Cecilia Meireles – Cântico VI

Tu tens um medo: Acabar. Não vês que acabas todo o dia. Que morres no amor. Na tristeza. Na dúvida. No desejo. Que te renovas todo o dia. No amor. Na tristeza. Na dúvida. No desejo. Que és sempre outro. Que és sempre o mesmo. Que morrerás por idades imensas. Até não teres medo de … Continue lendo Cecilia Meireles – Cântico VI

Cecília Meireles – De que são feitos os dias?

De que são feitos os dias? - De pequenos desejos, vagarosas saudades, silenciosas lembranças. Entre mágoas sombrias, momentâneos lampejos: vagas felicidades, inactuais esperanças. De loucuras, de crimes, de pecados, de glórias - do medo que encadeia todas essas mudanças. Dentro deles vivemos, dentro deles choramos, em duros desenlaces e em sinistras alianças...

Cecilia Meireles – Cantarão os Galos

Cantarão os galos, quando morrermos, e uma brisa leve, de mãos delicadas, tocará nas franjas, nas sedas mortuárias. E o sono da noite irá transpirando sobre as claras vidraças. E os grilos, ao longe, serrarão silêncios, talos de cristal, frios, longos ermos, e o enorme aroma das árvores. Ah, que doce lua verá nossa calma … Continue lendo Cecilia Meireles – Cantarão os Galos

Cecília Meireles – Epigrama nº 7

A tua raça de aventura quis ter a terra, o céu, o mar. Na minha, há uma delícia obscura em não querer, em não ganhar... A tua raça quer partir, guerrear, sofrer, vencer, voltar. A minha, não quer ir nem vir. A minha raça quer passar.

Cecília Meireles – O Jardim

O jardim é verde, encarnado e amarelo. Nas alamedas de cimento, movem-se os arabescos do sol que a folhagem recorta e o vento abana. A luz revela orvalhos no fundo das flores, nas asas tênues das borboletas, -e ensina a cintilar a mais ignorada areia, perdida nas sombras, submersas nos limos. Ensina a cintilar também … Continue lendo Cecília Meireles – O Jardim