Hans Magnus Enzensberger – Hábitos

Quantas vezes Platão assoou o nariz, e São Tomás de Aquino tirou os sapatos, quantas vezes Einstein escovou os dentes, e Kafka ligou e desligou a luz, antes de enfim chegarem ao que lhes cabia fazer? Semanas sem fim, feitas as contas, levamos abotoar e desabotoar camisas, procurar os óculos ou, tomada a decisão, novamente … Continue lendo Hans Magnus Enzensberger – Hábitos

Jorge Luis Borges – O Mar

Antes que o sonho (ou o terror) tecesse Mitologias e cosmogonias, Antes que o tempo se cunhasse em dias, O mar, sempre mar, já estava e era. Quem é o mar? Quem é aquele violento E antigo ser que rói os pilares Da terra e é um e muitos mares E abismo e resplendor e … Continue lendo Jorge Luis Borges – O Mar

Joaquim Cardozo – Canção Elegíaca

Quando os teus olhos fecharem Para o esplendor deste mundo, Num chão de cinza e fadigas Hei de ficar de joelhos; Quando os teus olhos fecharem Hão de murchar as espigas, Hão de cegar os espelhos. Quando os teus olhos fecharem E as tuas mãos repousarem No peito frio e deserto, Hão de morrer as … Continue lendo Joaquim Cardozo – Canção Elegíaca

Carlos Drummond de Andrade – A Luis Mauricio, Infante

Acorda, Luís Mauricio. Vou te mostrar o mundo, se é que não preferes vê-lo de teu reino profundo. Despertando, Luís Mauricio, não chores mais que um tiquinho. Se as crianças da América choram em coro, que seria, digamos, do teu vizinho? Que seria de ti, Luís Mauricio, pranteando mais que o necessário? Os olhos se … Continue lendo Carlos Drummond de Andrade – A Luis Mauricio, Infante

Neil Gaiman – A Escuridão Está à Espera

a chama vermelha bruxuleante no muro da caverna pintada de ocre, corante, carvão vegetal fazendo o alce se mover, fazendo o mastodonte respirar fazendo o caçador correr e matar. veja como procuram apaziguar e entender o mundo acima isso eles sabem isso eles entendem há escuridão por toda a parte lá fora o escuro está … Continue lendo Neil Gaiman – A Escuridão Está à Espera

Angela Melim – Meu pai nos abandonou

Meu pai nos abandonou. Minha mãe casou e mudou. Vovó morreu. Os irmãos sumiram no mundo ou submundo. Sem explicação Yvonne nunca mais falou comigo e, para Ronaldo, sou fantasma do passado. Vejo meus filhos já voando. Nem um pássaro na mão. in http://asescolhasafectivas.blogspot.com.br/2007/12/angela-melim-mencionada-por-laura-erber.html

Luiz Olavo Fontes – Meu Amor de Soslaio

Faz tanto calor no Rio de Janeiro que é bom sentir essa neve partir de seu olhar in http://antoniocicero.blogspot.com.br/2008/07/luiz-olavo-fontes-meu-amor-de-soslaio.html

Emily Dickinson – Dizem que “O Tempo Consola”

Dizem que “O Tempo consola” — Mas não — na realidade, A vera dor, como um Tendão, Se fortalece, com a idade — O Tempo testa a Tristeza — Porém não a remedia — Se cura o Mal, prova apenas Que Mal deveras não havia — Trad.: Paulo Henriques Britto They say that “Time assuages” … Continue lendo Emily Dickinson – Dizem que “O Tempo Consola”

William Butler Yeats – “No Second Troy” em duas traduções (+ revisão do poema)

"No Second Troy", de William Butler Yeats, em duas traduções: por Augusto de Campos e Nelson Ascher. Bônus: uma revisão do poema