Tag: Eugénio de Andrade
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Manuel António Pina – Eugénio de Andrade no seu leito de morte

“Eugénio de Andrade no seu leito de morte”, um poema de Manuel António Pina
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Eugénio de Andrade – Despedida

Junho chegara ao fim, a magoada luz dos jacarandás, que me pousava nos ombros, era agora o que tinha para repartir contigo, e um coração desmantelado que só aos gatos servirá de abrigo
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Eugénio de Andrade – Elegia

Às vezes era bom que tu viesses. Falavas de tudo com modos naturais: em ti havia a harmonia dos frutos e dos animais. Maio trouxe cravos como outrora, cravos morenos, como tu dizias, mas cada hora passa e não se demora na tristeza das nossas alegrias. Ainda sabemos cantar, só a nossa voz é que…
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Eugénio de Andrade – Não é verdade

Cai, como antigamente, das estrelas um frio que se espalha na cidade. Não é noite nem dia, é o tempo ardente da memória das coisas sem idade. O que sonhei cabe nas tuas mãos gastas a tecer melancolia: um país crescendo em liberdade, entre medas de trigo e de alegria. Porém a morte passeia nos…
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Manuel António Pina – Eugénio de Andrade no seu leito de morte

Na mão de Ana o iogurte não iluminava, escurecia, comunhão ajoelhada no fundo do coração do dia dividido onde, desperto, ele dormia. O movimento da colher embalava-o como uma música que quase se ouvia neste mundo ou um colo que o adormecia. A tarde declinava, as sombras, como sonhos, alongavam-se na almofada; tudo fazia um…
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Eugénio de Andrade – Canção Breve

Tudo me prende à terra onde me dei: o rio subitamente adolescente, a luz tropeçando nas esquinas, as areias onde ardi impaciente. Tudo me prende do mesmo triste amor que há em saber que a vida pouco dura, e nela ponho a esperança ou o calor de uns dedos com restos de ternura. Dizem que…
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Eugénio de Andrade – O sal da língua

Escuta, escuta: tenho ainda uma coisa a dizer. Não é importante, eu sei, não vai salvar o mundo, não mudará a vida de ninguém – mas quem é hoje capaz de salvar o mundo ou apenas mudar o sentido da vida de alguém? Escuta-me, não te demoro. É coisa pouca, como a chuvinha que vem…
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Eugénio de Andrade – Sou fiel ao ardor…

Sou fiel ao ardor, amo esta espécie de verão que de longe me vem morrer às mãos, e juro que ao fazer da palavra morada do silêncio não há outra razão.
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Eugénio de Andrade – De “As mãos e os frutos”

XIX Terra: se um dia lhe tocares o corpo adormecido, põe folhas verdes onde pões silêncio, sê leve para quem o foi contigo. Dá-lhe o meu cabelo para sonho, e deixa as minhas mãos para tecer a mágoa infinita das raízes que no seu corpo um dia hão-de beber
