Tag: Carpe Diem
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Andrew Marvell – To His Coy Mistress, em 5 traduções

PARA SUA DAMA RECATADAtrad. Matheus “Mavericco” Houvesse tempo e espaço e então de fatoNão seria um delito este recato.Sentados, nós iríamos pensarEm só pensar no outro, e assim passar.Você, do lado indígena do Ganges,Achando rubis, e eu, pois me confrangeA dor, junto ao Humber. Décadas antesDo Dilúvio eu te juro amor, e, instantesDepois, se quiser,…
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Ernest Dowson – Vitae Summa Brevis Spem Nos Vetat Incohare Longan

Vitae Summa Brevis Spem nos Vetat Incohare Longam A brevidade da vida impede que possamos acalentar longas esperanças – Horácio A alegria, o desejo, o pranto, o amorE a raiva duram pouco.Nada disso, que eu saiba, há de transporO umbral conosco. Poucos dias de rosas e de vinho:Surge num vago sonhoE logo se desfaz nosso…
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Homenagem a Ricardo Reis

Não creias, Lídia , que nenhum estioPor nós perdido possa regressarOferecemos a florQue adiámos colher. Cada dia te é dado uma só vezE no redondo círculo da noiteNão existe piedadePara aquele que hesita Mais tarde será tarde e já é tardeO tempo apaga tudo menos esseLongo indelével rastoQue o não – vivido deixa. Não creias…
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Ricardo Reis – Vem Sentar-te Comigo, Lídia, à Beira do Rio

Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamosQue a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas. (Enlacemos as mãos.) Depois pensemos, crianças adultas, que a vidaPassa e não fica, nada deixa e nunca regressa,Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado, Mais longe que os deuses. Desenlacemos…
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Catulo – Vivamus, mea Lésbia, ataque amemus

Vivamos minha Lésbia, e amemos,e as graves vozes velhas– todas –valham para nós menos que um vintém.Os sóis podem morrer e renascer:quando se apaga nosso fogo brevedormimos uma noite infinita.Dá-me pois mil beijos, e mais cem,e mil, e cem, e mil, e mil e cem.Quando somarmos muitas vezes milmisturaremos tudo até perder a conta:que a…
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William Butler Yeats – “When you are old” em 4 traduções

“When you are old and grey and full of sleep”, poema de William Butler Yeats, nas traduções de José Agostinho Baptista, Adriano Nunes, Paulo Vizioli e Jorge Wanderley
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Konstantinos Kaváfis – Um velho

No meio do café ruidoso, sem ninguém,por companhia, está sentado um velho. Temà frente um jornal e se inclina sobre a mesa. Imerso na velhice aviltada e sombria,pensa quão pouco desfrutou as alegriasdos anos de vigor, eloqüência, beleza. Sabe que envelheceu bastante. Vê, conhece.No entanto, o seu tempo de moço lhe pareceser ainda ontem: faz…
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Indrė Valantinaitė – Provavelmente serei uma velha magra

Provavelmente serei uma velha magra Rasgando seus beijos e seus medosEla acorda à noite Para se maravilhar com tudo que a substituiu. Paul Éluard Em 2055, provavelmente serei uma velha magra que ocupa pouco espaço nos ônibus e nas filas. Daqui a meio século, apenas o espelho do banheiro e os médicos olharão para o…

