Philip Larkin – O cortador

O cortador parou, duas vezes; ajoelhado, descubro 
Um ouriço preso entre as lâminas,
Morto. Estava na grama crescida.

Já o havia visto antes, e até o alimentara uma vez.   
Agora eu havia maltratado seu discreto mundo de forma 
Irremediável. O enterro não ajudou:

Na manhã seguinte eu me levantei e ele não.
No primeiro dia após a morte, a nova ausência
É sempre a mesma; devemos ter cuidado

Uns com os outros, devemos ser gentis
Enquanto ainda há tempo.

Trad.: Nelson Santander

The mower

The mower stalled, twice; kneeling, I found
A hedgehog jammed up against the blades,
Killed. It had been in the long grass.

I had seen it before, and even fed it, once.
Now I had mauled its unobtrusive world
Unmendably. Burial was no help:

Next morning I got up and it did not.
The first day after a death, the new absence
Is always the same; we should be careful

Of each other, we should be kind
While there is still time.

Philip Larkin – Canções de amor na velhice

Ela guardou canções, tomavam pouco espaço
E as capas lhe eram belas:
Uma que apanhou sol e de matizes baços;
Uma cheia de círculos de jarra d´água;
Uma colada, num “acesso de ordem” dela,
E colorida, pela filha – aguar-
daram assim, até que em sua viuvez as
Achou, procurando algo, e pôs-se dessa vez a

Reaprender como cada acorde, obediente
E franco, introduziu
Palavras se espalhando com hífens, e o alento
Infalível da juventude, a tomar vulto
Como uma árvore na primavera – daí o
Frescor entoado, que jazia oculto,
E a certeza do tempo armazenado, igual
À vez em que as tocou primeiro – e o principal:

O clarão dessa tão falada luz, o amor,
Rompeu, mostrou enfim,
Vogando no alto, o seu nascente resplendor,
Sempre anunciando resolver e saciar,
Pôr as coisas em ordem todo o tempo. Assim,
Empilhá-las de volta ali, chorar,
Foi duro, sem admitir, de forma inglória,
Que nunca fora assim, e não seria agora.

Trad.: Alípio Correia de Franca Neto

Love song in age

She kept her songs, they took so little space,
The covers pleased her:
One bleached from lying in a sunny place,
One marked in circles by a vase of water,
One mended, when a tidy fit had seized her,
And coloured, by her daughter –
So they had waited, till in widowhood
She found them, looking for something else, and stood

Relearning how each frank submissive chord
Had ushered in
Word after sprawling hyphenated word,
And the unfailing sense of being young
Spread out like a spring-woken tree, wherein
That hidden freshness sung,
That certainty of time laid up in store
As when she played them first. But, even more,

The glare of that much-mentioned brilliance, love,
Broke out, to show
Its bright incipience sailing above,
Still promising to solve, and satisfy,
And set unchangeably in order. So
To pile them back, to cry,
Was hard, without lamely admitting how
It had not done so then, and could not now.

Aqui: https://alipiocorreia.wordpress.com/2013/07/16/alguns-poemas-de-philip-larkin-ingles-portugues/

Philip Larkin – Um túmulo Arundel

Lado a lado, o rosto indistinto em tudo,
Em pedra, jazem o conde e a condessa;
Seus usos se entreveem na prega espessa,
Numa cota de malha e através
Daquele leve toque do absurdo:
Os cachorrinhos que eles têm aos pés.

Essa simplicidade pré-barroca
Pouco chama a atenção, até à surpresa
Da luva esquerda dele, esta, presa,
Vazia, na outra mão, e até àquela
Terna visão que súbito nos toca:
A da mão nua segurando a dela.

Ninguém pensava em jazer tanto assim.
Tal fidelidade em efígie era um
Detalhe só para os amigos verem:
Requinte encomendado ao escultor
Pra prolongar os nomes em latim
No pedestal, gravados ao redor.

