Marissa Davis – Singularidade

Singularidade (depois de Marie Howe) no início sem verboiguana & mirramagma & mariposa-fantasma do recife& os cordyceps fazendo cócegas em seus nervos& cedro & arquipélago & anêmonapássaro dodo & cardeal esperando por seu salvermelho do oceano & óleo cru agora lama preta agora o mais naïve plâncton hesitantecada ovo agarrado à cópia maleávelde mim não-mulher … Continue lendo Marissa Davis – Singularidade

Marie Howe – Singularidade

Singularidade (depois de Stephen Hawking) Você às vezes não gostaria de acordar para a singularidadeque um dia fomos? tão compactos ninguémprecisava de cama, ou comida, ou dinheiro — ninguém se escondendo no banheiro da escolaou sozinho em casa abrindo a gavetaonde os comprimidos são guardados. Pois cada átomo que pertence a mimPertence a você. Lembra-se? … Continue lendo Marie Howe – Singularidade

Jorge Valdés Díaz-Vélez – Ex libris

Eu reli novamente aqueles versosque falavam de amor e que lemosna noite em que ardeu Troia e nos perdemosno fundo de seus negros universos. Ouvi em cada folha os maciosrelevos de tua pele em que achamoshaver bebido ao sol em seus racemose ao mar que refletia em seus cicios fartos nossa ascensão ao precipício.Fareja-se a … Continue lendo Jorge Valdés Díaz-Vélez – Ex libris

Louise Glück – Abundância

Um vento frio sopra nas noites de verão, agitando o trigo.O trigo se curva, as folhas dos pessegueirosfarfalham noite afora. No escuro, um menino cruza o campo:pela primeira vez, ele tocou uma garotae então volta para casa como um homem, com a fome de um homem. Lentamente, as frutas amadurecem —cestas e mais cestas delas … Continue lendo Louise Glück – Abundância

Edna St. Vincent Millay – Até tarde

Com a faca cega do Sono, se quiser,Corte cada dia pela metade, amado —Os anos que o Tempo tira do meu viver,Ele deduzirá daquele outro lado! Trad.: Nelson Santander   Midnight Oil * Cut if you will, with Sleep's dull knife,Each day to half its length, my friend,—The years that Time takes off my life,He'll … Continue lendo Edna St. Vincent Millay – Até tarde

Derek Mahon – Vai ficar tudo bem

Como eu não ficaria feliz em contemplaras nuvens que se dissipam além da janela do sótãoe a maré alta refletida no teto?Haverá mortes, haverá mortes,mas não há necessidade de falar sobre isso.Os poemas fluem espontaneamente da mãoe a fonte oculta é o coração vigilante.O sol se levanta, apesar de tudo,e as distantes cidades são belas … Continue lendo Derek Mahon – Vai ficar tudo bem

Linda Hogan – Cruzamentos

Há um lugar no centro da terraonde um oceano se dissolve dentro de outroem um amor negro e sacro;É por isso que as baleias de um oceanoconhecem as canções que vem de outro,porque uma coisa se torna outrae a areia escorre da ampulhetapara um outro tempo.Vi uma vez um feto de baleiaem um breu de … Continue lendo Linda Hogan – Cruzamentos

Francisco Brines – Ardemos na floresta

Mas como conhecer, sem o olhar,a beleza da floresta, a grandeza do mar? A floresta estava atrás de mim; meus ouvidosa conheciam: o farfalhar de suas folhas,a confusão do canto de seus pássaros.Sons que vinham de um remoto lugar.E o mar do outro lado, golpeandosua fronte, sem roça-la,cobrindo-a de gotas. Era minha peleque descobria seu … Continue lendo Francisco Brines – Ardemos na floresta

Mary Oliver – Nenhuma viagem

Eu acordo mais cedo, agora que os pássaros chegaram E cantam nas árvores inabaláveis. Em um catre junto a uma janela aberta Eu me estendo como campo consumido, enquanto desabrocha a primavera. Agora, de todos os viajantes de que me lembro, quem dentre eles Não embarcou com pesar em seus mapas? — Até parece que … Continue lendo Mary Oliver – Nenhuma viagem

Matthew Arnold – Praia de Dover

O mar esta noite descansa.A maré está cheia, a lua, maravilhosaSobre os estreitos; a luz na costa da FrançaCintila e se vai; as falésias da Inglaterra se elevam,Cintilantes e vastas, na baía sem agitação.Venha para a janela, doce é a noturna brisa!Apenas, da longa linha de aspersãoOnde o mar e a lua se encontram,Escute! ouça … Continue lendo Matthew Arnold – Praia de Dover