W. H. Auden – Aquele que Ama Mais

Contemplando as estrelas, logo eu discirno Que, por elas, eu posso ir para o inferno, Porém, na terra, a indiferença é o que menos Temos a temer, de animais e humanos Como seria se os astros de paixão Por nós ardessem e disséssemos não? Se os afetos nunca podem ser iguais Pois que seja eu … Continue lendo W. H. Auden – Aquele que Ama Mais

Ricardo Silvestrin – Bilhete

Não me parecias frágil, via-te doce. Talvez fosses mesmo forte, é preciso ser valente pra decretar a própria morte. Tinha-te por calmo. Que rio obscuro e discreto te puxava para o fundo, sem saber nadar, sem ninguém saber de nada? Não deixaste uma carta, um poema, um bilhete de suicida. Como se quisesses dizer que … Continue lendo Ricardo Silvestrin – Bilhete

Jaime Sabines – Te Amo às Dez da Manhã

Te amo às dez da manhã, e às onze, e ao meio-dia. Te amo com toda a minha alma e com todo o meu corpo, às vezes, em tardes de chuva. Mas às duas da tarde, ou às três, quando me ponho a pensar em nós dois, e tu pensas em comida ou nas tarefas … Continue lendo Jaime Sabines – Te Amo às Dez da Manhã

Sophia de Mello Breyner Andresen – Meio-dia

Meio-dia. Um canto da praia sem ninguém. O sol no alto, fundo, enorme, aberto, Tornou o céu de todo o deus deserto. A luz cai implacável como um castigo. Não há fantasmas nem alvas, E o mar imenso solitário e antigo, Parece bater palmas.

Paul Auster – Fragmento de Frio

Porque ficamos cegos no dia que se esvai conosco, e porque vimos nossa respiração nublar o espelho de ar, o olho do ar vai se abrir para nada mais que a palavra a que renunciamos: o inverno terá sido lugar de madureza. Nós que viramos os mortos de uma vida que não a nossa. Trad.: … Continue lendo Paul Auster – Fragmento de Frio

Zulmira Ribeiro Tavares – Após o inverno

Desarrumação em setembro. O vento batendo as portas e a floração rebentando nas cercas vivas. O céu por vezes de terracota bem acima das cabeças, mas também finas agulhas de gelo imiscuindo-se pelas frinchas, noite alta. Era em São Paulo. Então se entende: o mato bravo torcido pela chuva, o prédio em demolição pingando água … Continue lendo Zulmira Ribeiro Tavares – Após o inverno

Rainer Maria Rilke – As Quatro Idades do Homem

Com seu corpo travou um duelo; Mas o corpo venceu; anda ereto. Então lutou com seu coração; Paz e inocência pronto se vão. Em seguida lutou com sua mente; O altivo coração pôs-se ausente. Agora a guerra com Deus começa: Meia-noite em ponto, que Deus o vença. Trad.: Luis Dolhnikoff

Rainer Maria Rilke – Hora Grave

Quem agora chora em algum lugar do mundo, Sem razão chora no mundo, Chora por mim. Quem agora ri em algum lugar na noite, Sem razão ri dentro da noite, Ri-se de mim. Quem agora caminha em algum lugar no mundo, Sem razão caminha no mundo, Vem a mim. Quem agora morre em algum lugar … Continue lendo Rainer Maria Rilke – Hora Grave

Rainer Maria Rilke – O Mundo Estava no Rosto da Amada

O mundo estava no rosto da amada - e logo converteu-se em nada, em mundo fora do alcance, mundo-além. Por que não o bebi quando o encontrei no rosto amado, um mundo à mão, ali, aroma em minha boca, eu só seu rei? Ah, eu bebi. Com que sede eu bebi. Mas eu também estava … Continue lendo Rainer Maria Rilke – O Mundo Estava no Rosto da Amada