Categoria: Ivan Junqueira
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Ivan Junqueira – O aeroplano

“O aeroplano”, um poema de Ivan Junqueira que transforma a lembrança da infância em voo breve, perdido para sempre no horizonte do tempo.
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Ivan Junqueira – Morrer

Pois morrer é apenas isto:cerrar os olhos vaziose esquecer o que foi visto; é não supor-se infinito,mas antes fáustico e ambíguo,jogral entre a história e o mito; é despedir-se em surdina,sem epitáfio melífluoou testamento sovina; é talvez como despiro que em vida não vestiae agora é inútil vestir; é nada deixar aqui:memória, pecúlio, estirpe,sequer um…
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Ivan Junqueira – Esse Punhado de Ossos

Esse punhado de ossos que, na areia,alveja e estala à luz do sol a pinomoveu-se outrora, esguio e bailarino,como se move o sangue numa veia. Moveu-se em vão, talvez, porque o destinolhe foi hostil e, astuto, em sua teiabebeu-lhe o vinho e devorou-lhe à ceiao que havia de raro e de mais fino. Foram damas…
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Ivan Junqueira – A Sagração dos Ossos

Considerai estes ossos– tíbios, inúteis, apócrifos –que sob a lápide dormemsem prédica que os conforte. Considerai: é o que sobrade quem lhes serviu de invólucroe agora já não se moveentre as tábuas do sarcófago. Dormem sem túnica ou togae, quando muito, um lençollhes cobre as partes mais nobres(as outras quedam-se à mostra, não dos que…
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Ivan Junqueira – Estamos indo embora

“Estamos indo embora”, um poema de Ivan Junqueira que evoca a transição de um ciclo de vida repleto de memórias, música e escrita, rumo a um destino desconhecido e inevitável.
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Ivan Junqueira – A tua data

Alguém só morre em sua data,que é única, ôntica, enfática.Nunca depende de quem vainem de quem fica ao pé da lápide. É quando o corpo, enfim, se acaba,e, se dele a alma se aparta,não cabe a ninguém afirmá-lo,nem se a tinha, em vida, o finado. É quando as lâmpadas se apagame trocam-se então os cenários,as…
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Ivan Junqueira – No Leito Fundo

No leito fundo em que descansas,em meio às larvas e aos livores,longe do mundo e dos terroresque te infundia o aço das lanças; longe dos reis e dos senhoresque te esqueceram nas andanças,longe das taças e das danças,e dos feéricos rumores; longe das cálidas criançasque ateavam fogo aos corredorese se expandiam, quais vapores,entre as alfaias…
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Ivan Junqueira – de “Três Meditações na Corda Lírica”

Only through time time is conquered.T. S. Eliot, Four Quartets, Burnt Norton, 92 I Deixa tombar teu corpo sobre a terrae escuta a voz escura das raízes,do limo primitivo, da limalhafina do que é findo e ainda respira.…
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Ivan Junqueira – Antes que o Sol se Ponha

Antes que o sol se ponha e seja tarde,e o azul crepuscular me deite a garra,e eu, nu, retorne à terra sem fanfarraou mortalha que o corpo me resguarde;antes que murche a pétala na jarra,e eu cale, para sempre, sem alarde,e tudo o que me coube, por covarde,não mais recorde a relva que se agarraàs…
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Ivan Junqueira – Lição

À beira do claustroo monge se inclinae na pedra aprendeo que a pedra ensina:que a vida é nadacom a morte por cima,que o tempo apenaseste fim lhe adiae que o ser carecede não ser ainda,pois à luz se esquivado que o purifica:a doce pedra,sem musgo ou limo,o pátio só,conquanto o sino,o ermo das coisassimples e…