Joan Margarit – No final da noite

O ar está congelando.
Até o rouxinol mantém-se em silêncio.
Com a testa apoiada na vidraça
peço perdão às minhas filhas mortas,
porque já quase nunca penso nelas.
O tempo passou, deixando sobre a cicatriz
sua argila empoeirada, e ocorre que, mesmo
quando se ama alguém, sobrevém o esquecimento.
A luz tem a mesma aspereza das gotas
que vão, com o degelo, caindo dos ciprestes.
Ponho uma tora, removo as cinzas,
ressurge a chama entre as brasas.
Começo a fazer café
e vossa mãe, do quarto,
sorri com sua voz: Que cheiro bom.
Acordaste muito cedo esta manhã.

Trad.: Nelson Santander

Joana e Joan, em 2000. Foto: arquivo da família Margarit Ribalta

JOANA FOI ESCRITO DE 10 DE OUTUBRO DE 2000 A 1 DE SETEMBRO DE 2001

What will survive of us is love.
PHILIP LARKIN

Nota a JOANA


Este livro foi escrito violando todos os conselhos que os poetas nos damos sobre a distância obrigatória entre os fatos e o poema. Uma vez que precisava escreve-lo assim, e, ademais, já começo a ter idade suficiente para ignorar os conselhos, usei como garantia a vigilância poética — pela qual ora agradeço — de meus amigos Pere Rovira, Paco Díaz de Castro, Ramón Andrés, Enrique Badosa, Luis García Montero, Antonio Jiménez Millán, Miguel Ángel e Ana del Arco, Isidor Cònsul, Maite Merodio e Jesús Munárriz, Àlex Susanna e Sam Abrams. E de Almudena del Olmo, que, diante das minhas dúvidas, me disse: Não penses mais nisso e dá-lhe o título do que é realmente a tua obsessão: Nunca mais. Foi assim que este livro começou a ser intitulado, mas no final ganhou o nome simples da protagonista, em relação à qual, ao fim e ao cabo, o título sugerido não passava de uma afirmação filosófica. Como me recordou Sam Abrams, o mesmo corvo de Poe diz Nevermore, e o nosso Nunca mais é Never again.

AL FONDO DE LA NOCHE

Está helando en el aire.
Guarda silencio hasta el ruiseñor.
Con la frente apoyada en el cristal
pido perdón a mis dos hijas muertas,
porque ya casi nunca pienso en ellas.
El tiempo ha ido dejando sobre la cicatriz
su polvorienta arcilla, y es que, incluso
cuando uno ama a alguien, sobreviene el olvido.
La luz tiene la misma dureza de las gotas
que van, con el deshielo, cayendo del ciprés.
Pongo un leño, remuevo las cenizas,
vuelve a surgir la llama entre las brasas.
Empiezo a hacer café
y vuestra madre, desde el dormitorio,
sonríe con su voz: Qué buen aroma.
Has madrugado mucho esta mañana.

JOANA FUE ESCRITO DEL 10 DE OCTUBRE DE 2000 AL 1 DE SEPTIEMBRE DE 2001

What will survive of us is love.
PHILIP LARKIN

Nota a JOANA

Este libro fue escrito vulnerando todos los consejos que los poetas damos sobre la obligada distancia entre los hechos y el poema. Puesto que necesitaba hacerlo así y, además, ya empiezo a tener la edad de saltarme los consejos, he utilizado como garantía la vigilancia poética —que aquí agradezco— de mis amigos Pere Rovira, Paco Díaz de Castro, Ramón Andrés, Enrique Badosa, Luis García Montero, Antonio Jiménez Millán, Miguel Ángel y Ana del Arco, Isidor Cònsul, Maite Merodio y Jesús Munárriz, Àlex Susanna y Sam Abrams.Y de Almudena del Olmo, que, ante mis dudas, me dijo: No le des más vueltas y ponle por título lo que realmente es tu obsesión: Nunca más. Así se empezó titulando este libro, pero al final ha ganado el sencillo nombre de la protagonista frente al que, al fin y al cabo, no era más que una afirmación filosófica. Como me
ha recordado Sam Abrams, el mismo cuervo de Poe dice Nevermore, y nuestro Nunca más es Never again.

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