de biscoitosque Nanna deu para você. É velha e sujae a tampa não encaixa.Inerte em um canto do meu quarto,totalmente inútil, é tão comoventequanto um brinquedo que já foi amado. Sim, estou sentimental –mas se você tivesse ficado,teríamos … Continue lendo Wendy Cope – Para minha irmã, emigrando

Stephen Dunn – O não dito

Uma noite, ambos precisaram de coisas diferentesdo mesmo tipo; ela, de consolo; ele, ser consolado.Assim, depois de um jantar regado a vinho,quando eles chegaram em casa separadosno mesmo carro, cada um já havia falhado como outro com o que pareciaum insuportável atraso do que sentiam lhes ser devido.Consolo significava para ela ser compreendidatão bem que … Continue lendo Stephen Dunn – O não dito

Pádraig Ó Tuama – Como [não] ser sozinho

Como não ser sozinho Tudo começa com a compreensãode que nada dura para sempre.Por isso, é melhor você começar a fazer as malas agora.Mas, nesse meio tempo,pratique estar vivo. Haverá uma festaem que você sentiráque ninguém está prestando atenção em você.E haverá outraem que atenção é tudo o que você receberá.O que você precisa fazeré … Continue lendo Pádraig Ó Tuama – Como [não] ser sozinho

Stevie Smith – Sozinha na floresta

Sozinha na floresta, sentiA amarga hostilidade do céu e das árvoresA Natureza ensinou suas criaturas a odiar oHomem que ferve e fumegaInquieto homemComo a seiva sobe nas árvoresComo a seiva pinta as árvores de um verde violentoAssim cresce a ira das criaturas da NaturezaContra o homemAssim pinta-se a face da Natureza de um verde violento.A … Continue lendo Stevie Smith – Sozinha na floresta

Jennifer Maier – Uma história verdadeira

Um homem idoso estava morrendo em um hospital,contou-me um amigo médico. Estava com oitenta e nove anos, e a vida toda fora um alfaiate em uma lojaembaixo do quarto onde nasceu. Ele não tinha ninguém, então uma bondosa enfermeira de Ganasentou-se com ele, uma mão sobre a sua, segurando um sanduíche. As ondasno monitor desaceleraram. … Continue lendo Jennifer Maier – Uma história verdadeira

Karl Shapiro – Inverno na Califórnia

É inverno na Califórnia, e no exteriorÉ como o interior de uma floricultura:Uma fresca e úmida culturaDe camélias rosas delimita a vertente;E que raras rosas para um banquete ou um amor,Tão numerosas que semelham uma enchente! Uma fileira de lesmas cruza o verde gramadoDas roseiras ao canteiro de heras;Um composto arsênico é distribuído para elas;O … Continue lendo Karl Shapiro – Inverno na Califórnia