Manuel de Freitas – Nada de nada

    para o José Carlos Soares Um dia, logo de manhã, entraremos num cemitério e perguntarás a Antonia Pozzi se estar morto é mais ou menos triste do que estes dias arduamente sepultados. Receando que saibas a resposta, beberei com Lowry a primeira ou a última tequila, na certeza de que ambos os adjetivos estarão certos … Continue lendo Manuel de Freitas – Nada de nada

Manuel de Freitas – CCB, 2002

Abrem-se devagar os túmulos - e entramos neles. É o nosso ofício, talvez o único. Esperamos, anos fartos, o vazio. Não há engano possível, não há regresso. Todas as ilhas devagar nos mentem. Dançava perto de ti, talvez demasiado só, uma estrela d'nada, bo dispidida. Não me digas que não ouviste.

Manuel de Freitas – Grand Hotel København, 326

Onze horas: a tua mão adormecida marca agora um conto de Karen Blixen – veremos em breve essa casa cinzenta, em Helsingør – enquanto eu ouço uma sonata de Scarlatti tocada por Scott Ross e sei que também isso ficarei a dever à Dinamarca. Apontamentos culturais? Podem até chamar-lhes assim, ignorando a áspera nudez da … Continue lendo Manuel de Freitas – Grand Hotel København, 326

Manuel de Freitas – “Pela manhã o gato…”

Pela manhã o gato estende-se vagaroso nesse impreciso lugar em que luz e sombra se entretecem. Nas pedras rondantes do que sempre chamámos a nossa casa, esse sonho de irmos por detrás das janelas encarcerados nas agrestes paredes do amor. Todas as manhãs, enquanto a escola me espera, o gato é tão certo como os … Continue lendo Manuel de Freitas – “Pela manhã o gato…”