Tag: José Paulo Paes
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Konstantinos Kaváfis – Desejos (em 3 traduções)

DESEJOS – Trad. José Paulo Paes Belos corpos de mortos que nunca envelheceram,com lágrimas sepultos em mausoléus brilhantes,jasmim nos pés, cabeça circundada de rosas –assim são os desejos que um dia feneceramsem chegar a cumprir-se, sem conhecerem anteso prazer de uma noite ou a manhã luminosa. DESEJOS – Trad. Ísis Borges da Fonseca Como belos…
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Rainer Maria Rilke – A Pantera (em 3 traduções)

A PANTERA – trad. Augusto de Campos (No Jardim des Plantes, Paris) De tanto olhar as grades seu olharesmoreceu e nada mais aferra.Como se houvesse só grades na terra:grades, apenas grades para olhar. A onda andante e flexível do seu vultoem círculos concêntricos decresce,dança de força em torno a um ponto ocultono qual um grande…
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Konstantinos Kaváfis – O Prazo de Nero

Não ficou perturbado Nero quando ouviudo Oráculo de Delfos o prenúncio:“Teme ao ano septuagésimo terceiro.”Tinha tempo bastante a desfrutar.Só contava trinta anos. Muito dilatadoera o prazo que o Deus lhe concediapara cuidar-se dos riscos do futuro. Agora vai voltar a Roma um tanto fatigadoda magnífica fadiga que se traz de uma viagemtoda feita de dias…
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Giórgos Seféris – Existe

Existe, pelos deuses cruéis predestinada,uma dor universal,e cada um de nós dela pega a sua parte,quanto aguente levar. Julgamos insensatosos que, carregando pressurosamente nos ombrosmais do que podiam carregar,aliviam assim a carga comum:os heróis, os mártires, os criminosos. Rogo-lhes que nos perdoem.Recordamos. Trad.: José Paulo Paes REPUBLICAÇÃO: poema originalmente publicado na página em 22/02/2016
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José Paulo Paes – Revisitação

Cidade, por que me persegues? Com os dedos sangrandojá não cavei em teu chãoos sete palmos regulamentarespara enterrar meus mortos?Não ficamos quites desde então? Por que insistesem acender toda noiteas luzes de tuas vitrinascom as mercadorias do sonhoa tão bom preço? Não é mais tempo de comprar.Logo será tempo de viajarpara não se sabe onde.Sabe-se…
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Konstantinos Kaváfis – Um velho

No meio do café ruidoso, sem ninguém,por companhia, está sentado um velho. Temà frente um jornal e se inclina sobre a mesa. Imerso na velhice aviltada e sombria,pensa quão pouco desfrutou as alegriasdos anos de vigor, eloqüência, beleza. Sabe que envelheceu bastante. Vê, conhece.No entanto, o seu tempo de moço lhe pareceser ainda ontem: faz…
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Konstantinos Kaváfis – Vozes

Vozes queridas, vozes ideaisdaqueles que morreram ou daqueles que estãoperdidos para nós, como se mortos. Eles nos falam em sonho, algumas vezes;outras vezes, em pensamento as escutamos. E, quando soam, por um instante eis que retornamos sons da poesia primeva em nossa vida,qual música distante que se perde noite afora. Trad.: José Paulo Paes REPUBLICAÇÃO:…
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Konstantinos Kaváfis – A cidade

Dizes: “Eu vou para outras terras, eu vou para outro mar.Hão de existir outras cidades melhores do que esta.De todo o esforço feito – estava escrito – nada restae sepultado qual um morto eu tenho o coração.Até quando vai minha alma ficar nesta inação?Onde quer que eu olhe, para onde quer que eu volte a…

