Mês: agosto 2017
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W. H. Auden – Aquele que Ama Mais

Contemplando as estrelas, logo eu discirnoQue, por elas, eu posso ir para o inferno,Porém, na terra, a indiferença é o que menosTemos a temer, de animais e humanos Como seria se os astros de paixãoPor nós ardessem e disséssemos não?Se os afetos nunca podem ser iguaisPois que seja eu aquele que ama mais. Por mais…
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Ricardo Silvestrin – Bilhete

Não me parecias frágil, via-te doce. Talvez fosses mesmo forte, é preciso ser valente pra decretar a própria morte. Tinha-te por calmo. Que rio obscuro e discreto te puxava para o fundo, sem saber nadar, sem ninguém saber de nada? Não deixaste uma carta, um poema, um bilhete de suicida. Como se quisesses dizer que…
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Jaime Sabines – Te Amo às Dez da Manhã

Te amo às dez da manhã, e às onze, e ao meio-dia. Te amo com toda a minha alma e com todo o meu corpo, às vezes, em tardes chuvosas. Mas às duas da tarde, ou às três, quando eu me perco em pensar em nós dois, e tu pensas em comida ou nas tarefas…
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Meio-dia

Meio-dia. Um canto da praia sem ninguém. O sol no alto, fundo, enorme, aberto, Tornou o céu de todo o deus deserto. A luz cai implacável como um castigo. Não há fantasmas nem alvas, E o mar imenso solitário e antigo, Parece bater palmas.
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Paul Auster – Fragmento de Frio

Porque ficamos cegos no dia que se esvai conosco, e porque vimos nossa respiração nublar o espelho de ar, o olho do ar vai se abrir para nada mais que a palavra a que renunciamos: o inverno terá sido lugar de madureza. Nós que viramos os mortos de uma vida que não a nossa. Trad.:…
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Zulmira Ribeiro Tavares – Após o inverno

Desarrumação em setembro. O vento batendo as portas e a floração rebentando nas cercas vivas. O céu por vezes de terracota bem acima das cabeças, mas também finas agulhas de gelo imiscuindo-se pelas frinchas, noite alta. Era em São Paulo. Então se entende: o mato bravo torcido pela chuva, o prédio em demolição pingando água…
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Rainer Maria Rilke – Hora Grave

Quem agora chora em algum lugar do mundo, Sem razão chora no mundo, Chora por mim. Quem agora ri em algum lugar na noite, Sem razão ri dentro da noite, Ri-se de mim. Quem agora caminha em algum lugar no mundo, Sem razão caminha no mundo, Vem a mim. Quem agora morre em algum lugar…
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Rainer Maria Rilke – O Mundo Estava no Rosto da Amada

O mundo estava no rosto da amada – e logo converteu-se em nada, em mundo fora do alcance, mundo-além. Por que não o bebi quando o encontrei no rosto amado, um mundo à mão, ali, aroma em minha boca, eu só seu rei? Ah, eu bebi. Com que sede eu bebi. Mas eu também estava…
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Wislawa Szymborska – Engano

Soou o telefone na galeria de arte, soou à meia-noite na sala quieta; se houvesse gente dormindo, acordaria na certa, mas aqui há somente insones profetas, somente reis empalidecem de luar e olham indiferentes o que há para olhar, e a mulher do usurário, agitada na aparência, fita justo essa coisa sonante na lareira, mas…