Ninguém imaginava quão veloz,
Na viagem fixa e inerte, o ar haveria
De se mudar nessa muda avaria,
Deixando longe os velhos suseranos,
E os olhos passariam, um após
O outro, a olhar sem ler. Firmes, por anos

Perseveraram, juntos, na extensão
Do tempo. Sem data, a neve caiu.
A luz encheu vitrais a cada estio.
Escória branca de ave foi lançada
No mesmo chão cheio de ossos. Veio, então,
A gente eternamente transformada,

Erodindo sua identidade. E agora,
Inermes, no vazio de um tempo infenso
Às armas, alguidar de fumo denso
Em cordões lentos, pensos, que flutua
Sobre seu mísero quinhão de história,
Somente uma atitude continua:

O tempo os transfigurou numa tal
Mentira. E essa fidelidade em pedra,
Que certamente não buscaram, queda
Como um brasão final, e atesta a voz
Do nosso quase-instinto quase real:
Amor é quanto ficará de nós.

Trad.: Alípio Correia de Franca Neto

An Arundel Tomb

Side by side, their faces blurred,
The earl and countess lie in stone,
Their proper habits vaguely shown
As jointed armour, stiffened pleat,
And that faint hint of the absurd –
The little dogs under their feet.

Such plainness of the pre-baroque
Hardly involves the eye, until
It meets his left-hand gauntlet, still
Clasped empty in the other; and
One sees, with a sharp tender shock,
His hand withdrawn, holding her hand.

They would not think to lie so long.
Such faithfulness in effigy
Was just a detail friends would see:
A sculptor’s sweet commissioned grace
Thrown off in helping to prolong
The Latin names around the base.

They would not guess how early in
Their supine stationary voyage
The air would change to soundless damage,
Turn the old tenantry away;
How soon succeeding eyes begin
To look, not read. Rigidly they

Persisted, linked, through lengths and breadths
Of time. Snow fell, undated. Light
Each summer thronged the glass. A bright
Litter of birdcalls strewed the same
Bone-riddled ground. And up the paths
The endless altered people came,

Washing at their identity.
Now, helpless in the hollow of
An unarmorial age, a trough
Of smoke in slow suspended skeins
Above their scrap of history,
Only an attitude remains:

Time has transfigured them into
Untruth. The stone fidelity
They hardly meant has come to be
Their final blazon, and to prove
Our almost-instinct almost true:
What will survive of us is love.

Philip Larkin – Continuar a viver

Continuar a viver – isto é, repetir
Um hábito concebido para se ter o indispensável –
É quase sempre perder, ou sair sem.
  É variável.

Esta perda de interesse, cabelos, e iniciativa –
Ah, se o jogo fosse poker, sim, talvez
Você pudesse descartar, fazer um full house!
  Mas é xadrez.

E uma vez que tenha percorrido toda a extensão de sua mente,
É claro como um conhecimento de transporte o que você pode dirigir.
Todo o resto não é necessário ser pensado
  Para existir.

E o que se ganha? Apenas que, no tempo certo,
Será meio que possível identificar
A marca cega de nossos comportamentos, rastreando-a até a origem.
  Mas confessar,

Naquele novo ocaso em que nossa morte começa,
O que ela foi, dificilmente será o bastante,
Já que se aplicou somente uma vez a um homem,
  E a um agonizante.

Trad.: Nelson Santander

Philip Larkin – Continuing to live

Continuing to live — that is, repeat
A habit formed to get necessaries —
Is nearly always losing, or going without.
It varies.

This loss of interest, hair, and enterprise —
Ah, if the game were poker, yes,
You might discard them, draw a full house!
But it’s chess.

And once you have walked the length of your mind, what
You command is clear as a lading-list.
Anything else must not, for you, be thought
To exist.

And what’s the profit? Only that, in time,
We half-identify the blind impress
All our behavings bear, may trace it home.
But to confess,

On that green evening when our death begins,
Just what it was, is hardly satisfying,
Since it applied only to one man once,
And that one dying.

Philip Larkin – Conversar na Cama

Conversar na cama devia ser mais fácil
Dois deitados juntos — é desde há muito
Um símbolo de duas pessoas sendo francas.

Ainda que mais e mais tempo passe em silêncio.
Lá fora, a intérmina inquietação do vento
Amontoa e dispersa nuvens pelo céu.

