Ana Martins Marques – A porta de saída

"Eu vou morrer, masisso é tudo o que farei pela Morte"Edna St. Vincent Millay, Objeção de consciência "Alô, iniludível" Manuel Bandeira, Consoada A porta de saída Mas não serei eua colocar-lhe a mesa– quando chegarencontrará a casa como sempreem desordemcheia de livros e discoscom plantas e gatos ao sole os papéis em órbitaem torno da camae … Continue lendo Ana Martins Marques – A porta de saída

Ana Martins Marques – [Você se dá conta]

Um poema de Ana Martins Marques Você se dá conta de repente de que muitos dos poemas que ama foram na verdade escritos por seus tradutores:

Ana Martins Marques – [Pense em quantos anos foram necessários para chegarmos a este ano]

Pense em quantos anos foram necessários para chegarmos a este ano quantas cidades para chegarmos a esta cidade e quantas mães, todas mortas, até tua mãe quantas línguas até que a língua fosse esta e quantos verões até precisamente este verão este em que nos encontramos neste sítio exato à beira de um mar rigorosamente … Continue lendo Ana Martins Marques – [Pense em quantos anos foram necessários para chegarmos a este ano]

Ana Martins Marques – de “Três Postais”

São Paulo Depois de um tempo todas as coisas ficam marcadas como se estivessem impregnadas de veneno Há um tempo em que os lugares são limpos e novos abertos como clareiras mas já não é este o tempo Sobre cada lugar se sobrepõe a experiência do lugar como um selo num cartão postal Por exemplo … Continue lendo Ana Martins Marques – de “Três Postais”

Ana Martins Marques – História

Tenho 39 anos. Meus dentes têm cerca de 7 anos a menos. Meus seios têm cerca de 12 anos a menos. Bem mais recentes são meus cabelos e minhas unhas. Pela manhã como um pão. Ele tem um história de 2 dias. Ao sair do meu apartamento, que tem cerca de 40 anos, vestindo uma … Continue lendo Ana Martins Marques – História

Ana Martins Marques – a parte que me cabe

a parte do teu corpo que procura pelo sol como os gatos pela casa a parte que permanece imóvel quando cantas, aquela que se move quando estás parado a parte que apenas a mim e de relance, por descuido revelaste a parte onde guardas as memórias de infância, a parte que ainda anseia pelo futuro … Continue lendo Ana Martins Marques – a parte que me cabe

Ana Martins Marques – Religião

'If I were called in to construct a religion I should make use of water' - Philip Larkin Inaugurar uma religião: adorar os pontos em que se formam as estações do ano os gestos de desnudar-se o dia depois da chuva a distância: entre uma árvore e outra árvore, entre cidades com o mesmo nome … Continue lendo Ana Martins Marques – Religião

Ana Martins Marques – Sem Título

Porque sua camiseta secou ao sol ela tem a cor do sol porque seus cabelos secaram ao vento seus pensamentos têm a velocidade do vento porque você disse “noite” sua boca terá o gosto do mar noturno porque você não conheceu meu avô você me amará menos porque não te conheci quando criança eu te … Continue lendo Ana Martins Marques – Sem Título

Ana Martins Marques – Penélope (I)

O que o dia tece, a noite esquece. O que o dia traça, a noite esgarça. De dia, tramas, de noite, traças. De dia, sedas, de noite, perdas. De dia, malhas, de noite, falhas.