Javier Salvago – Quinta-feira Santa

A mesma lua, o mesmo
aroma de laranjeiras
perfumando as ruas,
onde a vida explode

em uma multidão de corpos
que se atraem e se procuram.
Calor de primavera
na pele e no ar.

Jovens incansáveis,
como nós naquele tempo,
percorrem a cidade
bêbados de desejo

— jovens com invernos
de abstinência que sentem,
como Ele, que seu reino
também não é deste mundo —.

Os tambores nos lembram
que estão indo para o patíbulo.
Perante chorosas virgens,
com despudor, os deuses

que vão morrer se beijam
— como os deuses que ontem fomos —,
sem remédio nem culpa,
na cruz dos anos.

Trad.: Nelson Santander

Jueves Santo

La misma luna, el mismo
perfume del naranjo
aromando las calles,
donde la vida estalla

en multitud de cuerpos
que se atraen y se buscan.
Calor de primavera
en la piel y en el aire.

Jóvenes incansables,
como entonces nosotros,
recorren la ciudad
borrachos de deseo

— jóvenes con inviernos
de abstinencia, que sienten,
como Aquél, que tampoco
su reino es de este mundo —.

Los tambores recuerdan
que se marcha al patíbulo.
Ante llorosas vírgenes,
con descaro, se besan

dioses que morirán
— como el dios que ayer fuimos —,
sin remedio ni culpa,
en la cruz de los años.

William Butler Yeats – “When you are old and grey and full of sleep” em 4 traduções

Quando fores velha, grisalha, vencida pelo sono – Trad.: José Agostinho Baptista

Quando fores velha, grisalha, vencida pelo sono,
Dormitando junto à lareira, toma este livro,
Lê-o devagar, e sonha com o doce olhar
Que outrora tiveram teus olhos, e com as suas sombras profundas;

Muitos amaram os momentos de teu alegre encanto,
Muitos amaram essa beleza com falso ou sincero amor,
Mas apenas um homem amou tua alma peregrina,
E amou as mágoas do teu rosto que mudava;

Inclinada sobre o ferro incandescente,
Murmura, com alguma tristeza, como o Amor te abandonou
E em largos passos galgou as montanhas
Escondendo o rosto numa imensidão de estrelas.

 

Quando fores velha e triste e cansada – Trad.: Adriano Nunes

Quando fores velha e triste e cansada,
E em ordem co’ o fogo, pega este livro
E lê lentamente, e lembra o olhar vivo
Que tinhas, e da sombra aprofundada.

Amaram-te dias de graça grácil,
E teu fulgor co’ amor falso ou sincero,
Mas amou-te um ser n’alma o destempero,
E as mágoas da tua face volátil.

E curvando-te à grade incandescente,
Murmura, amarga, como o amor fugiu
E seguiu monte acima, a subir sempre
E a face em grupos d’astros encobriu.

 

Quando velha e grisalha e exausta – Trad.: Paulo Vizioli

Quando velha e grisalha e exausta, ao fim do dia,
tu cabeceares junto ao fogo, vem folhear
lentamente este livro, e lembra o doce olhar
e as sombras densas que nos olhos teus havia.

Quantos, com falsidade ou devoção sincera,
amaram-te a beleza e graça de menina!
Um só, porém, amou tua alma peregrina,
e amou as dores desse rosto que se altera.

E junto às brasas, inclinando-se sobre elas,
murmura, um pouco triste, como o amor distante
passou por cima das montanhas adiante,
e escondeu sua face entre um milhão de estrelas.

 

Quando estiveres grisalha e com sono – Trad.: Jorge Wanderley

Quando estiveres grisalha e com sono,
Dormitando ante o fogo, lê meu livro
Bem lentamente e lembra o sensitivo
Olhar que tinhas de suave abandono.

Muitos amaram tuas alegrias,
Tua beleza; mas só num culmina
O amor por tua alma peregrina
E a mágoa que teu rosto pressentia.

Reclina-te ante as chamas; e ao vê-las
Lamentes, triste Amor – que te deixou
Pelos montes mais altos que encontrou
E o rosto disfarçou entre as estrelas.

