Jules Laforgue – O silêncio azul

Por todo o transcorrido eterno e no vindouro, A Noite universal povoa-se infinita E cegamente em coágulos onde se agita A vida que rabisca em arabescos de ouro. Eis que um daqueles, tão desassistido e só, Junto a seus deuses, artes, erros e mania, Seu lodaçal, miséria e cantos de ironia, Escreve história, grita ao … Continue lendo Jules Laforgue – O silêncio azul

Jules Laforgue – Penúltima palavra

O Espaço? – A vida Ida Sem traço. O amor? – Seu preço: Desprezo E dor. O sonho? – Infindo, É lindo (Suponho). Que vou Fazer Do ser Que sou? Isto, Aquilo, Aqui, Ali. Trad.: Augusto de Campos   Avant-dernier mot L'Espace? – Mon Coeur Y meurt Sans traces... La Femme? – J'en sors, La … Continue lendo Jules Laforgue – Penúltima palavra

Jules Laforgue – Spleen

​Tudo é tédio. Manhã. Olho pela janela. No alto, risca-se o céu no giz da chuva fria. Em baixo, a rua. Sob a cerração sombria Vultos deslizam na água turva de barrela. Olho sem ver (até meu cérebro regela) Maquinalmente sobre o vidro que embacia Meu dedo faz rabiscos de caligrafia. Bah! Saiamos. Quem sabe, … Continue lendo Jules Laforgue – Spleen

Jules Laforgue – Mediocridade

No infinito coberto de eternas belezas, Como átomo perdido, incerto, solitário, Um planeta chamado Terra, dias contados, Voa com os seus vermes sobre as profundezas. Filhos sem cor, febris, ao jugo do trabalho, Marchando, indiferentes ao grande mistério, E quando um dos seus é enterrado, já sérios, Saúdam-no. Do torpor não são arrancados. Viver, morrer, … Continue lendo Jules Laforgue – Mediocridade