Mês: outubro 2021
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Charles Simic – Igreja de madeira

É só uma choupana fechada com uma torreSob o céu de um verão escaldanteEm uma estrada secundária percorrida raramenteOnde as sombras de árvores grandesRoçam-se tranquilamente como forcas enfileiradas,E corvos privados de carniçaGrasnam uns com os outros sobre dias melhores. A congregação talvez ainda esteja em oração.Das fotos salpicadas, famílias de fazendeiros Enfileiradas com suas cabeças…
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Ada Limón – Mar aberto

“Mar aberto”, um poema de Ada Limon que transforma uma lembrança de despedida em uma meditação delicada sobre perda, identidade e permanência.
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Maggie Smith – Boa Base

A vida é curta, embora eu esconda isso de meus filhos.A vida é curta, e eu encurtei a minhade mil maneiras deliciosas e imprudentes,mil maneiras deliciosamente imprudentesque esconderei dos meus filhos. O mundo é, no mínimo,cinquenta por cento terrível, e essa é uma estimativaconservadora, embora eu esconda isso de meus filhos.Para cada pássaro, há uma…
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Stephen Dobyns – Constatações

O terrível desequilíbrio que ocorre com a idadequando de repente você percebe que mais amigos morreram do que continuam vivos. E às vezesa lembrança deles parece tão real que a mais recente constatação de uma morte pode se tornar uma segunda, menor morte. Todas aquelas conversas interrompidas no meio da frase. Todos aqueles planos jogados…
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Richard Brautigan – Buu, para sempre

Girando como um fantasmana base de um pião,sou assombrado por todoespaço em quevou viver sem você. Trad.: Nelson Santander Boo, Forever Spinning like a ghoston the bottom of a top,I’m haunted by allthe space that Iwill live without you.
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Daniel Jonas – Ossétia

Ou como uma foto de Karpukhina Madonna ampara com o braço umdos lados do triânguloe deixa um derradeiro beijo escorrer por eleaté à cabeça mortado seu menino no catre. Uma cena difícil: a contençãodas sombras, do chiaroscuro,o profundo luto quando a lutacedeu a sua luz. De preto elaemoldurando a palidez do seu querido,o crânio envolto…
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W. S. Merwin – Juventude

Durante toda a juventude estive à sua procurasem saber o que procurava nem como chamá-la acho que eu nem sabia que estava procurando como eu poderia reconhecê-la ao vê-la como aconteceuvezes sem conta quando apareceu para mim como apareceu nua oferecendo-sepor inteiro naquele momento e deixou que eu a respirasse a tocasse a provasse sabendonão…
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Jane Kenyon – A pera

Há um momento na meia-idadeem que você fica entediado, irritadopor sua mente mediana, com medo. Nesse dia, o solarde quente e brilhante,deixando-o ainda mais desolado. Isso acontece sutilmente, como quando uma peraapodrece de dentro para fora,e talvez você nem percebaaté tudo já tenha passado do ponto. Trad.: Nelson Santander The Pear There is a moment…
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Eavan Boland – E alma

Minha mãe morreu em um verão —o mais úmido nos registros do Estado.Safras apodreciam no oeste.Toalhas de mesa xadrez dissolviam-se nos jardins.Cadeiras de praia vazias recolhiam a chuva.Enquanto eu me dirigia até elano trânsito, por entre lilases que gotejavam sombriamenteatrás das casase nas calçadas, para prestar-lhea última homenagem de uma filha, pensei em algoque lembrei…
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Francisco Brines – Últimos dias

Na herdade ele confina a memóriae o corpo que declina. Tudo morresobre este mundo vivo; e a laranjeira,e o voo do pombo, são traspassadospor um raio outonal de azul.Acompanham-lhe os livros; as caminhadastrazem até ele o odor de rosas abertas,e o suave abatimento dos dias.Ele ardeu na solidão, e agora escutaa primavera viva dos melros.Dias…