Antonia Pozzi – Erros

Cai graciosamente a neve sobre os cestos das floristas: embranquece os junquilhos e as violetas, as delicadas frésias vindas dos países do sol. Ao vê-las pensamos nos muitos destinos errados que sofrem pelos caminhos da terra e um furor nostálgico investe pelos caminhos de ouro da alma aonde não chega a neve. Trad.: Inês Dias … Continue lendo Antonia Pozzi – Erros

Antonia Pozzi – Morte de uma estação

Choveu toda a noite sobre as memórias do verão. Ao anoitecer saímos no meio de um ribombar lúgubre de pedras e, parados na margem, levantamos as lanternas para explorar o perigo das pontes. Ao amanhecer vimos as pálidas andorinhas ensopadas e pousadas sobre os fios à espreita de indícios secretos de partida - e refletiam-nas … Continue lendo Antonia Pozzi – Morte de uma estação

Antonia Pozzi – Desalento

Tristeza destas minhas mãos demasiado pesadas para não abrirem feridas, demasiado leves para deixarem marca – tristeza desta minha boca que diz as mesmas palavras que tu – significando outras coisas – e esta é a expressão da mais desesperada distância. Trad.: Inês Dias Sfiducia Tristezza di queste mie mani troppo pesanti per non aprire … Continue lendo Antonia Pozzi – Desalento

Antonia Pozzi – Canto da Minha Nudez

Olha para mim: estou nua. Da inquieta languidez da minha cabeleira até à tensão fina do meu pé, sou toda de uma magreza amarga envolta numa cor de marfim. Olha: como é pálida a minha carne. Dir-se-ia que o sangue não a percorre. O vermelho não transparece. Apenas uma lânguida pulsação azul se esbate no … Continue lendo Antonia Pozzi – Canto da Minha Nudez

Antonia Pozzi – Grito

Não ter um Deus não ter um túmulo não ter nada de certo mas apenas coisas vivas que nos fogem - existir sem ontem existir sem amanhã e cegar no vazio - socorro - pelo sofrimento que não tem fim - 10 de fevereiro de 1932 Trad.: Inês Dias Grido Non avere un Dio non … Continue lendo Antonia Pozzi – Grito

Antonia Pozzi – Novembro

E depois – quando eu partir restará alguma coisa de mim no meu mundo – restará um fino rasto de silêncio no meio das vozes – um ténue sopro de branco no coração do azul – E numa noite de Novembro uma menina frágil à esquina de uma rua venderá braçadas de crisântemos e lá … Continue lendo Antonia Pozzi – Novembro

Antonia Pozzi – Pausa

Parecia-me que este dia sem ti devia ser inquieto, escuro. Em vez disso está repleto de uma estranha doçura, que aumenta com o passar das horas – quase como a terra após um aguaceiro, que fica sozinha no silêncio a beber a água caída e pouco a pouco nas veias mais profundas se sente penetrada. … Continue lendo Antonia Pozzi – Pausa