Mês: novembro 2022
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Ellen Bass – Pinheiros de Ponary

Pinheiros de Ponary Cem mil pessoas foram assassinadas pelos nazistas em Ponary, dez quilômetros a sudoeste de Vilnius, onde minha avó nasceu. Hoje está cinzento, garoa,mas não o suficiente para que as gotas se acumulemnas pontas das agulhas de prataou para encharcar as cascas dos pinheiros de Ponary –alguns deles com mais de um século.Eles…
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Ellen Bass – A longa recuperação

Quando você voltava para casa vindados campos de morango, eu despejavaa sujeira das barras de sua calça jeans,e removia a terra lamacenta dos joelhos.Isso me fazia querer lamber o suor do seu pescoço, provar o saldas fendas empoeiradas. Não, não,eu digo agora ao meu estúpido sexoque, como um cão, não consegue entender.Eu sei que sou…
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Ellen Bass – Índigo

Enquanto caminho pela West Cliff Drive, um homem correna minha direção empurrando um daqueles carrinhos de corridacom amortecedores para que o bebê continue dormindo,e ele de fato está. Consigo apenas ter um vislumbrede suas pálpebras quase translúcidas. O pai é jovem,uma jungle de índigo e cornalina tatuadosdos dedos ao maxilar, densas videiras e flores,santos e…
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Ellen Bass – Vamos

Vamos tirar nossas roupas e nos divertir.Podemos rolar como cães sem coleira na Lighthouse Beach1. Vamos exploraros corpos uma da outracomo uma liquidação de quatro de julho, revolvendo a orgiade tweed e sarja, seda e lantejoulas rodopiando em turbilhões.Buda diz para não discutir a não ser que seja necessário.Vamos abrir as ostras,banha-las com Martini seco,a…
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Ellen Bass – Quando você voltar

As folhas caídas retornarão às árvores.Os cacos do vaso estilhaçado subirãoe se remendarão sobre a mesa.As capas de chuva se dobrarão novamente em seus invólucros achatados. O ovo,a gema nua e seu halo transparentedeslizarão de volta para a fina casca de cálcio.Imprecações serão despejadas de volta nas bocas,cartas se desfarão sozinhas, palavras serãosugadas para dentro…
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Ellen Bass – Ode ao deus dos ateus

O deus dos ateus não irá queimá-lo na fogueiraou arrancar suas unhas. Tampouco o fará clamar ou se curvar, abrir a própria pele com espinhos,ou adquirir folhas de ouro e vitrais.Não insistirá que você jejue ou distorçaa forma de sua fome sexual.Não há guerras travadas nem mulheres apedrejadas em nome dele.Você não precisa encobrir o…
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Ellen Bass – Manhã

depois de Gwendolyn Brooks Na manhã de sua morte ela acordou agressiva, alguma força dormente revivera,insistente. Pela última vezcoloquei minha mãe sentada, desloquei a massa soltado seu corpo apoiando-o contra mim. Suas pernasressequidas penduradas junto às minhas, triunfosde vontade, todas as manhãs ela seobrigava a borrifar-se com perfume barato,içar os seios oscilantes para dentrodo sutiã,…
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Ellen Bass – Pleasantville, New Jersey, 1955

Eu nunca tinha visto um arco-íris ou colhidoum tomate de um tomateiro. Nunca havia atravessado um pomarou uma floresta. A única árvore que eu conheciacrescia em um quadrado de terra recortadodo asfalto, a amoreiraque meu pai estava matando lentamente, enfiandopregos de cobre em seu tronco.Mas em uma tarde quente de verãominha mãe me deixou arrastar…
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Ellen Bass – O começo do fim

Quando era jovem e casada, eu beijeioutro homem. À tarde, eu segurava o telefonegrande e antiquado, sua voz penetrando meu corpo,escorrendo pelos escuros corredores do desejo.E enquanto minha bebê engatinhava aos meus pés,mordendo um rolo de fita adesiva, eu tilintava minhas chaves,ou o que eu pudesse alcançar para mante-la quieta.Eu lhe dizia que iria a…
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Ellen Bass – Mais

Minha sogra não consegue mais cortar as unhas dos pésnem enxergar para arrancar os pelos do queixo.Ainda lhe resta o suficiente de sua mente para estar cientedo quanto ela está esmaecendo a cada dia.Pra quê? ela diz e rediz.Mas quando lhe pergunto se já está farta de tudo,ela responde que não, que quer outros dias.Ela…