 

When you are old and grey and full of sleep

When you are old and grey and full of sleep,
And nodding by the fire, take down this book,
And slowly read, and dream of the soft look
Your eyes had once, and of their shadows deep;

How many loved your moments of glad grace,
And loved your beauty with love false or true,
But one man loved the pilgrim soul in you,
And loved the sorrows of your changing face;

And bending down beside the glowing bars,
Murmur, a little sadly, how Love fled
And paced upon the mountains overhead
And hid his face amid a crowd of stars.

Jane Kenyon – Diferente

Pulei da cama
com duas pernas saudáveis.
Poderia ter sido
diferente. Nutri-me de
cereais, leite
açucarado, impecáveis
pêssegos maduros. Poderia
ter sido diferente.
Guiei o cão morro acima,
em direção ao bosque.
A manhã toda eu fiz
o trabalho que amo.

Ao meio dia me deitei
com meu companheiro. Poderia
ter sido diferente.
Jantamos juntos
em uma mesa com castiçais
prateados. Poderia
ter sido diferente.
Dormi em uma cama
num quarto com quadros
nas paredes, e
planejei outro dia
como este.
Mas um dia, eu sei,
será diferente.

Trad.: Nelson Santander

N. do T.: A poetisa e tradutora Jane Kenyon faleceu de leucemia, em abril de 1995, aos 47 anos de idade, pouco depois de escrever este poema. Mais do que ninguém, ela sabia que, em breve, tudo seria diferente.

Otherwise

I got out of bed
on two strong legs.
It might have been
otherwise. I ate
cereal, sweet
milk, ripe, flawless
peach. It might
have been otherwise.
I took the dog uphill
to the birch wood.
All morning I did
the work I love.

At noon I lay down
with my mate. It might
have been otherwise.
We ate dinner together
at a table with silver
candlesticks. It might
have been otherwise.
I slept in a bed
in a room with paintings
on the walls, and
planned another day
just like this day.
But one day, I know,
it will be otherwise.

Konstantinos Kaváfis – Um velho

No meio do café ruidoso, sem ninguém,
por companhia, está sentado um velho. Tem
à frente um jornal e se inclina sobre a mesa.

Imerso na velhice aviltada e sombria,
pensa quão pouco desfrutou as alegrias
dos anos de vigor, eloqüência, beleza.

Sabe que envelheceu bastante. Vê, conhece.
No entanto, o seu tempo de moço lhe parece
ser ainda ontem: faz tão pouco, faz tão pouco. ..

Medita no quanto a Prudência dele rira;
em como acreditara sempre na mentira
do “Deixa para amanhã. Há tempo.” Que louco!

Pensa nos ímpetos que teve de conter,
nas alegrias frustras por seu tolo saber,
que cada ocasião perdida agora escarnece.

Porém, tanto pensar, tanta recordação,
põem o velho confuso, e sobre a mesa, então,
daquele café, debruçado, ele adormece.

Trad.: José Paulo Paes

Luis Alberto de Cuenca – Só o silêncio salva

Só o silêncio salva, companheiro.
Só o silêncio salva. Se tiveste
uma noite gloriosa em que Afrodite
sorriu para ti e Baco encheu-te
a taça sem cessar, pensa que em breve,
quando e noite se for,
teus amigos voltarem para casa
e começar a amanhecer, só o silêncio
te salvará, rapaz. Tem isso em conta.

Trad.: Nelson Santander

Sólo el silencio salva

Sólo el silencio salva, compañero.
Sólo el silencia salva. Si has tenido
una noche gloriosa en que Afrodita
te ha sonreído y Baco te ha llenado
la copa sin cesar, piensa que luego,
cuando la oscuridad se desvanezca,
tus amigos se marchen a sus casas
y empiece a amanecer, sólo el silencio
va a salvarte, muchacho. Tenlo en cuenta.

Luís de Góngora – Estamos desperdiçando a páscoa, moças

Estamos desperdiçando a páscoa, moças,
Estamos desperdiçando a páscoa!

