Categoria: Poesia em Língua Italiana
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Giacomo Leopardi – O Infinito

Sempre me foi cara esta colina ermaE esta sebe, que de muitos ladosExclui a visão do último horizonte.Mas sentado, contemplando, infindáveisEspaços além dela, e sobre-humanosSilêncios, e a mais profunda calmaEu no pensar imagino; e por poucoNão se amedronta o coração. E o VentoOuvindo sussurrar entre essas plantas,Aquele infinito silêncio a esta vozVou comparando: e lembra-me…
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Eugenio Montale – A enguia

A enguia, a sereiados mares frios que deixa o Bálticopara alcançar os nossos mares,nossos estuários, os riosque sobe pelas profundezas, contra a enxurrada,de braço em braço e depoisde veio em veio, cada vez mais delgados,sempre mais dentro, sempre mais perto do coraçãoda rocha, filtrando-sepor regos de lama até que um diauma luz desfechada dos castanheirosacende…
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Giuseppe Ungaretti – In Memoriam

Locvizza, 30 de setembro de 1916 Chamava-seMoammed Sceab Descendentede emires de nômadessuicidaporque não tinha maisPátria Amou a Françae mudou de nome Foi Marcelmas não era francêse já não sabiaviverna tenda dos seusonde se escuta a cantilenado Alcorãosaboreando um café E não sabiadesataro cantodo seu abandono Acompanhei-ojunto com a dona da pensãoonde vivíamosem Parisdo número 5…
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Patrizia Cavalli – Agora que

Agora que o tempo parece ser todo meue ninguém me chama para almoçar ou jantar,agora que posso ficar observandocomo uma nuvem desbota e se desfaz,como um gato atravessa o telhadono imenso luxo de uma aventura, agoraque todos os dias me esperaa duração ilimitada de uma noite,onde não há mais apelos e nem razãopara me despir…
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Antonia Pozzi – Novembro

E depois – quando eu partirrestará alguma coisade mimno meu mundo –restará um fino rasto de silênciono meio das vozes –um ténue sopro de brancono coração do azul – E numa noite de Novembrouma menina frágilà esquina de uma ruavenderá braçadas de crisântemose lá estarão as estrelasgélidas verdes distantes –Alguém choraráem algum lugar – em…
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Eugenio Montale – O lago de Annecy

Não sei por que minhas memórias te relacionamao lago de Annecyque visitei alguns anos antes de tua morte.Mas na época eu não pensava em ti, era joveme julgava ser o senhor do meu destino.Por que uma memória tão enterrada é capaz deaflorar eu não sei; tu mesmacertamente me enterraste e nem percebeste.Agora ressurges viva, embora…
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Giuseppe Ungaretti – Vigília

Cima Quatro, 23 de Dezembro de 1915 Toda uma noite em clarocaído ao ladode um companheiromassacradocom sua bocaarreganhadaexposta à lua cheiacom o hematomade suas mãoscravadoem meu silêncioescrevicartas cheias de amorNão tinha nunca estadotãoaferrado à vida Trad.: Nelson Ascher REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 22/12/2017 Veglia Cimma Quattro il 23 dicembre 1915 Un’intera nottatabuttato…
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Petrarca – Soneto CXXXIII (“O Amor me Assinalou com sua Seta”)

O amor me assinalou com sua seta,como a neve ao sol, como a cera ao fogo,como névoa ao vento; e já estou rouco,dama, de humilhar-me, feito um pateta. De teus olhos o golpe mortal veio,contra o qual tempo e espaço nada são;Vêm de ti, e vês como diversão,o sol, o fogo e o vento aos…
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Cesare Pavese – O paraíso sobre os telhados

Será um dia tranquilo, de luz friacomo o sol que nasce ou que morre, e o vidrofechará por fora o ar sórdido. Acorda-se uma manhã, de uma vez para sempre,na tepidez do último sono: A sombraserá como a tepidez. Encherá o quartopela grande janela um céu mais vasto.Da escada subida um dia para semprenão virão…
