Ricardo Reis – Odes: 153 – Como este infante que alourado dorme

Como este infante que alourado dorme   Fui. Hoje sei que há morte, Lídia, há largas taças por encher   Nosso amor que nos tarda.   Qualquer que seja o amor ou a taça, cedo    Cessa. Receia, e apressa.

Ricardo Reis – Odes: 144 – Uns, com os olhos postos no passado,

Uns, com os olhos postos no passado, Vêem o que não vêem; outros, fitos Os mesmos olhos no futuro, vêem O que não pode ver-se. Porque tão longe ir pôr o que está perto — A segurança nossa? Este é o dia, Esta é a hora, este o momento, isto É quem somos, e é … Continue lendo Ricardo Reis – Odes: 144 – Uns, com os olhos postos no passado,

Ricardo Reis – Odes: 105 – Quando, Lídia, vier o nosso Outono

Quando, Lídia, vier o nosso outono Com o inverno que há nele, reservemos Um pensamento, não para a futura   Primavera, que é de outrem, Nem para o estio, de quem somos mortos, Senão para o que fica do que passa – O amarelo atual que as folhas vivem   E as torna diferentes.

Ricardo Reis – Odes: 80 – A nada imploram tuas mãos já coisas,

A nada imploram tuas mãos já coisas, Nem convencem teus lábios já parados,   No abafo subterrâneo   Da húmida imposta terra. Só talvez o sorriso com que amavas Te embalsama remota, e nas memórias   Te ergue qual eras, hoje   Cortiço apodrecido. E o nome inútil que teu corpo morto Usou, vivo, na terra, como uma alma, … Continue lendo Ricardo Reis – Odes: 80 – A nada imploram tuas mãos já coisas,

Ricardo Reis – Odes: 63 – Tão cedo passa tudo quanto passa!

Tão cedo passa tudo quanto passa! Morre tão jovem ante os deuses quanto    Morre! Tudo é tão pouco! Nada se sabe, tudo se imagina. Circunda-te de rosas, ama, bebe    E cala. O mais é nada.

Ricardo Reis – Odes: 61 – De uma só vez recolhe

   De uma só vez recolhe    Quantas flores puderes. Não dura mais que até à morte o dia.    Colhe de que recordes.    A vida é pouco e cerca-a    A sombra e o sem remédio. Não temos regras que compreendamos,    Súbditos sem governo.    Goza este dia como    Se a Vida fosse nele. Homens nem deuses fadam, nem … Continue lendo Ricardo Reis – Odes: 61 – De uma só vez recolhe

Ricardo Reis – Odes: 40 – Não sem lei, mas segundo leis diversas

Não sem lei, mas segundo leis diversas Entre os homens reparte o fado e os deuses    Sem justiça ou injustiça Prazeres, dores, gozos e perigos. Bem ou mal, não terás o que mereces. Querem os deuses a isto obrigar    Porque o Fado não tem Leis nossas com que reja a sua lei. Quem é rei … Continue lendo Ricardo Reis – Odes: 40 – Não sem lei, mas segundo leis diversas

Ricardo Reis – Odes: 1 – Mestre, são placidas

Mestre, são plácidas Todas as horas Que nós perdemos, Se no perdê-las, Qual numa jarra, Nós pomos flores. Não há tristezas Nem alegrias Na nossa vida. Assim saibamos, Sábios incautos, Não a viver, Mas decorrê-la, Tranquilos, plácidos, Tendo as crianças Por nossas mestras, E os olhos cheios De natureza… À beira-fio, À beira-estrada, Conforme calha, … Continue lendo Ricardo Reis – Odes: 1 – Mestre, são placidas

Ricardo Reis – Odes – Livro I – XIII – Olho os campos, Neera,

Olho os campos, Neera, Campos, campos e sofro Já o frio da sombra Em que não terei olhos. A caveira antessinto Que serei não sentindo, Ou só quanto o que ignoro Me incógnito ministre. E menos ao instante Choro, que a mim futuro. Súdito ausente e nulo Do universal destino.