Moçoilas do meu distrito,
Louquinhas e confiantes,
Que não vos engane o tempo,
a idade e a confiança.
Não deixeis cortejar-vos
o frescor da juventude,
porque de flores caducas
tece o tempo suas grinaldas.

Estamos desperdiçando a páscoa, moças,
Estamos desperdiçando a páscoa!

Voam os velozes anos,
e com pressurosas asas
nos afanam, como harpias,
nossas saborosas carnes.
É a flor da maravilha
Que a verdade nos declara,
Porque subtrai à tarde
O que lhe deu a manhã.

Estamos desperdiçando a páscoa, moças,
Estamos desperdiçando a páscoa!

Notai que quando pensais
que os sinos da vida anun-
ciam os sinais da aurora
já é o fim, e os apartam
de vossa cor e esplendor,
de vossa elegância e graça,
e estais todas perdidas,
além das próprias idades.*

Estamos desperdiçando a páscoa, moças,
Estamos desperdiçando a páscoa!

Sei de uma boa velhinha
Que um dia foi loira e clara
E hoje muito lhe custa
Entrever o próprio rosto,
Porque sua lustrosa face
E suas bochechas estão
Mais murchas e enrugadas
Do que roquete de bispo.

Estamos desperdiçando a páscoa, moças,
Estamos desperdiçando a páscoa!

E sei de outra boa idosa
Com um dente cai-não-cai
Deixou-o no outro dia
Sepultado em chantili,
E com lágrimas lhe disse:
“Dente meu de minha alma,
Eu sei quando foste pérola,
E agora não és mais branco.”

Estamos desperdiçando a páscoa, moças,
Estamos desperdiçando a páscoa!

Por isso, moçoilas loucas,
Antes que a velhice avara
Os loiros cabelos fulvos
Converta em luzente prata,
Amai quando amadas fordes,
Se houver oportunidade.

Trad.: Nelson Santander

¡Que se nos va la Pascua, mozas

¡Que se nos va la Pascua, mozas,
Que se nos va la Pascua!

Mozuelas las de mi barrio,
Loquillas y confiadas,
Mirad no os engañe el tiempo,
La edad y la confianza.
No os dejéis lisonjear
De la juventud lozana,
Porque de caducas flores
Teje el tiempo sus guirnaldas.

¡Que se nos va la Pascua, mozas,
Que se nos va la Pascua!

Vuelan los ligeros años,
Y con presurosas alas
Nos roban, como harpías,
Nuestras sabrosas viandas.
La flor de la maravilla
Esta verdad nos declara,
Porque le hurta la tarde
Lo que le dio la mañana.

¡Que se nos va la Pascua, mozas,
Que se nos va la Pascua!

Mirad que cuando pensáis
Que hacen la señal del alba
Las campanas de la vida,
Es la queda, y os desarman
De vuestro color y lustre,
De vuestro donaire y gracia,
Y quedáis todas perdidas
Por mayores de la marca.*

¡Que se nos va la Pascua, mozas,
Que se nos va la Pascua!

Yo sé de una buena vieja
Que fue un tiempo rubia y zarca,
Y que al presente le cuesta
Harto caro el ver su cara,
Porque su bruñida frente
Y sus mejillas se hallan
Más que roquete de obispo
Encogidas y arrugadas.

¡Que se nos va la Pascua, mozas,
Que se nos va la Pascua!

Y sé de otra buena vieja,
Que un diente que le quedaba
Se lo dejó este otro día
Sepultado en unas natas,
Y con lágrimas le dice:
«Diente mío de mi alma,
Yo sé cuándo fuistes perla,
Aunque ahora no sois caña.»

¡Que se nos va la Pascua, mozas,
Que se nos va la Pascua!

Por eso, mozuelas locas,
Antes que la edad avara
El rubio cabello de oro
Convierta en luciente plata,
Quered cuando sois queridas,
Amad cuando sois amadas,
Mirad, bobas, que detrás
Se pinta la ocasión calva.

¡Que se nos va la Pascua, mozas,
Que se nos va la Pascua!

