Antonio Cicero – O livro de sombras de Luciano Figueiredo

O livro de sombras de Luciano Figueiredo 1 Para onde vou, de onde vim? Não sei se me acho ou me extravio. Ariadne não fia o seu fio à frente, mas sim atrás de mim. Não será a saída um desvio e o caminho o verdadeiro fim ? 2 Não é hora de regressos Não … Continue lendo Antonio Cicero – O livro de sombras de Luciano Figueiredo

Antonio Cicero – Prólogo

Por onde começar? Pelo começo absoluto, pelo rio Oceano, já que ele é, segundo o poeta cego em cujo canto a terra e o céu escampo e o que é e será e não é mais e longe e perto se abrem para mim, pai das coisas divinas e mortais, seu líquido princípio, fluxo e … Continue lendo Antonio Cicero – Prólogo

Bill Knott – Morte

Morte Perto de dormir, cruzo as mãos sobre o peito. Colocarão minhas mãos assim. Parecerá que estou a voar para dentro de mim mesmo. Death Going to sleep, I cross my hands on my chest. They will place my hands like this. It will look as though I am flying into myself. Trad.: Antonio Cicero … Continue lendo Bill Knott – Morte

Antonio Cicero – Cidade

Para Arthur Nestrovsky Lembro que o futuro era uma cidade nebulosa da qual eu esperava tudo e que, sendo uma cidade, nada esperava de ninguém. Ah, cidade sonhada de avenidas macadâmicas, turbas febris e prédios de granito: o que era que eu perdera e que, perdido e em cacos, buscava nas tuas áridas calçadas e … Continue lendo Antonio Cicero – Cidade

Antonio Cicero – Virgem

https://www.youtube.com/watch?v=oeuX_506Co8 Música: Marina Lima As coisas não precisam de você: Quem disse que eu tinha que precisar? As luzes brilham no Vidigal E não precisam de você; Os Dois Irmãos Também não. O Hotel Marina quando acende Não é por nós dois Nem lembra o nosso amor. Os inocentes do Leblon, Esses nem sabem de … Continue lendo Antonio Cicero – Virgem

Antonio Cicero – Nihil

nada sustenta no nada esta terra nada este ser que sou eu nada a beleza que o dia descerra nada a que a noite acendeu nada esse sol que ilumina enquanto erra pelas estradas do breu nada o poema que breve se encerra e que do nada nasceu

Jorge Luis Borges – O Suicida

Não ficará na noite uma estrela. Não ficará a noite. Morrerei e comigo a suma Do intolerável universo. Apagarei as pirâmides, as medalhas, Os continentes e as caras. Apagarei a acumulação do passado.  Farei pó a história, pó o pó. Estou olhando o último poente. Ouço o último pássaro. Lego o nada a ninguém. Trad.: … Continue lendo Jorge Luis Borges – O Suicida

Antonio Cícero – O Fim da Vida

Conheci da humana lida a sorte: o único fim da vida é a morte e não há, depois da morte, mais nada. Eis o que torna esta vida sagrada: ela é tudo e o resto, nada.