E cidades escuras se empilham no horizonte.
Nada disso se importa conosco. Nada mostra por que
A essa distância única do isolamento

Se torna ainda mais difícil achar
As veras palavras certas e sinceras
Ou não incertas e nem insinceras.

   Trad.: Luiz Roberto Guedes

Talking In Bed

Talking in bed ought to be easiest
Lying together there goes back so far
An emblem of two people being honest.

Yet more and more time passes silently.
Outside the wind’s incomplete unrest
builds and disperses clouds about the sky.

And dark towns heap up on the horizon.
None of this cares for us. Nothing shows why
At this unique distance from isolation

It becomes still more difficult to find
Words at once true and kind
Or not untrue and not unkind.

Philip Larkin – Os Velhos Tolos

Que pensam eles que aconteceu, os velhos tolos,
Para os pôr assim? Porventura supõem
Que é mais crescido terem a boca aberta e a babar-se
E mijarem-se a toda a hora e não se recordarem
De quem os visitou hoje de manhã? Ou que é só quererem
E volta tudo a ser como quando dançaram toda a noite,
Ou casaram, ou marcharam de arma ao ombro num certo Setembro?
Ou imaginam que não houve mudança alguma
E que sempre se portaram como inválidos e bêbados
Ou se sentaram o dia inteiro em devaneio contínuo
Vendo a luz mover-se? Se não o crêem (e não podem), é estranho:
          Porque não estão a gritar?

Na morte, desfazemo-nos: os pedaços do que éramos
Começam a fugir uns dos outros para sempre
Sem ninguém a ver. Não é mais que um olvido, é certo:
Já o tivemos antes, mas dessa vez ia acabar,
E combinava-se com um esforço sem igual
para fazer desabrochar a flor de um milhão de pétalas
Que é estar aqui. Da próxima vez não se pode fingir
Que vai haver algo mais. E são estes os indícios:
Não saber como, não ouvir quem, já não ter
Força para escolher. Pelo ar deles, estão prontos para ir:
          Como podem não o saber?

Ser velho é talvez ter salas iluminadas
Dentro da cabeça e, lá dentro, gente a representar.
Gente que se conhece, mas cujo nome nos escapa;
Cada vulto responde a uma perda profunda, assomando
A uma porta conhecida, pousando uma vela, sorrindo
Das escadas, tirando um livro da estante; ou por vezes
Só as próprias salas, cadeiras e uma lareira acesa,
O vento no arbusto para lá da janela, ou a débil
Simpatia do sol na parede, num solitário
Fim de tarde de Verão, depois da chuva. É onde eles vivem:
Não aqui e agora, mas onde tudo aconteceu em tempos.
          Por isso é que eles têm

Um ar de ausência perplexa, tentando estar lá
E contudo estando aqui. É que as salas vão-se afastando,
Deixando para trás um frio inepto e o atrito constante
Do ar respirado, enquanto eles, os velhos tolos,
De cócoras junto ao morro da extinção, não se apercebem
De como está próximo. Deve ser isto que os sossega:
O pico que se observa de onde quer que se vá
Para eles é uma elevação. Será que não adivinham
O que os puxa para trás, e como tudo acabará? Nem à noite?
Ao longe de toda a horrível infância do avesso? Bom,
          Havemos de o saber.

      Trad.: Rui Carvalho Homem

THE OLD FOOLS

What do they think has happened, the old fools,
To make them like this? Do they somehow suppose
It’s more grown-up when your mouth hangs open and drools,
And you keep on pissing yourself, and can’t remember
Who called this morning? Or that, if they only chose,
They could alter things back to when they danced all night,
Or went to their wedding, or sloped arms some September?
Or do they fancy there’s really been no change,
And they’ve always behaved as if they were crippled or tight,
Or sat through days of thin continuous dreaming
Watching light move? If they don’t (and they can’t), it’s strange
[Why aren’t they screaming?

At death, you break up: the bits that were you
Start speeding away from each other for ever
With no one to see. It’s only oblivion, true:
We had it before, but then it was going to end,
And was all the time merging with a unique endeavour
To bring to bloom the million-petalled flower
Of being here. Next time you can’t pretend
There’ll be anything else. And these are the first signs:
Not knowing how, not hearing who, the power
Of choosing gone. Their looks show that they’re for it:
Ash hair, toad hands, prune face dried into lines –
[How can they ignore it?