Nota do tradutor: de acordo com Dámaso Alonso as expressões “mayor es de la marca” ou “de más de lamarca” se referiam a espadas ou outros objetos que excediam o tamanho permitido. Cervantes a emprega inúmeras vezes referindo-se a espadas. A expressão se generalizou e logo passou a significar “o que excedia o permissível ou tolerável” (…) Desta ampliação de significado se vale Góngora para dizer que as moças estarão perdidas, mais velhas do que a própria idade para o amor” (ALONSO, Dámaso. Góngora y el Polifemo. v. 2. Madrid: Gredos, 1967 – https://revistas.ufpr.br/letras/article/download/18945/12265 ).

Ricardo Molina – Convite à Felicidade

        Es dulce ser amado pero amar,
        oh dioses, qué ventura…
        Goethe

Ama-me agora que tenho os cabelos pretos
e uma coroa de junco
e o perfume da água e da esteva
nos braços nus.

Ama-me agora que tenho nos olhos
a suave chama da tarde
e a graça do sorriso
e a leve frescura dos mananciais.

Ama-me agora que tenho nos lábios
o fogo deslumbrante do meio-dia
e a serenidade do céu em minha face.

Ama-me agora que tenho no pescoço
o resplendor dos lírios queimados.
Ama-me agora que corre pelos meus ombros
a torrente divina do desejo.
Ama-me agora que tenho o peito ébrio
como uma flor de videira.

Agora e não depois, agora e não amanhã,
agora que beija minha alma todo teu corpo
confundindo tua respiração com a dos meus lábios.

Beija-me agora que é primavera
e o Chamariz canta e voa em uma árvore,
agora, meu amor, que estamos em maio,
e zunem no ar as abelhas,
agora que tudo é belo e feliz,
agora e não amanhã,
agora e não depois.

Beija-me os lábios, os cabelos, os ombros
agora que nos pomares floridos
é tão doce a flor primeira da romãzeira.

Dá-me todo teu amor agora, meu amor,
não vês que sou na terra bendita,
doce como a árvore do paraíso?

Agora que sou uma nascente virgem
onde cada onda é uma carícia,
uma colina verde
onde cada pequena flor é um lábio aceso,
um vale misterioso
onde cada vento é um suspiro,
um rio de amores
cuja música frágil é o teu nome.

Não são nossos estes dias tão belos?
Não é bela a terra sob o sol e a lua?
Não fala tudo de amor, da alvorada ao entardecer?

Ama-me!
Agora e não amanhã, agora e não depois!

Trad.: Nelson Santander

Invitación a la dicha

        Es dulce ser amado pero amar,
        oh dioses, qué ventura…
        Goethe

Ámame ahora que tengo los cabellos negros
y una corona de junco
y el perfume del agua y de la jara
en los brazos desnudos.

Ámame ahora que tengo en los ojos
la suave llama de la tarde
y la gracia de la sonrisa
y la leve frescura de los manantiales.

Ámame ahora que tengo en los labios
el fuego deslumbrante del Mediodía
y la serenidad del cielo en las mejillas.

Ámame ahora que tengo en el cuello
el resplandor de los lirios quemados.
Ámame ahora que corre por mis hombros
el torrente divino del deseo.
Ámame ahora que tengo el pecho ebrio
como una flor de vino.

Ahora y no luego, ahora y no mañana,
ahora que besa mi alma todo tu cuerpo
confundiendo su aliento al de mis labios.

Bésame ahora que es primavera
y el chamariz canta y vuela en un árbol,
ahora, amor mío, que estamos en mayo
y zumban en el aire las abejas,
ahora que todo es hermoso y feliz,
ahora y no mañana,
ahora y no luego.

Bésame los labios, el cabello, los hombros
ahora que en los huertos florecidos
es tan dulce la flor primera del granado.

Dame todo tu amor ahora, amor mío,
¿no ves que soy en la tierra dichosa,
dulce como el árbol del paraíso?

Ahora que soy un manantial virgen
donde cada onda es una caricia,
una colina verde
donde cada florecilla es un labio encendido,
un valle misterioso
donde cada viento es un suspiro,
un río de amores
cuya música frágil es tu nombre.

¿No son nuestros estos días tan bellos?
¿No es hermosa la tierra bajo el sol y la luna?
¿No habla todo de amor desde el alba a la tarde?

