Tag: Antonio Cicero
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Jorge Luis Borges – O Suicida

Não ficará na noite uma estrela.Não ficará a noite.Morrerei e comigo a sumaDo intolerável universo.Apagarei as pirâmides, as medalhas,Os continentes e as caras.Apagarei a acumulação do passado. Farei pó a história, pó o pó.Estou olhando o último poente.Ouço o último pássaro.Lego o nada a ninguém. Trad.: Antonio Cícero REPUBLICAÇÃO: poema originalmente publicado na página em 24/02/2016
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Antonio Cícero – O Fim da Vida

Conheci da humana lida a sorte: o único fim da vida é a morte e não há, depois da morte, mais nada. Eis o que torna esta vida sagrada: ela é tudo e o resto, nada. Antonio Cícero 1946 🌟 2024
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Friedrich Hölderlin – Outrora e Agora

De manhã era feliz, quando jovem,E à noite chorava; já hoje, mais velho,Começo meu dia em dúvida, porémSeu fim é para mim sagrado e sereno. Trad.: Antonio Cicero Ehmals und jetzt In jüngern Tagen war ich des Morgens froh,Des Abends weint’ich; jetzt, da ich älter bin,Beginn ich zweifelnd meinen Tag, dochHeilig und heiter ist mir…
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Jorge Luis Borges – Limites

Há uma linha de Verlaine que não voltarei a recordar,Há uma rua próxima que está vedada a meus passos,Há um espelho que me viu pela última vez,Há uma porta que fechei até o fim do mundo.Entre os livros de minha biblioteca (estou vendo-os)Há algum que já nunca abrirei.Este verão cumprirei cinqüenta anos:A morte me desgasta,…
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Friedrich Hölderlin – A Brevidade

“Por que és tão breve? Não amas mais, como outrora,O canto? Quando jovem, não chegavas,Nos dias de esperança,Nunca ao fim, quando cantavas!” Tal qual minha sorte é meu canto. – Queres ao arrebolBanhar-te alegremente? Foi-se! E a terra está friaE o pássaro da noite esvoaçaincomodamente aos olhos teus. Trad. Antonio Cícero REPUBLICAÇÃO. Poema publicado originalmente…
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Pedro Salinas – Não Te Vejo

Não te vejo. Bem seique estás aqui, atrásde uma frágil paredede ladrilhos e cal, bem ao alcanceda minha voz, se chamasse.Mas não chamarei.Chamarei amanhã,quando, ao não te ver maisimagine que continuasaqui perto, ao meu lado,e que basta hoje a vozque ontem eu não quis dar.Amanhã… quando estivereslá atrás de umafrágil parede de ventos,de céus e…
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Antonio Cicero – Nihil

nada sustenta no nada esta terranada este ser que sou eunada a beleza que o dia descerranada a que a noite acendeunada esse sol que ilumina enquanto errapelas estradas do breunada o poema que breve se encerrae que do nada nasceu REPUBLICAÇÃO. Poema originalmente publicado no blog em 24/02/2016
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Antonio Cicero – O livro de sombras de Luciano Figueiredo

O livro de sombras de Luciano Figueiredo 1 Para onde vou, de onde vim? Não sei se me acho ou me extravio. Ariadne não fia o seu fio à frente, mas sim atrás de mim. Não será a saída um desvio e o caminho o verdadeiro fim ? 2 Não é hora de regressos Não…
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Antonio Cicero – Prólogo

Por onde começar? Pelo começo absoluto, pelo rio Oceano, já que ele é, segundo o poeta cego em cujo canto a terra e o céu escampo e o que é e será e não é mais e longe e perto se abrem para mim, pai das coisas divinas e mortais, seu líquido princípio, fluxo e…
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Bill Knott – Morte

Morte Perto de dormir, cruzo as mãos sobre o peito. Colocarão minhas mãos assim. Parecerá que estou a voar para dentro de mim mesmo. Death Going to sleep, I cross my hands on my chest. They will place my hands like this. It will look as though I am flying into myself. Trad.: Antonio Cicero…