Perhaps being old is having lighted rooms
Inside your head, and people in them, acting.
People you know, yet can’t quite name; each looms
Like a deep loss restored, from known doors turning,
Setting down a lamp, smiling from a stair, extracting
A known book from the shelves; or sometimes only
The rooms themselves, chairs and a fire burning,
The blown bush at the window, or the sun’s
Faint friendliness on the wall some lonely
Rain-ceased midsummer evening. That is where they live:
Not here and now, but where all happened once.
[This is why they give

An air of baffled absence, trying to be there
Yet being here. For the rooms grow farther, leaving
Incompetent cold, the constant wear and tear
Of taken breath, and them crouching below
Extinction’s alp, the old fools, never perceiving
How near it is. This must be what keeps them quiet:
The peak that stays in view wherever we go
For them is rising ground. Can they never tell
What is dragging them back, and how it will end? Not at night?
Not when the strangers come? Never, throughout
The whole hideous inverted childhood?
[Well, we shall find out.

Philip Larkin – A Igreja Indo-se…

Quando estou certo de que nada está ocorrendo,
Eu entro, e se ouve um baque quando eu solto a porta.
Mais uma igreja: bancos, panos, pedra, além dos
Livrinhos; as juncadas secas, que se cortam
Para o domingo; bronze e objetos a cobrir o
Altar; um órgão impecável e pequeno;
Silêncio tenso, de bolor, que salta à vista,
Há muito fermentado. Sem chapéu, retiro —
Genuflexão canhestra — os grampos de ciclista,

Ando e na pia de água benta esfrego a mão.
Vendo daqui, parece quase novo, o teto —
Foi limpo, restaurado? Um outro sabe: eu não.
Depois que subo até o atril, decifro certo
Versículo imperioso, numa letra grande,
E digo, sem querer, o “Aqui Termina” em tom
De voz mui to alto. O eco casquina um pouco. À entrada,
De novo, assino o livro, doo seis pence da Irlanda,
Concluo que não valia a pena essa parada.

Mas eu parei; e paro lá de vez em quando,
Depois, acabo por pegar-me assim, confuso,
Me perguntando o que buscar; me perguntando:
Quando igrejas caírem em total desuso,
Que vamos fazer delas? Pôr as catedrais
Perpetuamente abertas à visita, expondo
Pergaminho, pátena e píxide em vitrina,
Com o resto grátis para a chuva e os animais?
Vamos temê-las, como sítios de má sina?

À noite, umas mulheres de moral suspeita
Virão fazer os filhos pôr a mão em dada
Pedra, colher ervas prum câncer, ou, à espreita,
Já prevenidas, ver passar a alma penada?
Uma força qualquer continuará em vigor
Em jogos e em enigmas, como que fortuita;
Mas a superstição — e a crença — vão ter fim,
E o que restará quando a descrença se for?
Céu, sarça, erva, pilastras, lajes com capim,

Uma forma a cada semana menos clara,
Um fim mais obscuro. Fico me indagando
Quem será o último, o último, de fato, a andar a
Este local pelo que ele era; alguém do bando
Que fuce e tome nota e saiba o que era o jube?
O ébrio de ruínas, seco por antiqualha,
Ou o viciado em natais, um dependente
De baforadas de alva e estola, mirra e tubos
De órgão? Ou mesmo um tipo que me represente

Com tédio, inculto, vendo o lodo espiritual
Disperso, mas cruzando o arrabalde e o mato
Rumo a esta cruz de terra, que, de modo igual
E tanto tempo, soube conservar intato
O que, depois, só se separa — origem, morte
E matrimônio, idéias tais — em honra ao qual
Se ergueu tal concha? Pois, se ignoro por completo
Pra quê o celeiro ornado e com bolor, conforta e
Apraz deixar-me estar aqui, a sós e quieto;

É uma casa séria em terra séria, e ali, no
Seu ar mesclado, as nossas compulsões se cruzam,
Se reconhecem e disfarçam de destino.
E tudo isso não pode cair em desuso,
Visto que sempre vai haver alguém que um dia
Se pegue ansiando ser mais sério, e assim termine
Por gravitar para essa terra, que, conforme
Ensinam, contribui para a sabedoria,
Só pelo número de mortos que ali dormem.

