Mês: junho 2022
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Yehuda Amichai – Outra Vez o Amor Terminou

Outra vez o amor terminou, como uma boa safra de laranjas,ou como uma boa temporada de escavações, que extraiu das profundezascoisas comovidas que buscavam o esquecimento. Outra vez o amor terminou. E como depois de se demoliruma casa grande e retirar os escombros, visitamoso terreno vazio e quadrado e dizemos: como era pequenoo lugar onde…
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Francisco Brines – Esplendor negro

Somente uma vez pudeste conhecer aquele Esplendor negro,e intermitentemente recordas a experiência vagamente,aproximações difusas, iminências,e assim, desde a tua juventude, arrastas frio,um invisível manto de cinza escarlate.E não foi necessário cegar os olhos,pois das luzes claras dos astroschegou aquele delírio, a possibilidade mais exata e simples:em vez de Deus ou do mundoaquele negro Esplendor,que nem…
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Alberto Ríos – Coelhos e fogo

Leia “Coelhos e fogo”, de Alberto Ríos, um poema impactante sobre sofrimento, compaixão e a vulnerabilidade de todos os seres vivos.
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Paulo Henriques Britto – de “Nenhuma Arte”

Os deuses do acaso dão, a quem nadalhes pediu, o que um dia levam embora;e se não foi pedida a coisa dadanão cabe se queixar da perda agora.Mas não ter tido nunca nada, nãoseria bem melhor — ou menos mau?Mesmo sabendo que uma solidãocompleta era o capítulo final,a anestesia valeria o preço?(Rememorar o que não…
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Lynn Emanuel – Minha vida

Como Jonas pelo peixe, eu fui por ela recebida,revirada e varrida por suas águas escuras,por ela conduzida para as profundezas e para além de incontáveis rochas.Sem ser tocada por seus dentes, caí nelasem um esforço maior que um grão de areiaentrando pela porta de uma catedral, tão largas eram suas mandíbulas.Desci, de cabeça e calcanhar,pela…
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Paulo Henriques Britto – De “Bonbonnière”

I A seletividade da memória —a cor exata da pele, a textura,o odor de cada côncavo e orifício,o lábio, a língua, o dente, o plexo solar, a sola do pé, o suor e asaliva, a coxa arisca, a dobra escura,o beijo salobro, o sabor difícil,a carne assombrada, o esperma perplexo — falsa perfeição, mero artifíciodo…
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Billy Collins – A vida após a morte

Enquanto você se prepara para dormir, escovando os dentes,ou folheando uma revista na cama,os defuntos do dia estão iniciando sua jornada. Eles se movem em todas as direções imagináveis,cada qual de acordo com sua crença pessoal,e este é o segredo que o silencioso Lázaro não quis revelar:todos estão certos, no fim das contas.Você vai para…
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Paulo Henriques Britto – De “Biographia Literária”

(…) ii Não volta mais, aquele voo cego rumo ao que nunca esteve lá, porémsó surge em pleno ar. E não renegoa rota tonta que segui. Ninguémse faz em linhas retas. Todo portoa que se chega é a meta desejada.E o caminho tomado, por mais torto,acaba sempre sendo a exata estradaa dar naquilo que, afinal,…
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Dorianne Laux – No limite

Depois que sua mãe morrer, você aprenderá a viverno limite da vida, a se segurarcomo ela fazia, uma mão no painel,a outra agarrando sua bolsa enquanto vocêpassa pelo sinal de pare, ombros tensos,olhos totalmente fechados, esperando pela colisãoque não vem. Você aprenderáa ficar acordada a noite toda sabendo que ela se foi,vendo a manhã se…