Ursula K. Le Guin – Como me parece

No vasto abismo antes do tempo, o eunão existe, e a alma se misturacom a névoa, a rocha e a luz. No tempo certo,a alma atrai o nebuloso eu para o ser.Então, lentamente, o tempo petrifica o euenquanto ilumina a alma,até que a alma perde o controle do eue ambos se libertam e podem retornarà … Continue lendo Ursula K. Le Guin – Como me parece

Mary Oliver – O véu

Há momentos em que o véu parecequase se levantar, e compreendemos o quea terra significa para nós — asárvores em sua docilidade, as colinas emsua paciência, as flores e asvideiras em sua selvagem, doce vitalidade.A Palavra, então, está em nós, e o Livro, posto de lado. Trad.: Nelson Santander Conheça outros livros de Mary Oliver … Continue lendo Mary Oliver – O véu

Solmaz Sharif – Treinamento de habilidades sociais

Estudos sugerem que Como posso ajuda-lo, policial? é a coisa mais desarmante a dizer, e não Qual é o problema? Estudos sugerem que a melhor resposta a um pedido de ajuda é Com prazer e não Sem problema. Estudos sugerem que é melhor não mencionar problema diante do poder, mesmo para dizer que não há … Continue lendo Solmaz Sharif – Treinamento de habilidades sociais

Louise Glück – Santas

Em nossa família, havia duas santas,minha tia e minha avó.Mas suas vidas foram diferentes. Minha avó era tranquila, mesmo no final.Ela parecia uma pessoa caminhando em águas calmas;por alguma razãoo mar não conseguiu feri-la.Quando minha tia enveredou pelo mesmo caminho,as ondas quebraram sobre ela, atacaram-na,que é como as Fiandeiras do Destino respondema uma verdadeira natureza … Continue lendo Louise Glück – Santas

Mary Oliver – Canção dos construtores

Em uma manhã de verãosentei-meem uma encostapara pensar em Deus— um nobre passatempo.Perto de mim, vium grilo solitário;estava movendo os grãos da encosta de um lado para o outro.Quão grande era sua energia,quão humilde o seu esforço.Esperemos que seja sempre assim,cada um de nós avançandopor nossos inexplicáveis caminhosconstruindo o universo. Trad.: Nelson Santander Conheça outros … Continue lendo Mary Oliver – Canção dos construtores

Adrienne Rich – Fotografias do Hubble: Após Sappho

https://vimeo.com/332596348 Deve ser a visão mais desejada de todasa pessoa com quem você espera viver e morrer entrando numa sala, voltando-se para olhar para você, vis-à-visDeveria haver ainda algo mais desejável: a ex-estase das galáxias,tão afastadas de nós que não há vocabulário mas equações matemáticas e óticasque permitem que a visão atravesse o tempo em … Continue lendo Adrienne Rich – Fotografias do Hubble: Após Sappho

Edward Field – Ícaro

Apenas as penas flutuando ao redor do chapéuMostravam que algo mais espetacular havia ocorridoAlém do afogamento habitual. A polícia preferiu ignorarOs aspectos confusos do casoE as testemunhas correram para uma guerra de gangues.Assim, o relatório arquivado e esquecido nos registros dizia simplesmente“Afogado,” mas estava errado: ÍcaroTinha nadado para longe, chegando finalmente à cidadeOnde alugou uma … Continue lendo Edward Field – Ícaro

Joan Margarit – Separado

A casa se abre para uma calçadaonde não me espera ninguém.Aqui sem ti. Um estranho.Foi aqui que eu me perdi.Caminho sem mim, contigo.Minha sombra é apenas um erro,vem dos lugares mais gélidos:teu coração e tuas mãos.Por isso eu parti.A vida desconhecidaeu a vivi sem ti.A teu lado. Trad.: Nelson Santander Separado La casa se abre … Continue lendo Joan Margarit – Separado

Lynn Ungar – Pandemia

E se pensasses nissoda mesma forma que os judeus consideram o Sabbath —o mais sagrado dos tempos?Cessa com as viagens.Cessa com as compras e as vendas.Desiste, por enquanto,de tentar fazer o mundodiferente do que é.Canta. Reza. Toca apenas aquelesa quem confias tua vida.Alcança o equilíbrio. E quando teu corpo estiver imóvel,expande o teu coração.Compreende que … Continue lendo Lynn Ungar – Pandemia

Carolyn Forché – Dois poemas

Penso em você naquele mar de túmulos além da cidade,onde muitas pedras foram deixadas, entre elas a minha: uma pequena lasca de dolomita para pesar um pedaço de papel.Eu teria colocado suas luvas e o guarda-chuva no caixão, juntamente com uma manhã em Berlin com Tanya, uma horade pombos ascendendo ao seu redor, lilases embrulhados … Continue lendo Carolyn Forché – Dois poemas