Trad. Alípio Correia de Franca Neto

CHURCH GOING

Once I am sure there’s nothing going on
I step inside, letting the door thud shut.
Another church: matting, seats, and stone,
And little books; sprawl ings of flowers, cut
For Sunday, brownish now; some brass and stuff
Up at the holy end; the small neat organ;
And a tense, musty, unignorable silence,
Brewed God knows how long. Hatless, I take off
My cycle-cl ips in awkward reverence,

Move forward, run my hand around the font.
From where I stand, the roof looks almost new —
Cleaned, or restored? Someone would know: I don’ t.
Mounting the lec ter, I peruse a few
Hec toring large-scale verses, and pronounce
‘Here endeth’ much more loudly than I’d meant.
The echoes snigger briefly. Back at the door
I sign the book, donate an Irish sixpence,
Reflect the place was not worth stopping for.

Yet stop I did: in fact I of ten do,
And always end much at a loss l ike this,
Wondering what to look for; wondering, too,
When churches fall completely out of use
What we shall turn them into, if we shall keep
A few cathedrals chronically on show,
Their parchment, plate and pyx in locked cases,
And let the rest rent-f ree to rain and sheep.
Shall we avoid them as unlucky places?

Or, after dark, will dubious women come
To make their children touch a particular stone;
Pick simples for a cancer; or on some
Advised night see walking a dead one?
Power of some sort or other will go on
In games, in riddles, seemingly at random;
But superstition, l ike bel ief , must die,
And what remains when disbel ief has gone?
Grass, weedy pavement, brambles, buttress, sky,

A shape less recognisable each week,
A purpose more obscure. I wonder who
Will be the last, the very last, to seek
This place for what it was; one of the crew
That tap and jot and know what rood-lof ts were?
Some ruin-bibber, randy for antique,
Or Christmas-addict, counting on a whiff
Of gown-and-bands and organ-pipes and myrrh?
Or will he be my representative,

Bored, uninformed, knowing the ghostly sil t
Dispersed, yet tending to this c ross of ground
Through suburb scrub because it held unspil t
So long and equaly what since is found
Only in separation — marriage, and birth,
And death, and thoughts of these – for which was buil t
This spec ial shell? For, though I’ve no idea
What this accoutred f rowsty barn is worth,
It pleases me to stand in silence here;

A serious house on serious earth it is,
In whose blent air all our compulsions meet,
Are recognised, and robed as destinies.
And that much never can be obsolete,
Since someone will forever be surprising
A hunger in himself to be more serious,
And gravitating with it to this ground,
Which, he once heard, was proper to grow wise in,
If only that so many dead lie round.

Philip Larkin – Por Que Sonhei Contigo a Noite Passada?

Por que sonhei contigo a noite passada?
Agora a manhã empurra cabelos para trás
[com uma luz grisalha
Lembranças batem de volta, como tapas na cara;
Apoiado no cotovelo, eu fito o branco nevoeiro
Além da janela.

Tantas coisas que eu pensava esquecidas
Voltam agora à mente numa estranha dor:
Como cartas que chegam para outra pessoa
Que há muito tempo já se foi.

Trad.: Luiz Roberto Guedes

Philip Larkin – Ignorância

Estranho nada saber, nunca ter a certeza
Do que é verdadeiro, certo ou real,
Forçado então a dizer pelo menos é o que sinto
Ou Bom, é o que parece:
Alguém deve saber.

Estranho ignorar o modo como as coisas funcionam:
A sua capacidade de encontrar o que necessitam,
O seu sentido de forma, e o espalhar da semente preciso,
E a sua vontade de mudar;
Sim, é estranho,

Trazer vestido até tal conhecimento – pois a nossa carne
Cerca-nos com as suas próprias decisões –
E ainda assim gastar a vida em imprecisões,
Tanto que quando começamos a morrer
Nem fazemos a ideia do porquê.

Trad. : Pedro Silva Sena