¡Ámame!
¡Ahora y no mañana; ahora y no luego!

Editado em 08/04/2019: O internauta pabloalf me alertou para um poema da uruguaia Juana de Ibarbourou, chamado “La Hora”, que é muito parecido com o poema acima, de Ricardo Molina. Teria havido plágio? Se sim, quem teria plagiado quem?
Para fins de comparação, segue o poema da escritora uruguaia e a bela tradução feita por Maria Teresa Almeida Pina (peguei aqui: http://blogs.utopia.org.br/poesialatina/a-hora-juana-de-ibarbourou/).

Juana de Ibarbourou – La hora

Tómame ahora que aún es temprano
y que llevo dalias nuevas en la mano.

Tómame ahora que aún es sombría
esta taciturna cabellera mía.

Ahora , que tengo la carne olorosa,
y los ojos limpios y la piel de rosa.

Ahora que calza mi planta ligera
la sandalia viva de la primavera

Ahora que en mis labios repica la risa
como una campana sacudida a prisa.

Después… !oh, yo sé
que nada de eso más tarde tendré!

Que entonces inútil será tu deseo
como ofrenda puesta sobre un mausoleo.

¡Tómame ahora que aún es temprano
y que tengo rica de nardos la mano!

Hoy, y no más tarde. Antes que anochezca
y se vuelva mustia la corola fresca.

hoy, y no mañana. Oh amante, ¿no ves
que la enredadera crecerá ciprés?

Juana de Ibarbourou – A Hora

Toma-me agora que ainda é cedo
e que levo dálias novas na mão.

Toma-me agora que ainda é sombria
esta taciturna cabeleira minha.

Agora que tenho a carne cheirosa
e os olhos limpos e a pele de rosa.

Agora que calça minha planta ligeira
a sandália viva da primavera.

Agora que em meus lábios repica o sorriso
como um sino sacudido às pressas.

Depois…oh, eu sei
que já nada disto mais tarde terei!

Que então inútil será teu desejo,
como oferenda posta sobre um mausoléu.

Toma-me agora que ainda é cedo
e que tenho rica de nardos a mão!

Hoje, e não mais tarde. Antes que anoiteça
e se torne murcha a corola fresca.

Hoje, e não amanhã. Oh amante! Não vês
que a trepadeira crescerá cipreste?

Pierre de Ronsard – Quando fores bem velha…

Quando fores bem velha, à noite junto à vela,
Sentada ao pé do fogo, enovelando e fiando,
Dirás, cantando os versos meus e te enlevando:
“Ronsard me celebrava ao tempo em que era bela”.
Então nem haverá, ouvindo o recital,
Serva, ao fim do trabalho e semi-sonolenta,
Que, com som do meu nome, não desperte atenta
A saudar o teu nome em louvor imortal.
Estarei sob a terra e, fantasma sem osso,
Pelas sombras dos mirtos terei meu repouso;
Tu serás à lareira uma anciã encolhida
Chorando o meu amor e o teu fero desdém.
Se me crês, não espere o amanhã também:
Vive, colhe desde hoje as rosas desta vida.

Trad.: José Lino Grünewald

Les Amours – Amôres de Helena, livro segundo – soneto XLIII

Quand vous serez bien vieille, au soir à la chandelle,
Assise auprès du feu, dévidant et filant,
Direz chantant mes vers, en vous émerveillant:
«Ronsard me célébrait du temps que j’étais belle.»

Lors vous n’aurez servante oyant telle nouvelle,
Déjà sous le labeur à demi sommeillant,
Qui au bruit de mon nom ne s’aille réveillant,
Bénissant votre nom, de louange immortelle.

Je serai sous la terre et, fantôme sans os,
Par les ombres myrteux je prendrai mon repos;
Vous serez au foyer une vieille accroupie,

Regrettant mon amour et votre fier dédain.
Vivez, si m’en croyez, n’attendez à demain:
Cueillez dès aujourd’hui les roses de la vie.

Aqui, com uma pequena explicação sobre o poema feita pelo próprio tradutor: http://joselinogrunewald.com/traducoes.php?id=834