Philip Roth – [Quando se visita uma sepultura]

Quando se visita uma sepultura, todo mundo tem pensamentos mais ou menos iguais, que, abstraída a questão da eloquência, não diferem muito daqueles que Hamlet expressou ao contemplar o crânio de Yorick. Há muito pouco para se pensar ou dizer que não seja uma variante de “Ele me carregou nos ombros mil vezes”. Num cemitério, … Continue lendo Philip Roth – [Quando se visita uma sepultura]

Jorge Valdés Días-Vélez – O olival

"O olival", um poema de Jorge Valdés Días-Vélez Não direi a oração que se pronuncia em outras ocasiões como esta. Eu vim para enterrar-te. E o meu silêncio é o outro lugar para onde foste. Porque não há mais verdade do que a tua memória e nada a dizer que tu não saibas (...)

Vinicius de Moraes – Cemitério Marinho

Cemitério Marinho, um poema de Vinicius de Moraes Tal como anjos em decúbito A conversar com o céu baixinho Existem cerca de cem túmulos Num lindo cemiteriozinho Que eu, a passeio, descobri Um dia em Sidi Bou Said. Mal defendidos por uns muros Erguidos ao sabor da morte Eu nunca vi mortos tão puros Mortos … Continue lendo Vinicius de Moraes – Cemitério Marinho

Rodrigo da Silva – Chegará um dia em que o seu coração parará de bater

Chegará um dia em que o seu coração parará de bater. A sua pupila dilatará. A sua pele ficará pálida e a sua temperatura corporal esfriará. Você ficará inteiramente esquálido; e então roxo. O seu sangue se tornará mais ácido com o acúmulo de dióxido de carbono. E as suas células começarão a se dividir, … Continue lendo Rodrigo da Silva – Chegará um dia em que o seu coração parará de bater

Ferreira Gullar – Notícia da Morte de Alberto da Silva

(Poema Dramático para Muitas Vozes)           I      Eis aqui o morto      chegado a bom porto      Eis aqui o morto      como um rei deposto      Eis aqui o morto      com seu terno curto      Eis aqui o morto      com seu corpo duro      Eis aqui o morto      enfim no seguro           II De barba feita, cabelo penteado jamais esteve tão bem … Continue lendo Ferreira Gullar – Notícia da Morte de Alberto da Silva

Philip Roth – Patrimônio (excerto 2)

Ele morreu três semanas depois. Durante uma provação de doze horas, que começou pouco antes da meia-noite de 24 doutubro de 1989 e terminou logo após o meio-dia, ele lutou por cada sorvo de ar com uma erupção impressionante, uma derradeira exibição da tenacidade férrea que havia demonstrado ao longo da vida. Algo digno de … Continue lendo Philip Roth – Patrimônio (excerto 2)

Philip Roth – Patrimônio (excerto)

"Quando se visita uma sepultura, todo mundo tem pensamentos mais ou menos iguais, que, abstraída a questão da eloquência, não diferem muito daqueles que Hamlet expressou ao contemplar o crânio de Yorick. Há muito pouco para se pensar ou dizer que não seja uma variante de “Ele me carregou nos ombros mil vezes”. Num cemitério, … Continue lendo Philip Roth – Patrimônio (excerto)

William Butler Yeats – Um aviador irlandês prevê a morte

Encontrarei meu fim no meio das nuvens de algum céu sobejo; os que combato, eu não odeio, também não amo os que protejo; Kiltartan Cross é meu país, seus pobres são a minha gente, nada a fará mais infeliz do que já era, ou mais contente. Não é por lei ou por dever, turba ou … Continue lendo William Butler Yeats – Um aviador irlandês prevê a morte

Denise Emmer – Da Morte

Os mortos não sobem aos céus nem elevam-se abstratos tornam-se apenas retratos lado a lado nas paredes. Retrato do avô imóvel austero e silencioso do tio tuberculoso que esquivo me espia. A avó já está fria mas me olha com ternura tece uma colcha escura para as bodas da família, Mortos não sobem trilhas de … Continue lendo Denise Emmer – Da Morte

Táxis Varvitsiótis – Assim também a morte

          À memória de Andréa Karandonis Asa ou marfim É tudo espesso Como o ferro e a madeira Como a proa inquebrável De um navio Rumo ao infinito Assim também a morte Espessa impenetrável Como galeria de mina Muro indestrutível Poço sem fundo Carvão aceso Para alcançar-lhe o duro cerne Tons de rasgar O pano entretecidos … Continue lendo Táxis Varvitsiótis – Assim também a morte